transcrevo de Paulo Sérgio Loredo 


Um em cada 10 brasileiros com mais de 15 anos ainda não sabe ler e escrever

Da Redação
Em São Paulo 
18/09/2008 - 10h00


Um em cada dez brasileiros com mais de 15 anos de idade ainda não sabe ler nem 
escrever. Esse contingente de 14,1 milhões de brasileiros é analfabeto, segundo 
os critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ou 
seja, eles não são capazes de ler e escrever um bilhete simples na língua 
materna. 

O número pode parecer alto aos olhos de internautas letrados, mas é o índice 
mais positivo dos últimos 15 anos, segundo a Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por 
Amostra de Domicílios), divulgada nesta quinta-feira (18). Em 1992, a taxa de 
analfabetismo era de 17,2% entre pessoas de 15 anos ou mais de idade - em 2007, 
o índice caiu para 9,9% seguindo uma tendência histórica de queda. 


     
      DEFASAGEM ATINGE 30% 
      1,2 mi DE CRIANÇAS EXPLORADAS 
      12,6% DE 16 e 17 TÊM CARTEIRA 
      MULHERES ESTUDAM MAIS 
      BR É UM DOS PIORES DA AM. LATINA 

"Quando se fala em educação, as mudanças não acontecem a curto prazo. Se 
compararmos com esses dados de quinze anos atrás, vemos uma tendência na 
diminuição de analfabetos, ao mesmo tempo que há uma ligeira queda na 
população", afirma Adriana Bernguy, técnica do IBGE e membro da coordenação de 
renda e emprego.

O Nordeste ainda é a região que mais registra analfabetos: é onde estão 19,9% 
dos brasileiros sem alfabetização. Apesar disso, é também a área que teve maior 
redução da taxa nos últimos 15 anos, caindo de 32,7% para 19,9%.

O Sul tinha, em 1992, o menor índice de analfabetismo. Em 2007, se reafirma na 
liderança: os 10,2% de 15 anos atrás se transformaram em 5,4%. Sudeste vem na 
cola, com apenas 5,7% de analfabetos, diferente dos 10,9% de 1992.

Norte e Centro-Oeste têm hoje, respectivamente, 8,4% e 8,1% de pessoas que não 
sabem ler nem escrever, reduzindo, nessa ordem, os 13,1% e 14,5% de 15 anos 
atrás.

8º na América Latina
Enquanto o indicador de analfabetismo sinalizava 9,6% da população em 2006, no 
ano seguinte o índice registrou diminuição de 4,2% no total, fixando em 9,2% em 
2007.

Apesar da queda, o Brasil ocupa a oitava posição dos países da América Latina 
com maior índice de analfabetismo, superando um time que inclui Haiti, 
Guatemala, Nicarágua, Honduras e Jamaica. 

O número de brasileiros considerados alfabetizados - ou seja, que sabem ler e 
escrever bilhetes simples - porém, fica atrás de locais com desenvolvimento 
inferior, como Suriname, Panamá e Paraguai.

"Se compararmos o desempenho histórico brasileiro, temos melhoras, mas estamos 
muito longe do que pode ser alcançado", diz Bernguy.

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