On Wed, 19 Sep 2001 21:25:35 -0300
Edgard Lemos <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Todos os padr�es acima s�o livres. 
> 
> Dom�nio p�blico = livre para uso p�blico, portanto livre.

Errado. S�o padr�es abertos. O conceito de livre segundo a FSF s� vale na cabe�a de 
Stallman e de quem aceita a defini��o dele. Para todo o resto, continuam sendo padr�es 
e software abertos, como sempre. 

Vc pode produzir padr�es abertos de dominio publico perfeitamente sem disponibilizar 
c�digo fonte. Por exemplo: a Sun tem v�rios padr�es abertos definidos em RFCs e v�rios 
compendios de computa��o mesmo n�o disponibilizando sequer uma linha de c�digo da 
implementa��o. Exemplos? RPC, NIS, NFS...

Entenda que sistemas abertos e c�digo fonte fechado nao sao mutualmente exclusivos. S� 
na id�ia da FSF � que existe essa anormalidade. 

A posicao da FSF em relacao a esse conceito � claramente tendenciosa. Seria legal que 
uma institui��o neutra como a ACM fizesse essa definicao, ou que algu�m escrevesse uma 
RFC de sistemas abertos.


> > Linguagens de programa��o: muitas para citar aqui, tomemos as mais
> > usadas: VB - Microsoft Corporation - Propriet�ria.
> 
> Que eu saiba VB � um ambiente IDE/RAD para gerar c�digo em Basic. 

O Basic usado no VB tem muito pouco do BASIC cl�ssico al�m da sintaxe. O anterior era 
sequencial, enquanto este � orientado a eventos. Tem tamb�m v�rias adi��es � linguagem 
como tratamento de erros, suporte a asser��es, mais tipos de dados. Tem tamb�m uns 
rudimentos de orienta��o a objeto na vers�o 6 que dizem que foi bastante melhorado no 
VB.net. Parece que at� tiraram a aberra��o do GOSUB :). H� uns meses arranjei uns cds 
dos Visual Studio.net beta, mas s� prestei aten��o no compilador C#.  oltando ao 
assunto: creio que possa ser encarado como uma nova linguagem, pois na minha opiniao 
VB est� para o BASIC assim como Perl est� para awk.

> > Java - Sun Microsystems - Propriet�ria
> 
> N�o basta s� um editor de textos para produzir software em java?

N�o. Vc precisa de um compilador e uma m�quina virtual (nome bonito para interpretador 
de bytecodes). A linguagem Java(tm), sua implementacao original e suas variantes mais 
usadas sao altamente propriet�rias. Mas vc pode escrever sua propria implementa��o, 
contanto que nao a chame de, nem diga que � totalmente compat�vel com Java. 
 
> A comunidade de software livre n�o � a que usa GPL, � a que usa 
> sofware livre.
> 
> Nem todo software livre � GPL.

Repetindo: o conceito de "software livre", das condicoes para ser software livre e das 
licencas que sao software livre foi criado pela FSF e *NAO* � unanimemente endossado, 
ent�o vc s� pode por isso como argumento de discussao se n�s estivessemos em consenso 
a respeito da autoridade da FSF nesse sentido. No meu entender, vc s� pode criar e 
alterar nomenclatura de coisas q vc produz. A unica licen�a que ela produziu foram a 
GPL/LGPL, ent�o s� faz sentido para ela pegar um balaio de licen�as e fazer a SUA 
definicao expressao da verdade. � como o caso do Stallman chamar o Linux de GNU/Linux. 
P*rra, ele nao escreveu o programa, quem � ele pra decidir como se chama? Al�m do 
mais, o topico da thread � "O que RMS pensa da propriedade intelectual", nao vamos 
sair dele. 

E se tudo isso que eu te disse nao convenceu, tente pregar "software livre" e GNU em 
listas de BSD, Sun ou Microsoft. Mas fa�a isso com roupa de amianto (/me vestindo seu 
capote corta-fogo ;)

 
> Eu n�o estou pregando o fim do software propriet�rio. � l�cito produzir 
> e comercializar licen�as de software propriet�rio. Mas a verdade sobre 
> a din�mica do software propriet�rio deve ser esclarecida.

Nem eu estou pregando o fim do software GPL. Mas a verdade sobre o quanto essa licen�a 
pode ser prejudicial para quem produz software tem que ser esclarecida. Eu tenho 
consci�ncia de que minha opiniao � extremamente impopular, pelo simples fato de que 
existem mais usu�rios do que programadores. 

Mas, voltando ao t�pico da thread: o que eu e vc pensamos nao faz absolutamente a 
menor diferen�a, est� sendo discutido aqui o que RMS e a FSF pensam.

> > Putz! Dia desses um conhecido teve que refazer parte do software dele
> > pq descobriu que a libreadline era GPL! Daqui a pouco n�s vamos ter
> > que programar com um advogado do lado para nao correr o risco de ter
> > seu trabalho liberado ao publico mais tarde. Isso � um problema que
> > n�o existia antes.
> 
> E se o c�digo da biblioteca fosse propriet�rio? N�o seria tamb�m 
> necess�rio refazer o c�digo?

