E - me envaideço em dizê-lo, o teorema que Tsuji, Newton e eu provamos sobre
os preços de equilíbrio de mercados competitivos, bem qye arrebenta com a
ideologia neoliberal...

2009/9/28 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

> Há sistemas econômicos que funcionam bem e não se baseiam no lucro: o
> potlach, na costa oeste americana, e arranjos sociais préurbanos na
> Mesopotâmia (estão descritos no livro do Maisels, e talvez sejam a fonte
> para o mito do Paraíso Perdido, já que o trabalho ocupava as populações
> apenas uma fração do ano e no resto viviam de papo para o ar).
>
> Uma nota: o Maisels antes de se fazer arqueólogo era físico.
>
> 2009/9/28 Alvaro Augusto (L) <[email protected]>
>
> Prezado Carlos,
>>
>> Eu não sugeri o artigo com a intenção de criar uma discussão, mas apenas
>> para mostrar que a era digital trouxe novas maneiras de entender conceitos
>> antigos (ou não tão antigos assim, pois a propriedade intelectual é coisa
>> recentíssima na história da humanidade). Basta ver o fracasso da Encarta e o
>> sucesso da Wikipedia. Quem, nos anos 80 ou até mesmo nos anos 90, poderia
>> apostar que um produto lançado por uma empresa bilionária, detentora de
>> enormes recursos publicitários e de pesquisa, perderia para um produto
>> gratuito, mantido de maneira igualmente gratuita e colaborativa?
>>
>> Quanto à "lei de Christensen", eu a interpreto de maneira um pouco
>> diferente: enquanto existirem pessoas, existirão necessidades a serem
>> atendidas. Essa lei é irrefutável? Ora, parece-me que sim. Basta que você
>> indique um grupo de pessoas que não tenha necessidades a serem atendidas...
>>
>> Note também que o termo "lei" deve ser aqui entendido da mesma forma que
>> "lei da oferta e da demanda". Não se trata de uma lei física, mas sim
>> comportamental, muito menos precisa e de caráter indiscutivelmente
>> estatístico.
>>
>> Quanto às "bolachas", elas o ajudam na tarefa de matar a fome, não na
>> tarefa de comer bolachas (talvez algum dia alguém axiomatize essas coisas!)
>>
>> [ ]s
>>
>> Alvaro Augusto
>> [email protected]
>> http://www.lunabay.com.br/
>> http://twitter.com/alvaro_augusto
>>
>>
>>
>> -----Mensagem original-----
>> De: Carlos Gonzalez [mailto:[email protected]]
>> Enviada em: domingo, 27 de setembro de 2009 20:02
>> Para: Alvaro Augusto (L); Lista acadêmica brasileira dos profissionais e
>> estudantes da área de LOGICA; [email protected]
>> Cc: Carlos González; Carlos González
>> Assunto: Re: [Logica-l] o crescimento do Gigapedia e a crescente
>> inutilidade das bibliotecas tradicionais
>>
>> Alvaro e lista,
>>
>> No link sugerido por Alvaro:
>>
>> http://colunas.epocanegocios.globo.com/ideiaseinovacao/2009/09/08/o-que-vai-ser-gratis-o-que-vai-ser-pago/
>> podemos ler:
>> "A lei número 1 do marketing é eterna. Diz que só pagamos por algo
>> (digital ou não) que nos ajude a realizar uma “tarefa” (um job to be
>> done como diz Clayton Christensen, especialista em inovação)."
>>
>> E eu que pensava que os únicos que continuavam falando de "leis
>> eternas" eram os teólogos! ;-)
>>
>> Falando sério, o nível do artigo é baixíssimo. A pretendida "lei
>> eterna" parece uma brincadeira. Eu comprei bolachas: elas me ajudaram
>> na "tarefa" de comer bolachas? Se tarefa, à moda desse tipo de
>> escritos, é tomada com bastante ambiguidade (tal vez por isso apareça
>> entre aspas), então a afirmação "só pagamos por algo (digital ou não)
>> que nos ajude a realizar uma 'tarefa'  " pode ser irrefutável, ao
>> igual que "2 é o seu número da sorte".
