2014/1/1 Pacini Bores <[email protected]>:
> Ok! Ralph, obrigado pela sua observação e explicação .
>
> Se tivesse dito : k >0  " tão pequeno quanto eu queira" tal que 0<|x-a|<k ,
> teria algum problema ?
Teria. Essa (e outras) frases de cálculo são recursos intuitivos úteis
para pensar sobre limites, mas não para definí-los. Assim, quando você
diz "tão pequeno quanto eu queira", isso é uma abreviação para uma
frase bem mais complicada. E que, nesse caso (limites de "uma única"
variável) não faz sentido, porque o que esta abreviação contém é uma
relação dependência entre várias quantidades relacionadas ao
comportamento de DUAS variáveis juntas.

> Ou no momento que estou escrevendo " tão pequeno quanto eu queira", já estou
> definindo algo que "k " depende ?
Na verdade, você está definindo alguma coisa que vai depender de k.
Nas definições habituais, o seu k é chamado de "épsilon", e o "delta"
é que depende do épsilon quando eles aparecem.

Mas o maior problema, mesmo, como disse o Ralph, é que o limite de
alguma coisa só faz sentido de esta mesma coisa (o "x") variar. Na sua
frase

"para todo k, existe x tal que ...",

o x aparece depois do k, então ele não varia, ele existe.

Se você conhece programação, isso é exatamente o que acontece quando
você define uma "variável local" com o mesmo nome de uma variável
global. Daí pra frente, dentro do "bloco" onde você estiver, a
variável global está inacessível. Em matemática, você "define" uma
variável quando você a introduz numa fórmula por meio de um "existe"
ou um "para todo". Assim, no seu exemplo, o "lim x = a" que vem antes
está falando de um "x" que NÃO é o mesmo que o que você introduz
depois por "existe"!

Uma outra forma de pensar é que os nomes das variáveis são totalmente
neutros. Ou seja, a sua frase não pode mudar de valor lógico se você
substituir todos os "x" de uma afirmação por y, ou z. Nesse seu caso,
o problema é que existem várias (sub-)afirmações dentro da definição
(que é o análogo exato dos blocos de código num programa) e portanto
em CADA uma delas, as variáveis novas poderiam ser chamadas como você
quiser.

E é exatamente por "o seu x ser uma nova variável" que o Ralph pode
dizer que a sua (sub)-afirmação era sempre verdadeira, qualquer que
fosse o a. A ordem em que você introduz as variáveis muda o sentido da
frase! (Ou seja, a fala não é comutativa ;-))

> Em 1 de janeiro de 2014 13:02, Ralph Teixeira <[email protected]> escreveu:
>
>> Desculpa, Pacini, mas isto nao faz sentido se voce nao disser algo sobre o
>> que x significa. A frase que voce escreveu:
>>
>> "para todo k>0, existe x real tal que 0<|x-a|<k"
>>
>> eh simplesmente VERDADEIRA, sempre -- SEMPRE existe esse x real, basta
>> tomar x=a+k/2, por exemplo.
>>
>> 2014/1/1 Pacini Bores <[email protected]>
>>>
>>> Olá Pedro,
>>>
>>> Podemos definir o que desejas da seguinte forma :" limx =a" , com a real;
>>>
>>> " para todo k>0 , existe x  real tal que  0 < |x - a| < k " .

Abraços, e bom 2014
-- 
Bernardo Freitas Paulo da Costa

-- 
Esta mensagem foi verificada pelo sistema de antivírus e
 acredita-se estar livre de perigo.


=========================================================================
Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html
=========================================================================

Responder a