, 2009/3/1 Fabianne Balvedi <[email protected]>
> 2009/3/1 Glauber Machado Rodrigues (Ananda) <[email protected]>: > > Os budistas têm estudado o desejo há mais de 2.500 anos, e em muitos > casos é > > falado que o desejo é eliminado através do próprio desejo: > > http:/vontade/www.acessoaoinsight.net/sutta/SNLI.15.php<http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNLI.15.php> > > existem outras tantas religiões, até mesmo pagãs, > que seguem o mesmo princípio. Porém, algumas delas > diferenciam este desejo mais "elevado" dos outros desejos, > chamando-o de Vontade. > Não estava falando da transformação de um desejo "apegado" para um desejo mais "elevado" (de se livrar do desejo), mas como o desejo pode ser mais facilmente enfrentado após o alcance do objeto desejado, da análise da experiência obtida com isso em relação às espectativas, do decaimento da satisfação e da investigação pessoal das origens desse fenômeno. Alguém que analisa suas próprias experiências dessa forma não precisa que o mundo pare de produzir objetos de desejo, nem de fugir desses objetos, nem que a imagem da satisfação desse desejo seja fiel ao que é realmente experimentado. A cessação do "compre consuma e empanturre-se" não será capaz de eliminar o surgimento do desejo, já que eles não podem estar gerando novos desejos. Eles apenas fazem a promessa de saciar desejos já existentes e bem antigos: - desejo de ser bem conceituado - de obter distinção para sua própria pessoa e realizações - de gozar de prestígio - desejo de apreciação íntima, preferencial, completa, permanente, por parte de outros - desejo de contatos e estímulos novos, diferentes e excitantes - etc, etc. Tanto faz você estimular o consumo ou não estimular, as pessoas ainda terão esses desejos que nunca serão satisfeitos a contento. Mas para perceber isso é preciso que a pessoa tenha tido a realização de alguns desejos, e que além disso, investigue de onde vem o sofrimento que a imagem da satisfação do desejo faz a promessa de por fim. A diferença de uma sociedade da "gratuidade" para uma sociedade como a nossa é que, como devido aos vários obstáculos entre nós e o objeto do nosso desejo, é quase impossível analisar se a sensação de satisfação desse desejo é ou não capaz de eliminar nosso sofrimento. Como não temos o que queremos, somos impedidos de seguir adiante, e permanecemos acreditado que a nossa infelicidade é devido a não termos o que desejamos. Quem tem o que deseja é capaz de analisar o efeito de ter o que se deseja muito mais facilmente do que quem não tem, e ver que não é isso que o faz feliz. Por isso que forçar a pobreza em alguém não faz dela uma pessoa mais desapegada e mais sábia. Lutar para ter as coisas faz parte do caminho que levará a abandonar todas essas coisas que conquistamos para então entrar no caminho certo que nos libertará do sofrimento. Também não adianta forçar que todos tenham somente o necessário, pois tudo pode ser necessário para um pessoa, e nada pode ser necessário para outra, dependendo do seu estágio de desenvolvimento. -- Glauber Machado Rodrigues PSL-MA jabber: [email protected] música livre é bem melhor: http://www.jamendo.com
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