A brincadeira do Marcelo mostra que não expliquei tudo sobre o algoritmo de
Kunen. Mea culpa. Vai aqui, então.

- Pode-se provar a consistência de PA? Sim. Você parte dos axiomas de PA e,
numa etapa crucial, introduz uma indução transfinita a \epsilon_0, como um
axioma extra. Daí sai Consis PA. (Há outros modos de fazê-lo.)

- Kunen mostra como provar Paris-Harrington. Parte dos axiomas de PA, usa
num determinado momento a indução transfinita, e prova PH. Como PA prova PH
---> Consis PA, tira-se por modus ponens Consis PA.

- A indução transfinita é a coisa. Fazê-la envolve o uso de um ordinal
construtivo simples. A operação em causa é recursiva. Pode-se então
mecanizar tudo.

Qual o galho? PA não prova que este algoritmo converge adequadamente. ``Do
lado de fora,'' meta, a gente vê que há a convergência, mas PA não consegue
fazê-lo.

2009/7/13 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

> No comment :))
>
> 2009/7/13 Marcelo Finger <[email protected]>
>
> Dória.
>>
>> 2009/7/13 Francisco Antonio Doria <[email protected]>
>>
>>> A gente tem que tomar muito cuidado com esses resultados de
>>> indecidibilidade e incompletude, porque frequentemente seu alcance é
>>> exagerado ou confundido. Por exemplo: o segundo teorema de incompletude de
>>> Gödel diz que (slight handwaving...) se PA é consistente, então a sentença
>>> de Gödel que diz da sua consistência não pode nem ser provada nem
>>> desprovada.
>>>
>>> Ora, em 1995 Ken Kunen publicou um algoritmo que, trivialmente, prova
>>> Consis PA. Vou repetir: ***Um algoritmo que prova Consis PA***. Como pode?
>>
>>
>> Em Java ficaria assim:
>>
>> public static main( String []args) {
>>     System.out.println("A Aritmética de Peano é decidível?");
>>     System.out.println("Sim");
>> }
>>
>> :-))))
>>
>>
>>> Outra coisa: é trivial (menos, menos, mas quase...) mostrar que, dado um
>>> conjunto finito de instâncias sendo investigadas para o Problema da Parada,
>>> ***existe*** um algoritmo que as decide. (Ênfase no ***existe***.)
>>
>>
>> Uéu.  Aqui v precisa ordernar os N algoritmos na mão, dar para alguém
>> mostrar se eles páram ou não e criar um vetor de N posições chamado de
>> VEREDITO.  Então, v faz um algoritmo assim:
>>
>> Entrada: TEXT: string contendo um dos N algoritmos contemplados
>> Saída: veredito
>>
>> if( TEXT.equals(algo0) )
>>     System.out.println( VEREDITO[0]);
>> else if( TEXT.equals(algo1) )
>>     System.out.println( VEREDITO[1]);
>>
>> etc;
>>
>> Fácil, né!
>>
>>>
>>>
>>> Mais complicado (mas factível) é explicitar tal (tais) algoritmo(s).
>>>
>>
>> Feito!
>>
>> ;-)))))
>>>
>>
>>
>>
>> --
>> Marcelo Finger
>> Departamento de Ciencia da Computacao
>> Instituto de Matematica e Estatistica
>> Universidade de Sao Paulo
>> Rua do Matao, 1010
>> 05508-090    Sao Paulo, SP     Brazil
>> Tel: +55 11 3091-9688, 3091-6135, 3091-6134 (fax)
>> http://www.ime.usp.br/~mfinger <http://www.ime.usp.br/%7Emfinger>
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