Em 02/03/09, Ricardo Bánffy<[email protected]> escreveu: > Já me manifestei publicamente aqui contra a condenação também. > > Me incomodou profundamente a postura de figuras importantes no nosso > ambiente contra um valor que eu considero fundamental: o direito do > criador de poder decidir o destino de sua obra.
Viajando bem longe mesmo: seria válido então a morte do de Frankestein decretada pelo Dr Frankestein, só porque foi ele quem o criou? Veja que a vida que ali fluía não foi concebida pelos meios naturais, ou seja, antes ainda temos que questionar se aquilo é vida ou não. Então, mesmo que se declarasse que não é vida, deveria ser feita toda uma discussão antes de qualquer ação, valendo até o momento da decisão a lei atual. Eu sou a favor de que o que se cria é do criador para que ele decida o que fazer, mas mesmo isso tem limitações. No caso, acho que já a redução do tempo de vida do direito já seria uma boa. Ex: softwares terem apenas 5 anos ao invés de 50. Em 5 anos ele ainda tem utilidade para alguns e já deram bastante lucro para a empresa criadora, e a empresa que se vire para criar novas versões e manter sua lucratividade sobre as novas versões. Isso sim seria uma lei mais justa, sem necessariamente ter que eliminar o direito autoral como o conhecemos hoje, apenas reduzir seu tempo de vida. Vejam que com isso, Windows XP ainda seria válido mas já poderia ser copiado indiscriminadamente. Com música e outras obras de cunho artístico, reduzir para 10 anos também ajudaria bastante. Acho que o excesso de tempo na exploração é o que mata o direito autoral, mas não o direito em si. > Copiar e distribuir em > escala planetária o que o criador prefere que não seja livremente > distribuído é errado na minha opinião, independente da interpretação > que você e mais alguns querem dar às leis que deveriam proteger esse > direito fundamental do criador. +1, isso não quer dizer que a lei esteja 100% correta, mas ela não está 100% errada, só precisa de um "tuning" (botar um fumê, rebaixar, colocar um turbo, nitro...) > Copiar para um amigo como um presente, > o gesto de apresentar a beleza a outra pessoa, é uma coisa, mas para > 30, 300 ou 3000 pessoas que eu nunca vi nem nunca vou ver, é > diferente. Você se recusa a entender isso. Quando a lei foi feita, ela previa justamente o presente ao amigo, e ainda com o conhecimento que a tecnologia da época não permitir uma reprodução 100% fiel, ou seja, se seu amigo tirasse cópia da cópia, havia sempre um fator de degradação na cópia (k7 para k7 para k7 para k7, chega uma hora que é só chiado, xérox para xérox para xérox para xérox, chega uma hora que é só um borrão). Ou seja, o próprio meio impunha limitações na quantidade de cópias que se fariam. Com a mídia digital isso não acontece, não há degradação de MP3, a menos que você fique gerando mp3 de mp3 de mp3, mas a geração do primeiro mp3 leva a cópia a que não seja necessário gerar outro mp3, ou seja, sem degradação. É aí que bate o desespero de gravadoras... Aliás, notem que o pessoal que é filmado no teatro e colocado no Youtube sem seu consentimento, quase ninguém reclama (só a Cicarelli, mas quem mandou ser sapeca em público?). Ou seja, não é um problema diretamente ligado ao artista, mas realmente apenas com as gravadoras. > É sim uma postura ideológica, "legalista" como você disse em outra > mensagem. Se ser legalista é ofensa para alguns, não o é pra mim. Eu > gosto bastante de leis. Elas nos ajudam a sobreviver uns aos outros. ;-) > Elas podem estar erradas, mas, felizmente, há > outras leis que dizem exatamente o que precisamos fazer para mudar as > leis erradas. Concordo. Se não houvessem os meios legais para isso, aí a coisa realmente deveria ir para a desobediência civil, mas o que vejo aqui é que estão só descumprindo a lei, sem sequer ter seguido os mecanismos legais uma vez sequer. Isso não é desobediência civil, é puramente querer viver em anarquismo. > É importante cuidar bem delas, para que não sejam > subvertidas e virem variantes da Lei de Gérson. Gosto das leis até > mesmo porque, na ausência delas costuma vigorar a lei do mais forte. > Essa, junto da de Gérson, é uma das poucas que eu detesto. Que é o que quase propuseram aqui, ao querer dizer que só poderia estar na lista quem tivesse a mesma visão dos outros. Aí seria apenas uma lista de quem concorda, e não uma lista de quem discute. -- ================================= Pablo Santiago Sánchez Análise e Desenvolvimento de Sistemas Web Zend Certified Engineer #ZEND006757 [email protected] (61) 9975-0883 http://www.corephp.com.br "Quidquid latine dictum sit, altum viditur" ================================= _______________________________________________ PSL-Brasil mailing list [email protected] http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil Regras da lista: http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil
