Apropria��o ind�bita

 De outro lado, a entrevista de Eduardo Campos de Oliveira, da
 Microsoft, � muito mais cr�tica ao software livre do que a de
 Branco foi ao modelo propriet�rio. Em parte, isso se deve ao
 fato de que foi Oliveira que procurou os jornalistas, no
 intuito de contra-argumentar com Branco. Al�m disso, �
 preciso notar que a possibilidade de uma poss�vel perda de
 mercado para as solu��es livres tem colocado os defensores do
 software propriet�rio em uma posi��o mais agressiva.

 Apesar de Branco n�o ter defendido a ado��o de leis que
 instituam a prefer�ncia pelo software livre, Oliveira critica
 veementemente esse tipo de id�ia. Para ele, essas leis seriam
 uma reedi��o da reserva de mercado que vigorou no Brasil at�
 os anos 80. Ele associa, ent�o, a reserva de mercado ao
 passado e ao atraso tecnol�gico. A argumenta��o � muito
 semelhante �quela em moda no in�cio dos anos 90, quando
 pregava-se a liberaliza��o econ�mica como necess�ria para que
 as empresas brasileiras se tornassem mais competitivas. Ao
 comparar as duas regulamenta��es - a reserva de mercado e a
 prefer�ncia pelo software livre -, Oliveira procura
 desqualificar a defesa que Branco fez de uma autonomia
 tecnol�gica das empresas brasileiras, criticando tamb�m os
 subs�dios que foram oferecidos nos anos 80.

 Mas o centro da argumenta��o de Oliveira baseia-se na l�gica
 econ�mica. Utilizando-se de diversos dados financeiros e
 estat�sticos, ele consegue agragar � sua fala uma apar�ncia
 de realidade, no sentido de um pr�tica cotidiana atualizada
 com o mercado. O cerne de sua cr�tica econ�mica reside no
 fato de que o software livre, ao autorizar livremente a c�pia
 de programas, n�o recolhe impostos. Segundo ele, o modelo
 livre acaba estabelecendo uma quebra na "cadeia de valor"
 econ�mica. A essa observa��o � somada a exposi��o de n�meros
 que mostram os empregos diretos e indiretos gerados pela
 Microsoft e os valores movimentados pela empresa.

 Oliveira tenta tamb�m mostrar que o software livre, ao
 contr�rio do que poderia parecer em um primeiro momento, �
 mais caro do que o software propriet�rio. Mas essa afirma��o
 se contradiz com a id�ia que ele mesmo expressara
 anteriormente, de que o software livre quebra a cadeia
 econ�mica de valor. Se os sistemas livres acabam sendo mais
 caros, conforme afirma Oliveira, ent�o n�o haveria a quebra
 da cadeia de valor mas, sim, a institui��o de uma cadeia
 diferente na qual o capital n�o � investido no produto
 software, mas nos servi�os de manuten��o que se tornam
 necess�rios. A conclus�o a que ele n�o chega � que o dinheiro
 deixaria de ir para o dono do software e passaria a ser pago
 para aqueles que s�o respons�veis pela manuten��o e adapta��o
 dos sistemas.

 Perguntado pelo entrevistador sobre sua vis�o do software
 livre, Oliveira faz uma cr�tica disfar�ada de elogio. Afirma:

 "A vantagem que mais admiro � [para] a comunidade, apenas
 deixando claro que nem todo mundo tem boas inten��es e vai
 criar programas e patches seguros de gra�a..."

 Mais do que um elogio, a frase � um ataque a um dos pilares
 ideol�gicos da comunidade livre, o trabalho cooperativo.
 Procurando minar essa id�ia, ele ainda cita a participa��o de
 grandes empresas como a IBM e a Oracle em projetos de c�digo
 aberto como um sinal de que o trabalho cooperativo dos
 programadores poderia ser apropriado indevidamente por alguns
 setores. Empresas desse porte n�o ofereceriam nada "gr�tis"
 nem "aberto". Oliveira tenta usar a imagem negativa de parte
 da comunidade livre das grandes empresas contra a pr�pria comunidade.

(continua)


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