Em seg, 02 jul 2001, Kiss The Blade escreveu:
> At 21:31 30/6/2001 -0300, Edgard Lemos wrote:
> >Depois decidiu pelo microkernel baseado no Mach. S� que o microkernel �
> >dif�cil de debugar (segundo Stallman), o que atrasou ainda mais sua conclus�o.
> >Richard Stallman reconheceu seu erro na sua palestra dada na Universidade de
> >Nova Iorque, traduzida para o portugu�s (cujo trecho reproduzi no final desta
> >mensagem) em http://www.fsf.org/events/rms-nyu-2001-transcript.pt.txt.
>
> Nao acho que a raz�o tenha sido essa, e sim falta de interesse mesmo. Pq
> senao, como uma empresa sem tradicao de Unix como a Apple conseguiu criar
> um sistema operacional usavel no topo do Mach em dois anos (nao que a
> implementacao da Apple tenha sido perfeita)? O Mach � tao simples que est�
> sendo programado at� por garotos do colegial (www.xmach.org).
Segundo Stallman, no final da d�cada de 80, o Mach estava escrito da "metade
para baixo", provavelmente a parte que fica em maior contato com o hardware,
faltava escrever a parte dos servi�os.
� bem poss�vel que passado dez anos, o mach esteja bem desenvolvido e
devidamente debugado a ponto de colegiais e a Apple o usarem com facilidade.
De qualquer forma, o erro de Stallman de n�o produzir um kernel para o GNU,
abriu espa�o para que as pessoas encaixassem o Linux no lugar, agregando as
ferramentas do GNU.
Se foi por pregui�a, falta de vontade, dificuldade, diarr�ia, n�o importa. O
que importa � que Stallman n�o produziu um kernel us�vel para seu sistema GNU.
> >Se ele tivesse come�ado o kernel em paralelo, talvez tiv�ssemos Linux com
> >microkernel hoje.
>
> Nao teria. E nao seria Linux :). Leia abaixo.
Por que n�o teria? Se ele tivesse projetado um microkernel desde o come�o
talvez o tivesse pronto em 1991, quando Linus apresentou seu kernel monol�tico.
E � evidente que n�o se chamaria Linux, porque o Linus estaria fora da jogada.
> >Mas n�o vejo por que o Linux n�o possa incorporar essas tecnologias hoje em
> >dia. J� temos um kernel que funciona, e muito bem, n�o temos nada a perder em
> >desenvolver outro kernel compat�vel que incorpore tecnologias mais modernas.
>
> Imposs�vel. Um verdadeiro sistema operacional microkernel trabalha com um
> modelo bem diferente: o de servi�os, camadas e nucleo.
Como imposs�vel? E se Linus tivesse se decidido pelo microkernel?
O fato � que em muitos casos n�o importa a melhor tecnologia. Importa o senso
de oportunidade e empreendimento.
Linus teve esse senso e empreendeu uma iniciativa que ningu�m teve. A
tecnologia, se era boa ou ruim, ficou em segundo plano.
Corta.
> � um paradigma que � virtualmente _imposs�vel_ de ser implementado em
> Linux, pois para isso seria necess�rio reescrever TODO o core, TODO o
> sistema de drivers, TODA a parte de threading, TODO o stack tcp/ip, TODO o
> codigo de gerenciamento de memoria. Entendeu Edgard? O Linux NUNCA vai
> conseguir fazer isso sem jogar todo o trabalho desenvolvido at� hoje no
> lixo. � como querer fazer um Boeing 747 com pe�as de Ford T.
O Boeing 747 deve tudo ao Ford T. Foi o Ford T que deu impulso � produ��o de
linhas de montagem industriais.
E qual � o problema de reescrever o kernel todo de novo?
� o que eu disse na outra mensagem: n�s j� temos um kernel que funciona muito
bem.
Enquanto este est� servindo bem, poderemos em paralelo rescrever outro
microkernel multifilamentado sossegadamente, j� que n�o teremos press�o
nenhuma para que possa p�r todo o sistema em funcionamento.
Al�m do que, porque n�o aproveitar o mach, por exemplo?
Voc� n�o precisa jogar fora o que tem s� porque vai desenvolver algo novo.
Este novo kernel poder� ser compat�vel com as aplica��es presentes ao mesmo
tempo em que apresenta novos recursos e nova tecnologia.
Estamos cansados de ver isso em toda a engenharia por d�cadas, em software
hardware, you name it.
Com Linux n�o ser� diferente.
> De onde eu tiro que foi mais uma quest�o de falta de familiaridade dos
> desenvolvedore scom esse paradigma. A id�ia de Tanembaum era MUITO moderna,
> e somente g�nios como ele mesmo ou empresas como a Sun, Digital, Silicon
> Graphics e outras investiram nesse paradigma, j� que tinham dinheiro para
> gastar e nao estavam trabalhando em suas horas vagas, para realmente
> inovar. A prova maior disso � que s� hoje, dez anos depois, o hurd
> conseguiu ter PPP funcionando. Sim, PPP.
Bem, se o Linux chegou at� aqui nas horas vagas. Imagine agora que ele tem
patrocinadores bilhon�rios que trabalham das 9:00 �s 17:00?
Fico imaginando por que tais g�nios e empresas t�o endinheiradas assim n�o
conseguiram chegar ao n�vel de popularidade, liberdade e versatilidade que o
Linux atingiu em t�o pouco tempo!!!
Isso ainda vai virar uma tese.
[]s
--
Edgard Lemos
[EMAIL PROTECTED]
Usu�rio Linux n� 135479
Assinantes em 03/07/2001: 2263
Mensagens recebidas desde 07/01/1999: 121108
Historico e [des]cadastramento: http://linux-br.conectiva.com.br
Assuntos administrativos e problemas com a lista:
mailto:[EMAIL PROTECTED]