On Fri, 11 May 2001, Edgard Lemos wrote:


[ continuando... :) ]
[ vou ter que dobrar a "penit�ncia"! :) ]

Fri, 11 May 2001, Edgard Lemos wrote:

> J� se comenta h� alguns anos que o provimento de acesso � Internet
> tende naturalmente para as companhias telef�nicas. Elas t�m os
> cabos, o backbone, t�m centrais espalhadas por uma �rea extensa,
> entram na casa dos usu�rios, j� amortizaram seus custos por d�cadas,
> oferecem um monte de seri�os via linha telef�nica, ent�o por que n�o
> oferecer mais um, o acesso � Internet?


Imagine daqui � 4 anos.  Pr� que a empresa de telefonia vai investir
mais em Internet se n�o h� concorrente?

Lembra-se dos provedores h� 6 anos atras?  Aumentavam as linhas, e
nada de aumentar o link.  S� a CONCORR�NCIA garantia um pouco mais de
equil�brio.

E como voc� vai lidar com uma empresa que controla tudo e n�o tem
concorrente?  Ou que pode manter os pre�os em um n�vel que dificulta a
entrada de outras alternativas?

Agora estamos num momento muito peculiar: a Telef�nica investindo, com
tecnologia nova, com pre�os promocionais, com link muito bom para
conquistar clientes e vencer a concorr�ncia.

Quem GARANTE que isso continua assim?  O contrato com o speedy te
oferece s� 10% do nominal, o terreno j� est� preparado... :(

Resta portanto s� a press�o da concorr�ncia.  Tire isso e teremos uma
situa��o lament�vel.

E a extens�o dos danos poder� ser maior do que o aceit�vel.  Ser� que
as empresas de telefonia v�o permitir que voz sobre IP se desenvolva?
Ser� que permitir� que tecnologias "vorazes" em link se desenvolvam?
Ser� que ter�o interesse em novas tecnologias como IPv6 e stream
protocol?  Ser� que n�o v�o mudar a tarifa��o e cobrar por tr�fego?
Ser� que n�o v�o colocar transparent-proxys que quebram aplica��es?

Eu sou de opini�o que as empresas de telefonia devem ficar o mais
longe poss�vel da "atividade fim" da comunica��o de dados, deveriam
ser apenas prestadoras de link digital "bit-stream", sem saber do
protocolo em uso, fornecendo o link entre dois pontos quaisquer: entra
um bit de um lado, chega no outro lado.

Isso permitiria flexibilidade, op��es, novas tecnologias, novos
servi�os.

Possivelmente poderiamos at� quebrar com esse conceito de empresa de
telefonia que cuida de tudo.  Poderiamos criar um conceito de empresas
que alugam "pares met�licos", indo de um local � outro, em todas as
dire��es dentro de uma regi�o, empresas menores cuidando de locais
menores.

Seriam empresas que receberiam a concess�o para verder o chamado "the
last mile".  Elas n�o tem que saber muito sobre o que circula "pelos
cobres", venderiam alguns padr�es: conex�o para linha anal�gica,
conex�o para link digital do tipo X, conex�o para link digital do tipo
Y.

E qualquer empresa poderia criar suas centrais telef�nicas em cada
regi�o, conectar suas centrais da forma mais conveniente, e vender
servi�os de todo tipo.

Isso � pura elocubra��o da minha parte, mas eu entendo que � "nessa
dire��o" que as coisas se tornar�o mais ricas e vers�teis em termos de
possibilidades.

N�o foi de outra maneira que a Internet se tornou a rede que � hoje.
Se existisse uma AT&T mundial estariamos pagando fortunas pelo
servi�o.

Eu acho que num primeiro momento as empresas de telefonia v�o fornecer
um bom servi�o de Internet, como est�o fornecendo um bom servi�o de
ISDN e ADSL, mas aumente o poder das empresas e diminua o poder dos
clientes, e todos sabemos onde isso acaba.

Que tal amanh� a sua empresa de telefonia criar uma parceria com a MS
e n�o fornecer mais o servi�o se voc� n�o tiver o MS-XYZ instalado?

Que voc� acha da Telef�nica querendo determinar quantos computadores
voc� pode ter ligado num ADSL?

Existindo a possibilidade, voc� ainda tem alguma d�vida que isso n�o
vai acontecer?

A Global One fazia (ou faz) isso: ou voc� tem roteador Cisco ou n�o
prestam o servi�o! :(


> Algumas empresas de telefonia j� oferecem o provedor virtual para as
> empresas.
> Funciona assim: eu quero ser provedor, mas tenho pouca grana. Ent�o
> chamo a Intelig ou a Embratel. Por uma "m�dica" quantia mensal elas
> disponibilizam um n�mero nacional que eu divulgo para meus
> clientes. Ao ligarem para esse n�mero, eles caem no backbone da
> Internet. Tcharam!!!! Eu posso cobrar dos clientes pelo acesso e as
> companhias telef�nicas ganham dos dois lados: de mim e dos usu�rios
> que v�o usar suas linhas.


Isso funciona h� pelo menos 6 anos.  Que eu me lembre, a Mandic foi um
dos primeiros a usar este servi�o.

Veja que isso est� muito pr�ximo do conceito de link digital fornecido
pela empresa de telefonia, sem "saber" (ou controlar) o que passa como
conte�do.

