VIVA, Cassiano!
Itala

Em dom., 2 de out. de 2022 às 12:41, Cassiano Terra Rodrigues <
cassiano.te...@gmail.com> escreveu:

> Bons dias, camaradas.
> De fato, não é possível ser neutro nem hoje nem em qq tempo.
> Como não se trata de fazer proselitismo tampouco, peço licença para deixar
> um registro aqui de opções políticas, e não meramente eleitorais
> enquadradas no modelo da ordem burguesa-liberal. Peço q aqueles q não se
> identificam ideologicamente q desconsiderem e justifico minha mensagem na
> lista de lógica lembrando q o falso dilema é uma conhecida falácia de
> simplificação.
> Assim, lembro q as propostas políticas q logo adiante exemplifico foram
> sistematicamente esquecidas pelo espetáculo hegemônico, mas também por uma
> considerável parcela de eleitores q se dizem de esquerda, mesmo q as pautas
> defendidas pelas propostas q apresento aqui fossem ao encontro de muito do
> q defendem esses mesmos eleitores de esquerda - derrotar o fascismo,
> contrariar a lógica do encarceramento em massa do povo pobre e negro,
> diminuir a jornada de trabalho, lutar contra o sexismo machista da nossa
> sociedade etc.
> São as propostas:
>
> https://www.instagram.com/unidadepopular/?hl=en
> https://pcb.org.br
> https://www.pstu.org.br
>
> Observo ainda q a proposta do PCB cresceu nas redes digitais (o próprio
> PCB divulgou os gráficos do Google e do Twitter, peço desculpas, não
> consegui recuperá-los) e ainda assim foi alijada dos debates hegemônicos.
> Esses debates, ao q me parece, têm a função de cada vez mais estetizar a
> política, despolitizando-a, portanto, conforme o diagnóstico de Walter
> Benjamin (não considero a lógica do espetáculo inexorável, como Debord, mas
> não sou capaz de oferecer outra leitura). É uma pergunta a investigar, q a
> lógica como ciência a meu entender não consegue responder sozinha, por que
> um diagnóstico crítico e até onde é possível dizer correto dos problemas
> sociais não leva a conclusões consistentes consigo mesmo (com o
> diagnóstico). É um fenômeno bastante já evidenciado em eleitores de
> direita: criticam corretamente aspectos profundamente injustos da realidade
> social, apontam corretamente as contradições do sistema (perdoem-me a
> vagueza), mas optam por apoiar projetos políticos q reforçarão aquilo q
> criticam. Não me parece q essa maneira de raciocinar seja exclusiva da
> direita instituída. Eu mesmo, em vários aspectos, me decepciono com a minha
> incapacidade de ser coerente comigo mesmo, ou ao menos com algum ideal de
> mim mesmo q gostaria de realizar, mas fico aquém.
> Ao mesmo tempo, pouco ou quase nenhum debate se deu acerca de projetos de
> país q se alcem acima da gestão do imediato, o que, na minha falível
> interpretação, ajudou a promover a falácia da naturalização do status quo e
> da luta inescapável contra Hitler, fazendo da inflexão ao centro a única
> esquerda possível para a maioria dos eleitores (i.e., favoreceu a falácia
> ad Hitlerum). Isso, pelo meu juízo, se deu a ponto não apenas de rebaixar o
> horizonte de expectativas transformadoras da nossa sociedade, como ainda de
> deslegitimar qualquer desacordo relativamente à ordenação bem intencionada,
> porém incapaz de levantar o punho contra essa mesma ordem (ou qualquer
> ordem, eu arriscaria). Em suma, o que quero dizer, com isso, é que a
> estratégia comunicativa da burguesia funcionou, e muito bem. Se o candidato
> de certas facções oligárquicas não vinga, essas mesmas oligarquias tampouco
> perdem, vez q financiam as únicas alternativas eleitorais q dominaram a
> comunicação para a maioria da população (impõem uma tautologia, no fim das
> contas). O diagnóstico de Enzo Traverso para a Itália parece-me bastante
> apropriado nesse contexto brasileiro: a esquerda realmente não existe, se
> entendida a política como instituição. Isso não só significa uma ruptura
> tremenda na continuidade histórica da esquerda como relega à marginalidade
> da esfera política, ou mesmo à exclusão total, toda teoria crítica (não
> falo apenas no sentido dos teóricos de Frankfurt). Ainda que movimentos
> ecológicos, antirracistas e antifascistas desfiram golpes e travem genuínas
> batalhas, a perspectiva de conquistar as instituições para transformá-las
> ou mesmo destruí-las foi completamente capturada pela direita e cada vez
> mais a ultra-direita avança no projeto de enrijecer as estruturas de poder
> q sustentam a ordem liberal-burquesa, disfarçando esse projeto com
> pontuações que parecem críticas (é o movimento conhecido - forçar a
> contradição para controlá-la, numa tendência de uniformização total,
> inclusive das insatisfações). É possível reconstruir algo crível com esse
> legado, dentro dos limites desse "überkommene Hintergrund", como diria
> Wittgenstein? Nos discursos hegemônicos, parece que realmente só há uma
> reabilitação do passado - o que é logicamente muito consistente, afinal,
> mudar as estruturas seria derrubar a porta e jogá-la fora junto com as
> dobradiças - ou podemos pensar em outra metáfora, se pensarmos em outra
> possibilidade de tradução de Wittgenstein: trocar o anzol para pegar outros
> peixes é uma opção? Não me parece q a 1a metáfora seja uma alternativa, mas
> sim q a segunda seja uma estratégia.
> Seja como for, a se confirmar o diagnóstico eleitoral para hoje, teremos
> motivos para comemorar uma derrota individual há tempos desejada e
> necessária e, com isso, talvez consigamos algum fôlego para outras lutas.
> Não é possível negar q há movimentações de re-existência. Espero q
> consigamos doravante se não comemorar grandes vitórias, ao menos impor mais
> algumas derrotas aos pusilânimes e fascistas e, com isso, renovar e
> reexistir.
> Saudações,
> cass.
>
>
>
>
>
>
>
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> Lógica <logica-l@dimap.ufrn.br>
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Prof. Dr. Itala M. Loffredo D'Ottaviano
Full Professor in Logic and the Foundations of Science
Member and Researcher of the *Centre for Logic, Epistemology and the* *History
of Science* at the University of Campinas
Research Fellow of the *Brazilian National Council for Scientific and
Technological Development*
Titular Member, *Brazilian Academy of Philosophy* (Rio de Janeiro)
Emeritus Member, *Académie Internationale de Philosophie de Sciences *
(Bruxelles)
Titular Member, *Institut International de Philosophie *(Paris-Nancy)
Editor of *Coleção CLE, *by the *Centre for Logic, Epistemology and
the* *History
of Science.*

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LOGICA-L
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