N�o. Esse � o problema: a maioria das licen�as de toolkits, compiladores e ferramentas 
de desenvolvimento propriet�rios de at� algum tempo atr�s n�o faziam restri��es em 
rela��o a distribuicao final do c�digo. Exemplos: DirectX, MFC, Motif, VCL... A GPL � 
das poucas licen�as do mundo que permitem arbitrariedades como o simples fato de eu 
passar meu c�digo por um parser l�xico antes da compila��o o tornar automaticamente 
GPL. O caso que citei da readline � que o fato de vc usar uma �nica fun��o para 
acessar uma biblioteca dinamicamente linkada cujo c�digo nao vai ser incluido nem 
distribuido no software em questao torna TODO o produto final GPL. Ok ok, resposta 
f�cil: nao use. Mas e quando 99% das ferramentas de desenvolvimento dispon�veis est�o 
licenciadas sob esses contratos obscuros, sujeitos a 'revisoes' do tipo a que 
aconteceu com o ipf no OpenBSD ou a uma subsequente vers�o da GPL que deus sabe o que 
ter� escrito? 

Ent�o, desenvolver para Linux � uma aventura: vc nunca sabe se aquele utilitariozinho 
de linha de comando vai ter alguma influencia na licen�a do seu c�digo a n�o ser q vc 
tenha tempo para ler a legalese digital de pilhas e pilhas de software. Se vc nao tem 
dinheiro para pagar sua defesa, boa sorte.

At� isso a Microsoft copia: antes um bom peda�o do c�digo que ela disponibilizava nos 
SDKs era de dominio publico. Agora a licen�a do FrontPage nao permite que vc crie um 
site falando mal da Microsoft, o SDK pra WinCE nao te deixa escrever software 
aberto...  Lamento, lamento muito a inform�tica ter se tornado o para�so dos 
advogados. =(

> Voc� est� dizendo que a GPL � ruim porque impede a pirataria? � isso?

N�o. Pq impede que eu distribua meu software como quiser.

> O DOJ disse que a Microsoft, uma empresa, usou o IE, um produto, para 
> sufocar um concorrente, a Netscape.

Ent�o quer dizer que software "livre" s�o id�ias, mas software propriet�rio � um 
produto? N�o sabia que na justa e igualit�ria comunidade Linux existiam dois pesos e 
duas medidas.

> Agora responda esta pergunta:
> 
> Que empresa �nica usou um produto completo e acabado chamado "Software 
> Livre" para sufocar um concorrente e manter seu monop�lio?

Que tal a Dell e a IBM sufocando os fabricantes de hardware menores tipo VA e Penguin 
Computing com o unico diferencial que eles tinham: vendendo Linux e suporte? Certo, 
n�o � monop�lio. Mas em tempos de fusao da HP+Compaq quem garante que daqui a dez anos 
nao teremos s� um ou dois imensos fabricantes de hardware disputando um unico 
monopolio do suporte? Nossa, eu j� delineei esse cen�rio umas 4 vezes nessa lista. D� 
uma lida no hist�rico.  

> O software livre, junto com a Internet,  at� hoje s� promoveu o 
> desenvolvimento do mercado de inform�tica, permitiu avan�os que 
> beneficiaram a todos os usu�rios, e a ind�stria de software 
> propriet�rio foi uma das que mais se beneficiou monterariamente dele.

Eu sou um t�cnico, dou valor ao aspecto t�cnico/acad�mico da coisa. Eu sinceramente, 
estou para ver algum desenvolvimento significativo da inform�tica devido a software 
livre. O compilador da FSF � revolucion�rio? N�o, nao �. A biblioteca de funcoes C, �? 
Tamb�m nao. O Linux, �? Nao. E os ambientes gr�ficos? Tampouco.  

Agora, se vc come�ar a falar de software e padroes ABERTOS, a� a coisa j� muda de 
figura!

> Voc� acha que para uma sociedade que precisa se educar e ter o m�ximo 
> de acesso � informa��o e tecnologia, tal movimento � justific�vel?

Eu acho que para manter o valor de quem produz informa��o isso � perfeitamente 
justific�vel. O que est� se vendo aqui � a completa invers�o de valores, onde o valor 
de quem tem conhecimento desapareceu, e quem produz � discriminado por quem usa, em 
nome de uma "liberdade" que est� patente que s� gera preju�zo.

> Onde fica a igualdade de oportunidade para todos a qual prega a 
> democracia?

Como pode haver igualdade de oportunidade se o feirante da banca do lado d� a batata e 
o feij�o de gra�a?
 
> Como poderemos ter um capitalismo saud�vel sem democracia?

Como poderemos ter um capitalismo saud�vel sem lucro?
Como poderemos ter um capitalismo saud�vel sem produ��o?
Como poderemos ter um capitalismo saud�vel sem fluxo de capital? 
Como poderemos ter um capitalismo saud�vel quando a engenharia est� sendo deixada de 
lado em nome de uma ideologia neohippie? 

> Mas isso n�o acontece com o conhecimento. 
> 
> Se eu mostrar para voc� um scriptizinho para limpar o cache do browser 
> ao sair do programa, o conhecimento que voc� adquiriu de mim n�o ser� 
> subtra�do da minha cabe�a.

Isso � perfeitamente v�lido quando o conhecimento em quest�o n�o custou nada para ser 
produzido. Quando os neur�nios come�am a morrer sob a a��o da cafe�na, v� que gastou 
mais com livros do que com comida e acorda �s 21:00 para almo�ar �s 03:00 algu�m tem 
que perceber que todo esse esfor�o n�o pode sair de gra�a.

Mas eu n�o espero que vc me entenda agora, n�o enquanto n�o tomar consci�ncia do 
verdadeiro trabalho de H�rcules que � produzir software.

Thiago

-- 
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