Era um servi�o caro, e acho que ainda est� na faixa dos R$2,5/h.  Ser�
que tem algum provedor sobrevive com isso? :)


> Ou seja, aquele provedor que vendia o simples acesso e
> disponiblizava um servidorzinho POP est� "muerto, Se�or". A n�o ser
> fora dos grandes centros.

E o pre�o do servi�o n�o cai: seu cliente paga 2,5/h, e n�o vai cair
NUNCA essa tarifa (a GlobalOne n�o informa pre�os na HP).  Agora, que
est�mulo a tele ter� em aumentar ou baratear um servi�o que concorre
com outro, seu, que rende muito mais?  E a� as empresas de backbone
est�o "muertas, Se�or".

A Telesp tinha modem 1200/75 para o Videotexto, quando 28.800 j�
estava consagrado h� mais de dois anos.  A Telef�nica vende HOJE link
digital de 14400 usando 2 pares, sendo que somente 1 par � usado, e
dentro do "Modem Telesp-Telef�nica" / Elebra tem uma porcaria dum
chipset rockwell de quase 10 anos de idade, e isso por algo em torno
de R$200/m�s.  J� foi R$400,00, que consolo... :(


> > A telef�nica est� usando e abusando de seu monop�lio em sampa.  A
> > cidade est� sendo cortada por valas onde est�o enterrando tubos de
> > pl�stico �cos.  Isso para se preparar para fornecer links de fibra
> > �tica.

> U�? Isso n�o � bom? Melhor que uma companhia que n�o se mexe, como
> era a antiga Telesp.

N�o � ruim, mas � um abuso, o mesmo abuso que ela vai cometer CONTRA
os interesses dos clientes quando tiver a oportunidade.  Por que
outras empresas n�o podem fazer isso, agora, j� que s�o apenas tubos
�cos?


> O abuso de seu monop�lio virtual pode acontecer em outro sentido:
> pelo fato de n�o se sentir amea�ada, a Telef�nica pode n�o querer se
> dignar a prestar um servi�o a contento. � tarefa da Anatel corrigir
> essa distor��o (eles � que se propuseram a isso).

S� que a Anatel s� vai corrigir o problema depois do dano feito, e a
empresa pode manter o servi�o marginalmente aceit�vel.

Felizmente hoje as possibilidades de conex�o para acesso � Internet
s�o grandes, tendem a aumentar em termos de oferta e em velocidade.

Essa �, no meu entender, a �nica press�o que a "provedora Telef�nica"
vai ter para p�-la nos eixos, sem necessidade de interven��o da
Anatel.

A Embratel j� foi a �NICA fornecedora de backbone no Brasil.  Fui
cliente da Embratel, todos foram, indiretamente, e n�o deu outra:
venderam links muito al�m do razo�vel, compraram links internacionais
muito abaixo do aceit�vel, o link S�o Paulo/Rio caia v�rias vezes,
cidades do Interior sofriam "apag�es" de acesso, ...

Entregar o link+backbone para uma �nica empresa � recriar monop�lio.

E ainda existe monop�lio da Embratel para comunica��o via sat�lite. :(

A quest�o � complexa.  Provedores de acesso n�o s�o mais
economicamente vi�veis se n�o em larga escala ou servi�os
diferenciados (o que as permetua como nanicas).  O poder de barganha e
de interesse das teles nessa �rea � grande, o poder de investimento �
enorme comparado com os demais agentes, e as garantias de retorno s�o
maiores.

Mas tenho plena ci�ncia que entregar o controle do acesso + provimento
para as teles � dar tiro no p�!  Posso estar errado, as alternativas
tecnol�gicas podem ser atraentes o suficiente para impedir abusos.

Mas n�o tenho d�vidas que se isso acontecesse n�o demoraria muito para
que modems externos deixassem de ser fornecidos, que somente alguns
SOs poderiam ter o driver para esse modem, que MP3 e v�deo s� poderiam
circular se tivessem marcas de copyrigth ou controle de c�pia, que voz
e telefonia sobre IP deixaria de existir ou seria sobretaxado, que a
tarifa mudaria para "por tr�fego", que restri��es ainda maiores quanto
a portas, protocolos e n�meros de conex�es simult�neas aumentariam, ou
seriam sobretaxadas, e todo tipo de sacanagem que podemos imaginar.

Isso n�o � pessimismo, � a natureza do capitalismo.

Acho que o �nico impedimento que leva as teles a optar por modem
externo � que assim elas se livram de problemas com a m�quina, com SO,
e com programas instalados no cliente. :)

O que o pessoal revoltado com as limita��es de acesso do speedy home
conseguiu?  Procom, protestos, ajudaram em algo?  E a hora que a taxa
nominal s� for alcan�ada efetivamente �s 3h da manh�?  Sabe o que o
Procom vai falar pra voc�? T� no contrato! :(  E na hora que n�o
existir alternativa, a empresa n�o anunciar� mais o speedy, de forma
que nem argumento de propaganda enganosa poder� ser usado.


Veja o que as teles fazem HOJE (link dedicado X ADSL), com a desculpa
de manter o absurdo j� era praticado pelas teles estatais
monopolistas.



--- Wagner                      [EMAIL PROTECTED]


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