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From: Desidério Murcho via groups.io <desiderio.murcho=icloud....@groups.io>

Caro leitor

O tema deste mês é a lógica, área que nasceu com a própria filosofia
europeia, às mãos de Aristóteles. Porém, como acontece em muitos outros
casos, quem não sabe ainda lógica não anda bem se começar por estudar a
lógica de Aristóteles ou a lógica estóica, que é o outro grande
desenvolvimento nesta área de estudos ocorrido na Antiguidade europeia. O
melhor é começar por compreender a lógica actual, nos seus próprios termos,
para depois então compreender adequadamente esses dois momentos importantes
da história da lógica.

No artigo “Para Que Serve a Lógica?
<https://criticanarede.com/tes_conhecimentologica.html>”, procuro explicar
o que é a lógica e para que serve, sem entrar em pormenores matemáticos. A
ideia central é que a lógica serve para distinguir os bons dos maus
raciocínios, o que significa em última análise que a importância da lógica
decorre directamente da importância do próprio raciocínio. Ora, o
raciocínio é importante porque sem isso não conseguimos saber seja o que
importa saber para melhorar a condição humana, seja o que importa saber só
porque queremos satisfazer a nossa saudável curiosidade intelectual.

No artigo “Algumas Noções de Lógica
<https://criticanarede.com/log_nocoes.html>”, António Padrão explica mais
em pormenor o que é a lógica dedutiva, como se relaciona com a linguagem
comum e como se faz para explicitar raciocínios nem sempre explicitamente
presentes nos textos.

Nietzsche é por vezes invocado para criticar a suposta miopia da lógica,
mas as posições deste pensador quanto à lógica são muitíssimo menos óbvias
do que parecem à primeira vista. O artigo de Steven D. Hales, “Nietzsche
sobre a Lógica <https://criticanarede.com/nietzlogica.html>”, oferece
algumas pistas importantes sobre este tema.

A lógica conhece hoje pelo menos três grandes áreas: a lógica dedutiva
(havendo hoje várias teorias, além da teoria clássica da dedução), a lógica
indutiva e a lógica informal. Estas três áreas têm sobreposições, mas
quando se encara a lógica informal de maneira menos matemática, temos o que
por vezes se chama também “pensamento crítico” — que foi, na verdade, um
movimento norte-americano específico, que visava introduzir competências
lógicas no ensino superior, em todos os cursos. O artigo de Sven Ove
Hansson, “Pensamento Crítico <https://criticanarede.com/log_critical.html>”,
faz um breve balanço desse movimento e do seu impacto educativo. É uma
leitura importante para não albergar a crença *acrítica* de que o
pensamento crítico tem nos estudantes o efeito que se imagina ou se deseja.

O artigo de James W. Cornman, Keith Lehrer e George S. Pappas, “Indução
Cogente <https://criticanarede.com/epi_inducao.html>”, procura esclarecer
em que condições o raciocínio indutivo é apropriado (cogente), e o artigo
de Mark Sainsbury, “Lógica Indutiva e Lógica Dedutiva
<https://criticanarede.com/fil_logind.html>”, traça algumas das importantes
diferenças entre os dois tipos de raciocínio. O núcleo da lógica indutiva é
o cálculo de probabilidades, e o artigo de I. J. Good, “Tipos de
Probabilidade <https://criticanarede.com/fil_probphil.html>”, explica que
as diferentes maneiras de entender o conceito de probabilidades se reduzem
afinal apenas a um.

Quem tiver curiosidade sobre alguns aspectos da história da lógica encontra
informação esclarecedora no artigo de Aldo Dinucci, “A Lógica Estóica
Segundo Suzanne Bobzien <https://criticanarede.com/logicaestoica.html>”.
Esta lógica era a principal rival da lógica de Aristóteles e, ao contrário
desta última, está fundamentalmente correcta — na verdade, é ainda hoje a
lógica subjacente aos computadores, à matemática e à ciência. A lógica de
Aristóteles não está errada em muitos aspectos, mas está incompleta e é
insusceptível de ser completada, por razões que explico no artigo “É
Lógico, Aristóteles <https://criticanarede.com/lds_arist.html>”, no qual
exponho também o núcleo da sua lógica.

Voltando à lógica dedutiva actual, e só para dar dois exemplos da
vitalidade dos estudos contemporâneos, vale a pena mencionar a recensão
<https://criticanarede.com/fildaslogicas.html> de Matheus Martins Silva do
importante livro *Filosofia das Lógicas, *de Susan Haack, que discute
algumas alternativas actuais à lógica clássica. Uma dessas alternativas é
apresentada, numa das suas versões, por Décio Krause no artigo “Lógica
Paraconsistente <https://criticanarede.com/log_paraconsistente.html>”.

Como se vê, a Crítica oferece ao leitor interessado vários recursos
importantes para entrar nesta área de estudos, ou aprofundar os seus
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Desidério Murcho

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