2009/2/26 Alexandre Oliva <[email protected]>: > Entendo, temo profundamente, mas felizmente as leis vigentes não me > impedem de combater (de várias maneiras) as leis injustas. Também não > me impedem de fazer coisas que você, do alto de sua mesquinhez e de sua > ignorância sobre direito autoral, supõe ilegais.
É no mínimo imoral desfrutar de um bem cultural em condições que o seu criador proíbe. Sua argumentação se baseia no desrespeito à vontade do criador. Não espere simpatia dele. > É por isso que eu não batalho pelo copyleft e contra o copyright. Eu > batalho pela liberdade e contra o copyright abusivo, subvertido pelas > mesquinhas forças da indústria editorial, graças à ignorância, à > credulidade e à mesquinhez de um montão de gente. Abusivo do _seu_ ponto de vista, provavelmente porque é inconveniente _para você_. >>> Eu defendo as 4 liberdades para obras funcionais, como software. > >> Mas obras "disfuncionais" (como música, filmes ou livros) então não >> merecem qualquer forma de proteção? Curioso isso. > > Conclusão incorreta, que não pode ser derivada da afirmação acima, e > preemptivamente negada pelo afirmação que se seguia, que você omitiu na > resposta. Então pare de apoiar o desrespeito ao copyright de trabalhos artísticos. >>> Ou seja, as liberdades que defendo e a filosofia que eu defendo não têm >>> a ver com direito autoral, como você parece supor. > >> Sem direito autoral, a GPL, por exemplo, não tem dentes. > > E daí? > > Deve ser a quarta vez, só nesta thread, que eu tento explicar que a GPL > não é a filosofia de Software Livre. Você está profundamente confuso > sobre o que essa filosofia abarca. Sem a base do direito autoral, algum instrumento de defesa das 4 liberdades tem dentes? Se o criador não tem papel na decisão sobre o destino de sua obra, como uma licença de uso funcionaria? Com base em que? O que me impediria de abusar (já que você me chamou de mesquinho, eu vou usar a primeira pessoa para fins de ilustração) do trabalho alheio? >> Vale conscientizar à força? Porque é isso que vocë defende, copiar e >> pronto, sem questionar a vontade do artista cujo trabalho voê copia. > > A conscientização de que falo é do usuário, não do autor. É verdade. Está claríssimo que você não se importa com os direitos deles. Valem apenas os seus. > Uma vez que a sociedade, que instaurou/aceitou por terror as leis > injustas de direito autoral hoje vigentes, exerça a vontade que tem sido > reprimida de flexibilizar essas leis, em benefício da própria sociedade, > não vai ser nem necessário conscientizar os autores. Não teriam sido representantes eleitos dessa sociedade que criaram as leis que você chama de injustas? O pêndulo foi longe para o lado da restrição, mas esboça a clara tendência de balançar para um lado mais permissivo - autores se conscientizam de que não vale tanto assim a pena reprimir a troca e que o esforço poderia ser focado em disponibilizar mais conteúdo por preços mais baixos. O sucesso das lojas de música on-line é um bom exemplo de que isso é possível. > Enquanto isso não acontece, faz-se necessário usar de ferramentas para > anular os efeitos daninhos do direito autoral, tanto o desrespeito > direto às liberdades que a lei impõe por default (anulado por todas as > licenças de software livre, sem o que o software não seria livre) quanto > o poder de desrespeitar os usuários que a lei confere a autores (poder > este anulado ou enfraquecido pelas licenças copyleft, sem o que um > Software Livre ou seus derivados poderiam deixar de ser Livres para > alguns ou todos os usuários) Não é o direito autoral que impõe o desrespeito ao usuário, mas o autor que escolhe uma licença que não concede as liberdades que consideramos extremamente desejáveis. Eu prefiro viver com elas. >> Direito autoral existe para garantir o incentivo econômico para a >> criação das obras. > > Foi criado para acrescentar mais obras ao domínio público, através de um > mecanismo de incentivo à sua publicação: um sacrifício temporário da > sociedade, eximindo-se de alguns usos das obras sem antes obter > permissão do titular dos direitos, após o qual a obra volta a poder ser > utilizada por todos sem permissão de ninguém, cumprindo assim o objetivo > do incentivo. Vejo que você entendeu a idéia. > O objetivo do direito autoral não é, nunca foi, garantir incentivo > econômico. Até porque não garante nada. Não é só porque existe direito > autoral que eu posso exigir que a sociedade me pague alguma coisa, mesmo > que ninguém esteja interessado na obra. É muito fácil converter o monopólio da exploração de uma obra em incentivo econômico, caso a sociedade se interesse por ela. Caso não, tanto faz. >> Se encontrarmos uma outra forma de incentivá-lo, >> ótimo. Mas você não está apontando soluções. > > Não estou porque já existem várias, inclusive sendo utilizadas com > sucesso, além de muitas mais ainda a investigar, experiementar e até > inventar. Não estou aqui pra ficar reinventando a roda. Muito menos > numa discussão com um sujeito que ia querer me dizer que eu ia ter de > pagar pro cara que inventou a roda pela primeira vez :-) É você que insiste que eu tenho que licenciar o projeto da primeira cadeira. Decida-se. Você tem certeza de que você é uma pessoa só? -- Ricardo Bánffy http://www.dieblinkenlights.com _______________________________________________ PSL-Brasil mailing list [email protected] http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil Regras da lista: http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil
