Obrigado pela contribuição à discussão, Hermógenes.

>>>> (brevíssimo artigo de divulgação, por Peter Lynch)
>>>> http://www.irishtimes.com/news/science/the-shaky-foundations-of-mathematics-1.2877075
>>
>> [...]
>>
>> Precisamos certamente de mais artigos breves e inúteis como este.
>> Divulgação científica é importante, [...]
>
> Discordo plenamente.  O artigo é um desastre.  Repleto dos disparates,
> hipérboles e sensasionalismos comuns em artigos de divulgação dos
> teoremas de Gödel.

Pareceria ser agora então seu papel, como cientista e pregador moral,
mostrar exatamente *quais* seriam os "disparates"?

> É altamente duvidoso que artigos desse tipo contribuam para a divulgação
> de qualquer conteúdo que se possa chamar adequadamente de "científico".
> Mas creio que contribua consideravelmente para o tipo de misticismo
> barato e abuso dos teoremas de Gödel relatados nas obras de Torkel
> Franzén e Sokal & Bricmont, dentre outros.

Não é completamente óbvio que haja neste artigo nada nem de longe
parecido com o que foi denunciado por Franzén e Sokal & Bricmont.  A
propósito, o texto pseudo-científico do Sokal é divertidíssimo de ler
(para quem tem a formação adequada), e contrasta "plenamente" com a
pequena peça de divulgação escrita por Lynch:
http://www.physics.nyu.edu/sokal/transgress_v2/transgress_v2_singlefile.html

> Em primeiro lugar, artigos de divulgação que circulam na imprensa comum
> estão mais preocupados com frases de efeito e deslumbramento
> pseudocientífico do que com precisão e correção, o que, do ponto de
> vista científico, causa mais prejuízo do que benefício.

Com efeito, Franzén e Sokal & Bricmont teriam se preocupado com
corrigir as imprecisões do texto denunciado.  Isto é exatamente o que
você não fez --- mas certamente seria útil fazer.

> As razões para
> isso são variadas, mas certamente incluem o fato de que é impossível
> transmitir para o não especialista qualquer conteúdo científico
> considerável em dez parágrafos de texto.  Excessão concedida à colunas
> de recreação matemática, mas talvez estas não sejam, propriamente
> falando, artigos de divulgação científica.
>
> Em segundo lugar, a *veneração pela ciência* na maior parte das
> sociedades ocidentais já está acima da linha do ridículo.  E isso é
> prejudicial para a ciência.  Portanto, "divilgar ciência" como meio de
> alavancar o seu status no meio da sociedade, ou aprimorar a sua imagem
> perante a população em geral, me parece contraproducente.  *Ensinar*
> ciência, contudo, me parede mais proveitoso.
>
> Me admira a prepotência da comunidade científica de manter (por
> conivência ou esmorecimento) uma situação na qual a Mariazinha da
> Esquina tenha que dispensar considerável esforço e dinheiro para obter
> conteúdo verdadeiramente científico (na forma de artigos e livros
> didáticos) enquanto a alimenta com curiosidades pseudointelectuais na
> roupagem de "divulgação científica": afinal a verdadeira ciência
> pertence aos cientistas, é produzida por cientistas e só consegue ser
> compreendida por cientistas; não há demanda por ciência em meio a
> população em geral, somente demanda por aplicação, ou, melhor ainda, por
> produtos de consumo; ciência e tecnologia é coisa de gente grande, deixe
> por conta dos especialistas.
>
> Ninguém é obrigado a se interessar por ciência e certamente *não* há
> nenhum valor em estimular esse interesse artificialmente, mas as pessoas
> que eu conheci que se interessam sinceramente por algum tema científico
> mostravam-se frustadas pela ausência de informações relevantes em peças
> de divulgação científica.  Só ficam satisfeitos aqueles que estão menos
> interessados em ciência do que em parecer espertos.
>
> Divulgação científica *não* é importante.  Ensino e livre acesso à
> material didático e produção científica é essencial.

Certamente tal tese carece de dados comprovatórios sobre o que gera
nas pessoas o "interesse por ciência".  Eu próprio conheço várias
pessoas que se interessaram em procurar mais sobre aquilo que você
chama de "verdadeira ciência" justamente como efeito colateral da
leitura de artigos de divulgação que lhes imbuíram de suficiente
motivação (e não é fácil chegar a este nível de motivação) para
suplantar sua curiosidade a partir do duro trabalho de adquirir uma
formação científica adequada.

Abraços,
Joao Marcos

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