Caros membros da lista, Há várias formas de abordar um mesmo problema filosófico e vários gêneros discursivos para apresentar uma mesma abordagem. A apresentação pode tornar mais fácil expressar ou não certas questões.
No caso das lógicas multimodais (vide Carnielli e Pizzi) o uso de parâmetros na formação dos operadores é um grande recurso expressivo. Porém, em linguagem formal ainda é difícil expressar uma questão crucial que é a separação entre o doxástico e o deôntico, a saber, se quando se fala de uma injunção, está-se a falar da mera opinião individual de alguém que quer prescrever regras e comportamentos, ou de uma convenção que de fato o coletivo aceita. Essa questão está bem melhor expressa por exemplo no seguinte monólogo da “”Antígona” lido belamente por Andréia Beltrão: https://globoplay.globo.com/v/7931318/ Uma tentativa de trazer de algum modo esta percepção consiste em introduzir operações nos parâmetros, ou seja, falar por exemplo da união deles. Mas, mesmo a essas operações escapará um complicador já percebido por antropólogos de que não apenas os indivíduos de um mesmo coletivo têm morais diferentes, mas que os valores e as regras variam de coletivo para coletivo. Essa variação pode ser pequena, como a regra do que fazer com um presente de aniversário: em várias partes do Brasil o aniversariante deve abrir o embrulho do presente na frente do convidado, enquanto em outras o aniversariante deve guardar o embrulho fechado e só abrir depois (ao cavalo dado não se olham os dentes). Outro exemplo já envolve diferenças maiores como a indumentária: de país para país e de região para região, e mesmo de religião para religião, varia o padrão de vestimenta considerado aceitável, e há mesmo sociedades onde as pessoas não se vestem ou aceitam a nudez em público, como é o caso de indígenas, dos gregos antigos e das atuais comunidades de nudistas. Já se tentou no passado usar da lógica para formular melhor prescrições, tanto gramaticais quanto jurídicas e morais. Essas tentativas não contemplaram os anseios dos que buscavam uma deontologia universal, pois de qualquer forma os resultados dependiam das premissas adotadas. As modernas democracias tentam responder à questão da seguinte forma: aceita-se que cada um tenha sua moral, que haja uma liberdade de costumes, juntamente com as de opinião e expressão, e que se adotem umas poucas regras de boa convivência. Esses são valores democráticos e racionais. Porém, um princípio assim é difícil de captar numa linguagem formalizada. Diante dessas questões a atual diversidade lógica se mostra útil, porém insuficiente como instrumento para uma completa apreensão racional das coisas. https://independent.academia.edu/TonyMarmo/ -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/A7338E6B-F5B9-4C4F-BE97-ACDDABCBCFFD%40gmail.com.