> O neg�cio � mais complicado - imagine o professor <sarcasmo>consciente com
> seus deveres com os alunos e com a universidade</sarcasmo> e que aprova uma
> turma inteira mesmo com alguns elementos da turma que mal aprenderam a andar
> sobre as duas pernas traseiras. O professor que der uma disciplina que
> depende da primeira pode se deparar com uma turma n�o s� mal-preparada mas
> acreditando que sabe, e acabar reprovando mais da metade. Hem ? O qu� ? N�o,
> o caso n�o foi hipot�tico.. aconteceu. E comigo.

E comigo tamb�m; n�o � dif�cil reprovar mais de 40% em cadeiras como 
linguagem C e Estrutura de Dados quando o pessoal mal sabe o que � um 
algoritmo. O problema aparece porque o pessoal vai "sendo passado" pela 
institui��o s� porque pega mal reprovar mais da metade da turma.

O problema come�a na sele��o feita pelo vestibular, que � rid�culo na 
maioria das faculdades particulares (vide o caso que apareceu na Globo 
sobre um analfabeto que chutou as respostas e passou). A diferen�a em 
rela��o �s Universidades P�blicas � justamente a� pois o que se estuda � 
basicamente o mesmo e muitas vezes as particulares s�o mais bem 
aparelhadas em termos de laborat�rios (especialmente os de inform�tica). 
Estudar � noite j� cansado de um dia inteiro de trabalho tamb�m 
contribui para a m� qualidade de muitos cursos noturnos, que s�o a maior 
atra��o das particulares.

J� estudei em tudo o que � tipo de institui��o: primeiro grau em escola 
particular cat�lica, segundo grau em escola t�cnica federal, terceiro 
grau em um instituto militar de engenharia e p�s em universidade 
federal, al�m de j� ter dado aulas em v�rias universidades particulares 
noturnas. O IME, onde fiz engenharia e leciono atualmente, sempre teve 
altos conceitos justamente pelo dif�cil vestibular e a elevada cobran�a 
durante o curso: l� simplesmente n�o h� repet�ncia de mat�rias; quem n�o 
passa est� fora (ainda h� uma �nica chance de trancamento do curso, mas 
o aluno perde o ano letivo).

Nem todo mundo tem condi��es de fazer um curso superior infelizmente. � 
duro admitir isso e a sou��o � uma melhor educa��o b�sica e ser duro 
(mas justo) quando for preciso. O Brasil precisa � de gente qualificada, 
n�o "clicadores de bot�o".

> E agora a parte interessante: estudei algum tempo no Jap�o. O lab s� usava
> sistemas operacionais com m�quinas Unix "padr�o" (SunOS, na �poca, e um SP2
> com AIX). Em um lab com, sei l�, 45 m�quinas variad�ssimas tinha *uma*
> m�quina com Win 3.1 na �poca- porque EU, inadvertidamente, pedi para o lab.
> Pouco tempo depois, estava desenvolvendo para SunOS e larguei a m�quina com
> W3.1, que virou a m�quina dos jogos do lab ;-)

O lugar onde j� vi o maior n�mero de m�quinas Unix e Linux � justamente 
a UFRJ, uma universidade p�blica. Nas particulares onde lecionei s� via 
Ruindows e os administradores s� viviam arrancando cabelos por causa de 
v�rus, vandalismos de alunos e controlando licen�as de vers�es antigas 
de compiladores, M$-Offices, etc (quando n�o havia c�pias piratas).

Quando fui lecionar Sistemas Operacionais em uma delas eu tive que doar 
um CD de linux para que os estagi�rios montassem um laborat�rio linux (e 
mesmo assim em dual-boot) para que os alunos pudessem ver um Unix-like 
pelo menos uma vez na vida (o curso, que estava no ter�o inicial, s� 
iria ter cadeiras de programa��o em ambiente Ruindows). Quando mostrei 
que eu podia compilar um programa em C no linux houve alunos que ficaram 
espantados. Eles n�o conseguiam entender tamb�m como um compilador "n�o 
gr�fico" (no entender deles) como o gcc podia gerar programas gr�ficos.

Outra id�ia que pareceu m�gica para eles foi uma demonstra��o de 
exporta��o de display de uma m�quina linux para um servidor X rodando em 
uma m�quina Windows. E olha que havia muitos alunos interessados e que 
"trabalhavam com inform�tica" (leia-se com Ruindows e todas as 
tranqueiras M$).

> Em tempo, a universidade era federal ou coisa parecida, e paga. N�o defendo
> isso, mas l� funciona. Por aqui, enquanto a gente insistir em software "que
> o mercado usa", vai haver pirataria, retalia��es e exclus�o digital.

Tem muita gente que defende o pagamento nas universidades p�blicas 
alegando que os seus alunos s�o oriundos de fam�lias abastadas e que, 
portanto, poderiam pagar e estariam retirando as vagas dos mais pobres.

Eu sou contra este argumento. Acho que devem passar os melhores sempre e 
a gratuidade � relativa at� porque os pais destes "abastados" pagam (ou 
deveriam pagar) impostos e a educa��o � dever do Estado. O que o Governo 
deve � melhorar o ensino b�sico para dar mais oportunidade a todos.

Se o ensino fosse pago como nos EUA eu nunca teria tido oportunidade de 
me formar como filho de imigrantes portugueses pobres e semi-analfabetos...




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