17/07/2006 Ele também vê perigo na Web 2.0 e nos celulares
Que riscos um inocente serviço de e-mail pela internet como o Gmail ou um editor de textos online como o Writely podem oferecer? Nova moda da rede mundial de computadores, os sites com tecnologia Web 2.0 – que reproduzem programas usando a janela do seu navegador – são uma estupidez para Richard Stallman. "Qual é a utilidade de um computador que não fará nada de bom se não estiver conectado?", destaca o programador. "Se você guarda seus dados na máquina de uma empresa, ela pode decidir jogar tudo fora um dia. Não use um servidor para um trabalho que seu micro é capaz de fazer." Ele também detesta telefones móveis e nem pensa em ter um deles. "É meu dever como cidadão rejeitar celulares, porque são aparelhos rastreadores", explica. "Se você tem celular e ele tem bateria, o sistema sempre sabe onde você está. Os mais antigos informavam apenas o local aproximado, enquanto os mais novos são mais precisos. Eles não vão me vigiar. Eu me recuso a colaborar com o Big Brother." M.M.S. Patentes e DRMs, inimigos da liberdade A liberdade de cada usuário não está ameaçada apenas pelos aplicativos proprietários. Entre as principais preocupações de Richard Stallman e dos defensores do software livre estão as patentes de software e os mecanismos de proteção de direito autoral, os DRMs. Enquanto um serve para restringir o trabalho de quem desenvolve programas, o outro dificulta a vida de todo mundo que quiser fazer cópias – mesmo se tiver um motivo legítimo para isso. Quando alguém cria um aplicativo, encontra uma série de dificuldades no caminho e tem de dar um jeito de contorná-las. Várias empresas, no entanto, resolveram patentear as soluções para esses problemas nos Estados Unidos – muitas delas bastante banais – como se fossem invenções suas. "Isso é uma política estúpida, porque todo desenvolvedor de software corre o risco de ser processado", diz Stallman. A moda parece que vai pegar no Brasil. De acordo com o secretário da Free Software Foundation América Latina, Alexandre Oliva, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) passou a aceitar pedidos de patente de software no País. "O Inpi decidiu, por conta própria, colocar toda a sociedade brasileira em risco", destaca. "Isso é um problema para a inovação." Com essas limitações, qualquer programa simples poderá se tornar uma imensa dor de cabeça para seus inventores. Já os DRMs restringem o direito de um usuário copiar um DVD, por exemplo, para uso pessoal. Segundo Oliva, a lei brasileira permite cópias nesses casos. Muitos fabricantes, contudo, têm adotado sistemas de proteção que tornam a tarefa praticamente impossível. "Vira um crime você tentar exercer os seus direitos", afirma Oliva. "Estão se tornando legisladores privados." M.M.S.
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