Caro Bouskela (e colegas da lista),
uma forma facil de se descobrir um problema numa solucao qualquer,
seria testar se a envoltoria obtida implica em tangentes que, quando
limitadas pelos "trilhos" da porta deslizante, geram segmentos com
comprimento 1. Isso deve ser valido para toda a excursao da porta,
obviamente.
Na solucao abaixo, eu apresento isso ao final. Nao precisaria de
tanto, mas serve para dissipar qualquer duvida que alguem possa ter
sobre o caminho que utilizei.

Apresentando novamente o "DESAFIO":

Existe uma sala quadrada de lado L.
Em um dos lados existe uma porta do tamanho da parede, ou seja, L.
Portanto uma das paredes e' so' a porta.
Chame esse quadrado (sala) de ABCD, e seja o segmento AB a porta.
Essa porta, ela se abre de um jeito particular: o ponto A da mesma
segue em linha reta pelo segmento AB, enquanto o ponto B dela segue
reto pelo segmento BC.
Portanto, quando ela abre, ela varre certa area de dentro da sala.
Qual o valor dessa area?

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SOLUCAO:

Para simplificar a notacao, vamos calcular tudo como se L fosse
unitario, de modo que ao final, a area devera' ser escalada "de
volta", para obtermos o valor correto.

Entao, vamos imaginar que a porta MN, com comprimento 1, "deslize"
sobre os eixos X e Y, de modo que ela comeca na posicao vertical
(alinhada com Y), ate' atingir a posicao horizontal, alinhada com o
eixo X. Assim, uma das suas extremidades "M", apoiada em Y, comeca em
y=1 e desliza ate' y=0, enquanto a outra extremidade "N", apoiada em
X, comeca em x=0 e desliza ate' x=1.

Suponhamos entao que, num determinado momento, M esteja no ponto
A=(0,y), e que N esteja no ponto B=(x,0).
Um instante depois, ela estara' com M no ponto C=(0,y+dy) enquanto N
estara' em D=(x+dx,0).
Seja "P" = (x_P,y_P) a intersecao entre os dois segmentos, de forma
que y_P e' a altura do triangulo PBD.

Assim, a area total sera' o somatorio das areas formadas pelos
sucessivos triangulos PBD, obtidos 'a medida em que x varia de 0 ate'
1.

Este me parece justamente o ponto interessante dessa abordagem, pois
se afasta da associacao quase automatica que fazemos entre "area
total" e "fatias verticais" sob uma curva. Aqui neste caso, as nossas
"fatias" sao triangulos, com base "dx" e altura "y_P".

Partindo para as contas...

A qualquer instante, as coordenadas variaveis das extremidades da
porta (x=x_M e y=y_M )obedecem 'a equacao
  x**2 + y**2 = 1
Diferenciando-se, obtemos
 -dy / dx = x / y

Aplicando lei dos senos aos triangulos APC e PBD, obtemos:
 CP / sinA = -dy / sinP
 PD / sinB =  dx / sinP

Dividindo-se uma equacao pela outra, e observando que sinB/sinA = y/x, vem:
 CP/PD * y/x = -dy/dx = x/y
ou seja,
 CP/PD = x**2 / y**2

Assim,
 (CP + PD) / PD = (x**2 + y**2) / y**2
ou
 PD = y**2

Mas , por semelhanca de triangulos, y_P/PD = (y+dy)/1
Como "dy" e' infinitesimal, y_P/PD = y
Assim,
 y_P = y**3 = (1-x**2) ** (3/2)

Dessa forma, a area total equivale 'a
 integral de (h*dx/2) em x=[0,1], ou seja,
 integral de [ 1/2 * (1-x**2) ** (3/2) ] * dx , em x=[0,1].

Resolvendo-se a integral, obtemos
 Area varrida =  3*Pi / 32 = 0.294524

Como na verdade a porta tem comprimento "L", devemos escalar a area
varrida, de forma que a resposta e'
 AREA VARRIDA = 3/32 * Pi * L**2
que vale aproximadamente 0.294524 * L**2

[]'s
Rogerio Ponce



OBSERVACAO:

Nesta solucao nao foi necessario nos preocuparmos com a envoltoria das
posicoes sucessivas de nossa porta.
Entretanto, ela e' percorrida exatamente pelo ponto P, cuja coordenada em Y e'
 y_P = y**3
Por simetria, e' facil ver que
 x_P = x**3

Assim, usando a relacao x**2 + y**2 = 1 , obtemos a equacao da envoltoria:
 x_P**(2/3) + y_P**(2/3) = 1
Ou seja,
 y_P = [1 - x_P**(2/3)]**(3/2)


Neste ponto poderiamos calcular novamente a integral de y_P*dx_P no
intervalo [0,1], e obteriamos... o mesmo valor ja' calculada
anteriormente.
(claro que eu ja' conferi isso, ne'...)

Mas poderiamos fazer mais. Sera' que realmente essa curva corresponde
'a envoltoria? Para tanto, seria necessario que as tangentes a essa
curva, por qualquer ponto, tivessem sempre o comprimento de 1, quando
limitadas pelos eixos X e Y.

Vejamos entao:
Seja o ponto x0,y0 pertencente 'a curva definida por x**(2/3) + y**(2/3) = 1
Assim, -dy0/dx0 = [y0/x0]**(1/3)

Para uma reta y = a*x + b , o comprimento delimitado pelos eixos X e Y sera'
 C = sqrt[b**2 + (b/a)**2] , ou seja,
 C = |b/a| * sqrt[1 + a**2]

No nosso caso,
 a = dy0/dx0 = -[y0/x0]**(1/3)
 b = y0 - a*x0 = y0 + x0 * [y0/x0]**(1/3)

Desse modo, como x0 e y0 sao positivos, temos
 C = [y0 * [x0/y0]**(1/3) + x0 ]  *  sqrt[1 + (y0/x0)**(2/3)]
 C = [y0 * [x0/y0]**(1/3) + x0 ]  *  sqrt[x0**(2/3) + y0**(2/3)] / x0**(1/3)

Como essa raiz quadrada vale 1, a expressao toda se reduz a
 C = [y0 * [x0/y0]**(1/3) + x0 ] / x0**(1/3)
 C = y0**(2/3) + x0**(2/3) = 1

Portanto, a curva definida por x**(2/3) + y**(2/3) e' de fato a
envoltoria procurada, confirmando tudo o que ja' haviamos calculado
anteriormente.

[]'s
Rogerio Ponce.
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Instruções para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
http://www.mat.puc-rio.br/~obmlistas/obm-l.html
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