>>
>> Popper escreveu alguma coisa sobre isso ;-)
>>
>> Carlos
>>
>> 2009/9/27 Alvaro Augusto (L) <[email protected]>:
>> > Sobre esse assunto da "economia do grátis", sugiro a leitura do blog do
>> > Clemente Nobrega:
>> >
>> http://colunas.epocanegocios.globo.com/ideiaseinovacao/2009/09/08/o-que-vai-
>> > ser-gratis-o-que-vai-ser-pago/
>> >
>> > [ ]s
>> >
>> > Alvaro Augusto
>> > [email protected]
>> > http://www.lunabay.com.br/
>> > http://twitter.com/alvaro_augusto
>> >
>> >
>> > -----Mensagem original-----
>> > De: [email protected] [mailto:
>> [email protected]]
>> > Em nome de Carlos Gonzalez
>> > Enviada em: domingo, 27 de setembro de 2009 14:44
>> > Para: Arthur Buchsbaum; Lista acadêmica brasileira dos profissionais e
>> > estudantes da área de LOGICA; [email protected]
>> > Assunto: Re: [Logica-l] o crescimento do Gigapedia e a crescente
>> inutilidade
>> > das bibliotecas tradicionais
>> >
>> > Arthur e demais colegas,
>> >
>> > Na legislação atual, toda vez que uma determinada ação ou conduta X é
>> > considerada delito, também incentivar X, ou simplesmente dizer "vamos
>> > fazer X" é também considerado delito e punido pela lei. Em casos
>> > extremos, como as ditaduras militares que sofreram os nossos países, o
>> > simples questionamento de uma lei era muitas vezes punido. Por este
>> > motivo quero desenvolver aqui somente uma discussão teórica e não um
>> > apelo como "cumpra a lei" ou "não cumpra a lei". Estou me dirigindo a
>> > pessoas maduras, criteriosas, responsáveis e cultas e, por isso, cada
>> > um de vcs faz conscientemente a escolha de que leis cumprir ou não.
>> > Também não quero comprometer á lista, pois já foram faladas coisas
>> > como "mensagens que incentivam a pirataria, etc.".Eu acho que o tópico
>> > é pertinente, pois tem a ver com o nosso dia-a-dia como cientistas e a
>> > discussão de questões teóricas não deve ser considerada um tabu,
>> > simplesmente porque envolve tópicos relacionadas à legislação ou
>> > interesses econômicos.
>> >
>> > Em primeiro lugar, devemos considerar que as leis podem mudar e o que
>> > é considerado justo numa época pode ser considerado injusto por outra.
>> > Se tomarmos como exemplo a escravidão, que já foi lei, vemos que nem
>> > todo mundo estava de acordo com a ela nem com o tratamento dado aos
>> > escravos durante a vigência da mesma. Sêneca, parte da corte de Nero e
>> > ele mesmo dono de escravos, denuncia os sofrimentos a que foram
>> > submetidos os escravos. Por outra parte, eu ja ouví pessoas que
>> > falaram que se vivessem no Brasil na época da escravidão e um fujão
>> > entrasse na sua propriedade, chamavam à força pública para que esse
>> > escravo retornasse a seu dono e recebesse o merecido castigo de
>> > chicotadas e tortura, porque respeitariam a lei, não por medo, mas
>> > porque "dura lex, sed lex".
>> >
>> > Assim como a questão da escravidão é uma questão de valores, enquanto
>> > a propriedade era considerada como superior à liberdade humana, hoje
>> > os mal chamados "direitos autoriais", ou seja, a propriedade
>> > inteletual, nos coloca perante a questão:
>> >
>> > Que valor é mais fundamental: a propriedade ou a cultura e o
>> > conhecimento dos povos?
>> >
>> > Naturalmente, hoje prevalece o valor da propriedade e o lucro, tendo
>> > como exemplo a antidemocrática lei de "direitos autorais" brasileira.
>> > Eu acho que, se essa lei fosse submetida a plebiscito, nunca seria
>> > aprovada, como tantas outras. Os argumentos capitalistas, neoliberais,
>> > etc., dizem que a nossa sociedade funciona na base do lucro e que as
>> > leis devem defender o lucro para a sociedade poder funcionar. E
>> > acrescentam que as posições que criticam a propriedade inteletual são
>> > comunistas, etc. Nesta concepção capitalista extrema, o lucro é o
>> > motor da sociedade, de modo que sem lucro não existiria editoração nem
>> > livros.
