Sinceramente, entendi o texto como entretenimento. Comédia pura. Mas,
vamos comentar algumas pérolas . . .
Em 21/12/2006, às 13:25, Alex Camacho Castilho escreveu:
" É raro ver alguém que defenda com unhas e dentes a pirataria. No
máximo as pessoas a justificam com alguma desculpa esfarrapada,
dizendo que é um sintoma da desigualdade social. E o caso não se
restringe aos pobres camelôs. Até mesmo quem pratica a pirataria
“mais sofisticada”, catando uma MP3 aqui e crackeando um Windows
acolá, não consegue se livrar de um certo complexo de culpa quando
escuta o discurso lamurioso da indústria fonográfica e dos
fabricantes de software: “A pirataria não gera empregos! A
pirataria não paga impostos!”.
Particularmente, acho q não dá pra comparar os casos em q se aplicam
a "desculpa esfarrapada" (sic) do acesso à cultura com a prática de
quem tem recursos de sobra pra comprar um CD popular. Acredito q isso
é similar à polêmica em torno da carteira de estudante: na essência
parecia uma boa idéia, pois aqueles com menos recursos teriam acesso
diferenciado a produtos culturais. Agora, qdo eu vejo um jovem q mora
no Lago Sul (área nobre de Bsb, para quem não conhece a cidade)
descer do seu Audi TT novinho para pagar meia-entrada, usando a
carteira de estudante do cursinho para passar no PAE (outra
distorção), a fim de assistir o último filme do James Bond ou
blockbusters como O Exterminador do Futuro III, tenho a leve
impressão de q algo deu errado entre a idéia e a execução.
Houve uma época onde a coisa mais importante na economia era comida
(bons tempos feudais que não voltam mais). Tão importante que a
maioria das teorias econômicas se baseavam em grãos de trigo. Uma
delas, muito legal por sinal, era a de Thomas Malthus. Para
simplificar, ela dizia o seguinte: a população cresce em progressão
geométrica (2, 4, 8, 16, 32..) – afinal, fazer filho é muito
gostoso (ele realmente diz isso); já as reservas de comida crescem
em progressão aritmética (1, 2, 3, 4...) – a produtividade das
terras é limitada e seus recursos são escassos. Conclui-se então
que um dia este sistema vai dar merda. Muita boca para pouca
comida. Mas aí tudo bem, Deus é um cara sábio, mata 90% da
população de fome e o ciclo começa novamente. Uma guerra de vez em
quando para matar geral também é bem vinda.
Desde criancinha (e não sou mais tão novo assim), todos os
professores de geografia e história q eu tive falavam como o dilema
de Malthus tinha sido resolvido pelo avanço na tecnologia de produção
de alimentos. Vide o q o Japão consegue fazer. Agora, não é isso q
gera a fome nos países de terceiro mundo. Mas, esse papo é pra outra
hora.
Hoje o que movimenta a economia é conhecimento, tecnologia,
informação, cultura, diversão... Ninguém sabe mais se trigo nasce
em árvore ou se vem da galinha. E isso só foi possível porque o
problema do crescimento populacional foi resolvido (na parte do
mundo que vale a pena, esquece essas merdas debaixo do equador) e
as pessoas descobriram que ver televisão e jogar video-game é muito
mais gostoso e prático do que fazer filhos.
Como ele parece pertencer à categoria q não sabe se o trigo "nasce em
árvore ou vem da galinha", acho q ele tbém não deve ter comparecido
às aulas q falaram sobre o anacronismo do dilema de Malthus.
Nesse cenário, o discurso de Malthus se inverte. A quantidade de
imbecis produzindo informação cresce em progressão geométrica
(músicos pagodeiros, atualizações do Windows, escritores, revistas,
programas de TV...) - afinal, viver vida de celebridade é mais
gostoso; já a nossa capacidade de assimilar toda esta nova
informação cresce apenas em progressão aritmética (afinal, só temos
um cérebro). Não é preciso ser nenhum gênio para descobrir que, se
ficarmos de braços cruzados, um dia Deus vai ter que baixar na área
e matar 90% da galera que insiste em nos entupir com cada vez mais
informação.
Fala sério . . . Alguém levou a sério esse parágrafo? Ok. Information
overload é um problema, mas as premissas e conseqüências
estabelecidas ali não tem pé nem cabeça . . .
um pouco de exagero? Uma banca de jornal hoje em dia possui mais
títulos do que a biblioteca do meu colégio tinha quando eu cursava
o ginásio!
E pelo jeito ele já não leu a pouca coisa de q dispunha. Ter bastante
informação disponível não significa q vc deve consumir todo e qqr
dado q se apresente em sua frente. Da mesma forma q ter bastante
comida disponível não significa q vc tem de se empaturrar até
vomitar. Processos de alocação de atenção servem pra isso. Quem sabe
algum dia cai um livro do Choo na mão do autor do original e ele
aprende alguma coisa nova.
É nesse ponto que a pirataria entra para nos salvar. A cada MP3 que
baixamos, mais miserável fica aquele maldito grupo de Axé. A cada
software pirata que instalamos, um programador sueco fica sem
dinheiro para comprar Prozac e se suicida. A cada camisa da Nike
falsificada que vestimos (marca também é informação), menos
jogadores de futebol vão ostentar carrões importados. Com esta
escassez de recursos forma-se um ciclo virtuoso e, pouco a pouco,
aquele sonhado ponto de equilíbrio onde apenas “informação
relevante” é produzida vai se aproximando. O mundo poderá se ver
livre de quem só quer alugar um espacinho no nosso cérebro para
faturar mais dinheiro e ostentar uma vida de luxo e riqueza. O
caminho fica livre para aqueles que querem apenas passar a sua
mensagem e receber o que é justo por isso.
A cada MP3 q algum infeliz baixa de um grupo de axé, mais
popularidade tem esse grupo. Qto mais popularidade ele tem, mais
atrai gente pros seus shows, q é onde esses grupos ganham dinheiro no
final das contas (ou alguém acha q esse povo faz show de segunda a
segunda por "amor à arte"?). Qto mais programas piratas são
instalados, mais aumenta a base de usuários deste programa. Como o
custo de reproduzir e distribuir um produto desses é infinitamente
inferior ao seu custo de produção, aquilo q se vende legalmente aos
locais passíveis de fiscalização (gdes empresas e governo) cobre com
sobras o q eu considero "investimento em divulgação" ou algo assim. O
valor da informação costuma ser definido por aquele q precisa dela.
Impor qual informação é relevante ou não a todos, sem distinção, é
digno daquelas distopias orwellianas. Inclusive, um argumento deste
tipo levemente maquiado já foi usado para justificar gdes monopólios,
como o do Windows, por exemplo. Cara, só pode ser piada pura este texto.
Fique satisfeito por cada ato de pirataria que você já cometeu (e
vai cometer ainda mais a partir de hoje). Você está contribuindo
para que o joio deixe de ser irrigado e no final só reste o bom e
velho trigo, que a era da informação está quase nos fazendo
esquecer de onde ele vem.
Para chegar nesta "brilhante" conclusão, o sujeito tinha mesmo de se
esconder atrás do nome de um dos assassinos mais lunáticos q passaram
pelo século XX.
Pra mim, está um ótimo texto de comédia. Mas, no geral, é mais dessa
informação descartável a ser esquecida 5 minutos depois deste post.
[ ]s,
olival.junior
P.S.: acabei de ver q alguém achou a fonte. Então é comédia mesmo!!! :-)
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