2009/9/25 Evandro L. Gomes <[email protected]>:
> O termo `instância', por exemplo, também não existe em nossa língua
> com o sentido que o utilizamos em lógica.
A "nossa língua" não é exatamente a dos dicionários...
Cada versão nova de um dicionário inclui novos neologismos, e os
neologismos surgem de algum modo - digamos, pra simplificar, que os
neologismos surgem "por necessidade" ("prática", porque não havia uma
palavra adequada em Português pra expressar uma idéia, ou "estética",
porque a palavra "correta" não não soava mais direito, o que for...)
Adivinhe quem são as pessoas que têm necessidade de criar neologismos
para expressar termos lógicos...
Minha sugestão: cuide _muito_ do conteúdo do que você tem a dizer e
cuide _um pouquinho_ de detalhes linguísticos... aí um dia, daqui a
anos, os caras que fazem os dicionários vão chamar alguns de nós e
alguns linguistas pra decidirem como "estandardizar" (<- essa eu pus
de propósito 8-)) a língua que nós estamos usando, e aí nós e os
linguistas vamos pegar uma pilha grande de textos de lógica e
separá-los em várias sub-pilhas: uma de textos claros e fluentes - que
"devem" estar escritos no que vai ser decretado como sendo Português
correto - outra de textos cujas idéias são claras, mas cujo Português
soa mal, então nós vamos tentar descobrir o que é que está errado no
Português deles - outra de textos que tentam TANTO ter um Português
correto que acabam soando só bizarros & content-free, etc, etc...
Outra coisa... essa é um assunto delicado, mas eu não tenho como não
falar. Porque é que a gente acaba discutindo tanto o que é "correto"
ou "incorreto" e tão pouco como tornar um texto mais fluente? Só
porque é mais fácil perguntar o que é correto ou incorreto, porque a
pergunta é curta e a resposta é quase binária? Porque é que os livros
do Walter Carnielli soam tão mais fluentes do que os textos do Arthur
Buchsbaum? Será que por alguma questão regional - por eu ter nascido
no Rio de Janeiro, talvez? - os usos de segunda pessoa do Arthur me
soam estranhos? Será que pra muita gente da lista além de mim isso
também acontece? Será que em ambos os casos - Walter e Arthur - há um
escolha deliberada de tom? Eu lembro que o André Porto, que se não me
engano é do Rio Grande do Sul (será que ele está na lista?) fala muito
"tu" quando a gente conversa com ele... André, se você estiver me
lendo você poderia falar alguma coisa sobre como você lida com esses
"tu"s quando você escreve?
[[]]s,
Eduardo Ochs
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