Bem, pessoal, estou compartilhando com vocês minha experiência de dois dias como utilizador do IBM Lotus Symphony, um conjunto de aplicativos de escritório desenvolvido pela Big Blue a partir do OpenOffice.org 1.1.5 que tem sido propalado como "a" tentativa da IBM de voltar ao mercado de software para computadores pessoais.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o Lotus Symphony não é "free software", mas software proprietário, de código fechadíssimo e sujeito a uma licença de uso muitíssimo restrita. Só que ele agora é freeware e vem empacotado para o Ubuntu Hardy Heron 8.04 LTS -- razão pela qual me animei a testá-lo, já que praticamente ninguém o fez para contar a história. O tamanho do download assusta. Os arquivos básicos têm 175 MB e a localização em português do Brasil, que inclui alguns templates, os arquivos de ajuda e a tradução da interface, são outros 100 MB!!!! Terminado o download, a instalação pode ser feita via gdebi-gtk, o que é um conforto. Todas as dependências estavam satisfeitas no meu sistema e eu desconfio que isto é porque a IBM empacotou tudo que precisava, recorrendo a muito poucas bibliotecas compartilhadas (daí o tamanho do download). Durante a instalação eu percebi que o Lotus Symphony, aparentemente, é todo escrito em Java utilizando o ambiente de desenvolvimento Eclipse. Para um programa tão grande e complexo escrito em Java ele roda muito rápido (mas isso não quer dizer que ele rode rápido, me entendam). Dentro da pasta /opt/ibm/lotus/symphony/framework tudo que você vê é uma árvore de diretórios do eclipse cheia de JARs e outros arquivos variados. Aparentemente, o Symphony inclui seu próprio ambiente java e uma distribuição do Jakarta. O que vem no pacote? Muito pouco para um programa que pretende revolucionar o mundo do software e trazer de volta do mundo dos mortos a Big Blue. Um editor de textos de interface agradável, algo semelhante à do MS Office 2007, um editor de apresentações de interface sensivelmente mais simples que o OO Impress ou o Power Point e uma planilha, que quase não cheguei a usar. Junto com ele não vem nenhum modelo de documento e apenas as fontes TrueType Monotype Sans WT, Monotype Sans WT Duospace e Thorndale Duospace WT. A última é bastante interessante, pois embora seja monoespaçada, ela tem uma elegância que a torna bem leve para ler. Gostaria de usá-la em algum livro. Por padrão (algo que eu positivamente não gostei) o Symphony seqüestrou para si a associação dos arquivos .sx* e .od*. A interface do Lotus Symphony é bastante confusa para mim, que nunca usei MS Office. Acreditem, pessoas, meu primeiro aplicativo de escritório foi o StarOffice e depois migrei para o OpenOffice 1.0 e nunca mais usei coisa alguma, nem mesmo consegui usar Abiword+Gnumeric e nem KOffice -- embora tenha tentado. Pelo que percebi, no entanto, ela não é exatamente "semelhante à do MS Office 2007", o que pode significar que ela será difícil para quem vem do ambiente Windows + Office também. Vamos agora a uma lista objetiva e resumida de prós (>) e contras (<): > O Symphony usa uma interface MDI do tipo com abas, o que é muito legal se você está trabalhando com vários textos simultaneamente. +1000 pontos por isso. > integra o gtk-mozembed na mesma janela do aplicativo, permitindo que você copie e cole de uma página da Web ou que passe a editá-la. +300 pontos por isso. > Pela mesma razão fica mais fácil você trabalhar em um documetno enquanto navega na Web. Esta feature é muito legal para mim especificamente. + 200 pontos < infelizmente ele não permite salvar de volta a página através da rede. -100 pontos. < o programa travou comigo várias vezes, mesmo sendo uma versão chamada de "estável" (1.2). Em nenhuma das vezes ele salvou os arquivos, como o OpenOffice faz. -1200 pontos. < A renderização de fontes é um problema sério para um programa proprietário e tão cheio de segredos. A qualidade das fontes é sofrível, mesmo em comparação com o OpenOffice3 que implantou hinting nativo e desabilitou anti-aliasing (duas mudanças que detestei porque fazem o texto ficar ilegível, como no Windows). Além de fontes ligeiramente borradas, o Symphony ainda deforma os caracteres das fontes em negrito, como se ele quisesse forçar as letras em negrito (que são mais "gordas") dentro da mesma caixa que as letras normais. É virtualmente inviável usar fontes em negrito no Symphony. -500 pontos. > Porém a simulação de itálico funciona tão bem que você quase não percebe que fontes bem desenhadas, como Monotype Sans ou Tahoma, na verdade não têm itálico... +100 pontos < O Symphony é significativamente mais lento que o OpenOffice3. Não o suficiente para inviabilizar o seu uso por mim, mas indicativo de que algo não vai bem com o código, que se torna mais instável à medida em que você o usa. -200 pontos. < Da primeira vez que você usa o programa ele demora quase três minutos se configurando antes de iniciar e você não tem nenhum feedback. -150 pontos. < É preciso registrar-se e concordar com uma licença absurda para fazer o Download. -100 pontos < Não é possível personalizar as cores da interface (um azul desmaiado), o que causa incompatibilidade com seu tema de desktop. -100 pontos > O Symphony possui uma Wiki e um repositório de plug-ins no site da IBM, o acesso ambos é liberado para todos que usam o programa. + 200 pontos. < Mas até o momento a quantidade de artigos e de plug-ins é insignificante. -150 pontos. < A licença das duas fontes que ele instala não é clara -- de modo que você não sabe se pode usá-las em outro programa ou mesmo se pode incorporá-las em um PDF. Meu veredito: a menos que você realmente odeie o OpenOffice, não há nenhuma razão objetivamente significativa para trocá-lo pelo Symphony. Ele é, definitivamente, um produto para os ambientes corporativos da IBM e provavelmente nunca vingará. -- Mais sobre o Ubuntu em português: http://www.ubuntu-br.org/comece Lista de discussão Ubuntu Brasil Histórico, descadastramento e outras opções: https://lists.ubuntu.com/mailman/listinfo/ubuntu-br

