oi Hermogenes, uma estorinha sobre a falta de mulheres em encontros logicos: quando o British Logic Colloquium foi ressuscitado no final dos anos 80 em Cambridge, o Prof Adrian Mathias (set theorist, naquela altura em Cambridge e membro de Peterhouse, o "college" mais antigo de Cambridge e naquela altura ainda so' masculino) abriu o encontro dizendo "Gentleman...", parou, olhou pra baixo e acrescentou "and Valeria", pois eu estava na primeira fila. nesse encontro acho que tinham uns 80 logicos mais ou menos. cansa, sabe? 'e chato nao ter alguem pra perguntar onde e' o banheiro, essas coisas...
abracos, Valeria 2016-12-05 10:27 GMT-08:00 Hermógenes Oliveira <hermogenes.oliveira@student. uni-tuebingen.de>: > Joao Marcos <botoc...@gmail.com> escreveu: > > >>> Esta é mais uma iniciativa válida, Valeria, com um comitê organizador > >>> de primeira (e de Primeiro Mundo anglófono). > >> > >> Bem, se a razão de ser desse comentário diz respeito ao país de origem e > >> à língua materna, posso acrescentar que reconheço apenas três nomes no > >> comitê, nenhum deles de "Primeiro Mundo anglófono": Valéria de Paiva > >> (brasileira), Alexandra Silva (portuguesa) e Adriana Compagnoni > >> (argentina). > > > > Não entendi bem o aparte... Todas trabalham no Primeiro Mundo > > anglófono, como está claro. Coincidência? Ou um ponto a mais a cujo > > respeito valeria a pena refletir? > > E eu continuo sem entender o propósito da observação sobre "Primeiro > Mundo anglófono". De primeiro, cogitei que o ponto dizia respeito à > questão de diversidade cultural, étnica ou nacional. Agora, o ponto > parece dizer respeito ao endereço e/ou vínculo empregatício? > > >> acrescento o seguinte: > >> > >> Talvez o estresse mencionado na mensagem de divulgação seja melhor > >> compreendido, e talvez mesmo percebido como óbvio, por mulheres que > >> atuam na área de lógica (para as quais, enfim, o evento é direcionado). > >> Mas, fazendo um exercício de empatia, digo que, se eu entrasse numa sala > >> de conferência que estivesse repleto exclusivamente de mulheres, > >> certamente me sentiria inicialmente meio fora de lugar e talvez mesmo > >> buscasse verificar se não teria entrado numa espécie de lavatório > feminino > >> por engano. Porém, mulheres que atuam na área de lógica passam por > >> situação similar rotineiramente. > > > > De minha parte, eu certamente não penso que entrei em um lavatório nas > > ocasiões em que entro em salas nas quais as mulheres são maioria. > > Nunca aconteceu comigo de eu entrar numa *sala de conferência*, num > evento acadêmico, onde houvessem mais de vinte pessoas e *todas* fossem > do sexo feminino. Se pretende dizer que isso já aconteceu contigo, fico > sinceramente surpresso. A observação sobre o lavatório foi uma > tentativa, aparentemente fracassada, de tratar o assunto com um pouco de > bom humor[1] (com uma referência indireta à citação de Hilbert). Para > esclarecer, isso nunca aconteceu comigo, mas se eu entrasse numa sala de > conferência com, digamos, 200 mulheres e nenhum homem, eu obviamente não > pensaria que tivesse realmente entrado num lavatório feminino. Ainda > assim, provavelmente me questionaria se alguma variável envolvendo > gênero me escapara: talvez o evento é somente para mulheres, etc. O > ponto é que a maioria das mulheres que atuam na área de lógica, contudo, > certamente já tiveram a experiência de entrar em salas de conferência > cheias *sem nenhuma outra mulher presente*. Porém, muitos crêem que, > neste caso, está tudo normal e não há nenhuma variável de gênero > envolvida, pois não há ninguém *proibindo* as mulheres de participar. > > >> Se o ambiente não fosse tão dominado por homens e não houvesse tanto > >> assédio, creio que tanto homens quanto mulheres se sentiriam mais à > >> vontade para discutir ciência. > > > > Como são estas coisas nas áreas em que as mulheres são maioria? > > Não faço idéia. Mas não me preocupa tanto o fato de termos um sexo *em > maioria*. Já participei de seminário (em filosofia, mas não em lógica) > onde as mulheres fossem maioria (algo como 6 mulheres e 4 homens). O > problema é quando, com frequência, um sexo está absolutamente ausente ou > em *maioria esmagadora*. Em inúmeros ajuntamentos menores (seminários e > etc.) da área de lógica que participei, ou bem não havia mulheres (caso > mais comum) ou havia apenas uma (raro) ou, no máximo, duas (raríssimo) > mulheres presentes. > > > Notas: > [1] https://broodsphilosophy.wordpress.com/2007/12/16/how-to- > tell-if-you-suck-at-telling-philosophical-jokes/ > > -- > Hermógenes Oliveira > > -- > Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" > dos Grupos do Google. > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie > um e-mail para logica-l+unsubscr...@dimap.ufrn.br. > Para postar neste grupo, envie um e-mail para logica-l@dimap.ufrn.br. > Visite este grupo em https://groups.google.com/a/di > map.ufrn.br/group/logica-l/. > Para ver esta discussão na web, acesse https://groups.google.com/a/di > map.ufrn.br/d/msgid/logica-l/87zikagrj8.fsf%40camelot.oliveira. > -- Valeria de Paiva http://research.nuance.com/author/valeria-de-paiva/ http://www.cs.bham.ac.uk/~vdp/ http://valeriadepaiva.org/ -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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