>> >
>> > Eu diferencio "direito autorial" de "propriedade inteletual", porque a
>> > maioria das vezes no mundo acadêmico a propriedade inteletual não é do
>> > autor. Típico o caso de que, aceito um artigo para publicação, a
>> > editora manda o termo de transferência da propriedade inteletual para
>> > ela como requisito para a publicação, mas depois cobra U$S 30,00 pela
>> > separata eletrônica.. Neste sentido, esta sendo começado a usar, de
>> > maneira pejorativa, o termo "intermediação" para se referir a
>> > editoras, companhias de música, etc. Alguns argumentos denominados
>> > "comunistas" pelos neoliberais fazem referência a que o autor teria
>> > direito a receber alguma coisa pelo seu trabalho, mas não a editora
>> > que se limita a arrumar artigos já formatados e publicar. Nesta lista
>> > já foi dito algo assim como "como vai piratear e negar os direitos a
>> > R. Smullyam" (uma pessoa muito simpática, segundo minha opinião) "que
>> > escolheu uma editora barata para o seu livro First Order Logic e que
>> > uma de seus poucas atividades é ir até os correios parar ver se chegou
>> > alguma coisa de direitos autoriais" (argumentum ad misericordiam?). Eu
>> > acho que a pessoa que escreve um (bom) livro ou um artigo tem direito
>> > a receber pelo seu trabalho. Entretanto, para o árduo trabalho de
>> > escrever um livro compensar, tem que escolher a editora certa (que tem
>> > que aceitar publicar o livro) e o livro tem que ter um sucesso
>> > considerável. Ao longo de minha vida, muitos foram os autores de
>> > livros que me disseram: "não compensou". Um caso extremo foi o
>> > tradutor da Metafísica ao espanhol, Hernán Zucchi, que passou dez anos
>> > fazendo a tradução e quando terminou o seu único interesse era que
>> > fosse publicada e não o ganho. Por isso, muitas vezes a expressão
>> > "direito autorial" não passa de um eufemismo usado por aqueles que não
>> > tem a mais mínima preocupação pelo dinheiro do trabalho do autor.
>> >
>> > Até aqui a questão de princípios.
>> >
>> >>
>> >> Creio que as presentes leis de direitos autorais não mais funcionam na
>> >> prática,
>> >>
>> >
>> > Por que uma lei não funciona na prática? Por que pessoas honestas e
>> > éticas, muito longe de serem "fora da lei", não respeitam a lei? Por
>> > que os apelos comuns para o cumprimento das leis (a responsabilidade
>> > social, por exemplo), não funcionam?
>> >
>> > Podemos encontrar por ai, até pessoas estritamente éticas na sua
>> > conduta, mas que sem remoço nem sentimento de que estão fazendo alguma
>> > coisa errada, "pirateiam" material bibliográfico.
>> >
>> > Uma conclusão óbvia é que muitas pessoas não consideram que
>> > determinados tipos de desobediência das leis de propriedade inteletual
>> > seja contrário à moral. Ou seja, existe de fato (esta é uma afirmação
>> > sociológica e como tal deveria ser testada), um divórcio entre lei e
>> > moralidade. Em alguns casos, uma lei é tão contrária à moral que passa
>> > a ser considerada uma "lei injusta", ou seja uma lei que contradiz os
>> > princípios da justiça. De ser assim, trata-se de uma questão
>> > extremamente importante e que deve ser analisada cientificamente e em
>> > profundidade, em lugar de simplesmente tornar-se torcedor a favor ou
>> > contra essas leis.
>> >
>> > Uma questão sociológica e econômica interessante é que a tecnologia
>> > facilita o não cumprimento dessas leis. Para os mais jovens: 50 anos
>> > atrás, quando as editoras tinham que tomar conta da trabalhosa
>> > tipografia, poucas pessoa viam como injusto o lucro das editoras. Já
>> > existiam, umas poucas, edições piratas. Jorge Luis Borges menciona uma
>> > edição pirata de Enciclopédia Britânica.  Custavam menos que o
>> > original, mas também não eram coisas para pobres. Entretanto, os donos
>> > de essas edições eram muitas vezes criticados por amigos e familiares:
>> > "vc não tem vergonha de comprar uma edição falsificada", etc.
>> >
>> > Estes dois fatores, o divórcio entre ética e legalidade e a facilidade
>> > tecnológica, dificultam ou impossibilitam a repressão governamental:
>> > 1) Na França, anos atrás, um professor foi punido por 'baixar"
>> > arquivos de música. Este fato gerou passeatas contra as leis de
>> > propriedade inteletual.
>> > 2) Não sei em outros lugares. Aqui no estado de SP as editoras
>> > "pressionaram" (um eufemismo) para a repressão contra as fotocópias de
>> > livros. Segundo a lei, fotocopiar um livro tem uma punição de mil
>> > vezes o valor do livro. Fotocopiar um livro equivale a atravessar 500
>> > semáforos vermelhos. Como resultado, diminuiu significativamente a
>> > fotocópias de livros. Contudo, a alternativa foi a cópia eletrônica.
>> >
>> >>
>> >> e qualquer atitude de repressão está fadada ao fracasso.
>> >>
>> >
>> > Eu não gosto de fazer "futurologia". Entretanto, fazer uma previsão
>> > científica sobre o que vai acontecer é uma tarefa extremamente
>> > difícil. Quero dizer: uma previsão com um certo grau de probabilidade
>> > de acontecer, pois a história da ciência e do pensamento tem inúmeros
>> > exemplos de previsões sociológicas erradas. A questão é:
>> >
>> > Os fatos assinalados, assim com outros que podem ser usados na
>> > argumentação, podem ser tomados como indicadores de uma futura mudança
>> > social nesse sentido?
>> >
>> > Consciente, como lógico, de que uma analogia é um argumento fraco e de
>> > maneira nenhuma uma demonstração, quero colocar o seguinte
>> > acontecimento histórico. Desculpem o caráter resumido, mas não quero,
>> > nem nem conseguiria, escrever um tratado.
>> >
>> > No final da Idade Média e na Renascença temos um aumento da população
>> > europeia devida a vários fatores, entre os quais podemos mencionar as
>> > modificações das técnicas de agricultura aumentando a produtividade
>> > agrícola e a intensificação das viagens, sobre tudo as marítimas,
>> > gerando um aumento do intercâmbio comercial. Estes e outros fatos
>> > deram lugar à surgimento da manufatura em substituição da oficina
>> > medieval. A manufatura produzia com um custo mais baixo que a oficina.
>> > Entretanto, para a manufatura era necessária uma maior produção, e
>> > esta produção implicava uma distribuição mais ampla dos produtos.
>> > Enquanto o comércio marítimo contribuía nesta distribuição,  a
>> > estrutura feudal a dificultava, pois as mercadorias deviam pagar
>> > impostos de alfândega cada vez que atravessavam um feudo. Como
>> > resultado disto, os comerciantes e donos de manufaturas fizeram uma
>> > aliança com os reis contra os senhores feudais e a estrutura feudal
>> > foi caindo pouco a pouco na Europa. O crescimento da manufatura deu
>> > lugar a uma intensificação do comércio e ao surgimento da indústria. A
>> > tecnologia gerou mais tecnologia e os países que não se adaptaram às
>> > novas tecnologias ficaram para atrás.
>> >
>> > Hoje poderíamos dizer que o conhecimento gera tecnologia e que a
>> > tecnologia gera conhecimento.
>> >
>> > Contudo, não podemos cair na ingênua lei do progresso contínuo. Com a
>> > queda do Império Romano (e Alexandria, etc.) muitas tecnologias foram
>> > perdidas numa época de barbárie e algumas delas recuperadas somente na
>> > Renascença e na Modernidade. Muitos livros foram queimados e perdidos
>> > para sempre.
>> >
>> > O Arthur faz muito bem em assinalar fatos que não podem, nem devem,
>> > ser desconsiderados. Muitas vezes vemos pessoas propondo posições
>> > hipócritas ou bivalentes sobre este tema. Do meu ponto de vista, os
>> > valores e os interesses envolvidos na discussão devem ser
>> > explicitados.
>> >
>> > Espero ter dito alguma coisa interessante sobre um tema tão polêmico,
>> > difícil e espinhoso. Gostaria de saber as opiniões dos colegas.
>> >
>> > Carlos Gonzalez
>> >
>> > 2009/9/27 Arthur Buchsbaum <[email protected]>:
>> >> Caros colegas:
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> O sítio Gigapedia (http://gigapedia.com) é um meio cada vez maior
>> poderoso
>> >> de obter livros de todos os assuntos, raros ou não, e parece já superar
>> em
>> >> muitos sentidos as maiores bibliotecas do mundo.
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> Em assuntos como Lógica, Matemática, Filosofia, entre outros, o acervo
>> >> acessível por este sítio é simplesmente fabuloso. O mesmo parece
>> ocorrer
>> > com
>> >> praticamente todos os assuntos.
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> Cada vez mais alunos de mestrado e doutorado, além dos alunos de
>> > graduação,
>> >> têm recorrido a este acervo para pesquisas relacionadas às suas teses
>> ou
>> >> dissertações.
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> Em http://gigapedia.com/threads/1058?page=1 vários alunos e ex-alunos
>> de
>> >> pós-graduação agradecem os criadores e idealizadores deste sítio pelos
>> >> livros que têm podido obter graças aos seus inúmeros colaboradores, que
>> > têm
>> >> compartilhado os seus livros com a comunidade mundial.
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> Creio que as presentes leis de direitos autorais não mais funcionam na
>> >> prática, e qualquer atitude de repressão está fadada ao fracasso.
>> >>
>> >>
>> >>
>> >> a) Arthur Buchsbaum
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