Gente, caro amigo Décio:

"na boa", como dizem meus estudantes--  como o João Marcos, já tentou
dizer, mas  polidamente  não disse com todas as  letras, digo eu:
este tipo de postagem  irrelevante e às  vezes  temperado com
personalismos como  "vamos  comer  uma  bisteca  fiorentina juntos",
no qual são useiros  (ouso citar, são  meus  amigos e  hão de me
perdoar  pelo bem da Lista) Dória, Itala, Décio e  alguns outros é que
contribui por irritar os mais jovens. E talvez alguns menos  jovens.

Desculpem-me, calo-me  por aqui,

Walter

Em 1 de maio de 2013 10:06, Decio Krause <[email protected]> escreveu:
> De acordo que é muito complexo Manuel.
> D
>
> ________________________________
> Décio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
> deciokrause[at]gmail.com
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause
> ________________________________
>
>
>
>
>
>
>
> Em 01/05/2013, às 01:24, Manuel Doria escreveu:
>
>> Professor Décio, não acredito que possa ser formulada uma definição que não 
>> seja question-begging e circular de 'autoridade relevante'
>>
>> Como uma tentativa grosseira, eu pensaria em algo como:
>>
>> x é uma autoridade em uma atividade A = df x é excelente na atividade A & x 
>> é reconhecido por um threshold n de autoridades de A pessoalmente 
>> desinteressadas em x como uma autoridade em A
>>
>> Essa definição é recursiva e visa capturar a intuição de que experts se 
>> reconhecem caso não tenham interesses pessoais conflituosos, inveja, etc.
>>
>> Mas enfim, 3 décadas de psicologia cognitiva mostram que nós largamente não 
>> pensamos através de definições. Podemos descrever um exemplar saliente, 
>> protótipo ou estereótipo de 'autoridade relevante'. Essas estruturas são 
>> tradicionalmente representadas como uma soma vetorial em um espaço 
>> multidimensional. Os que mais se distanciarem espacialmente da 'autoridade 
>> relevante' exemplar ou prototípica vão ser considerados como autoridades 
>> bona fide menos relevantes.
>>
>> A idéia de expertise está ligada à excelência em uma prática. 'Práticas' 
>> nesse sentido, me apropriando de Alasdair MacIntyre, são atividades 
>> socialmente distribuídas e orientadas a objetivos (chutar aleatoriamente uma 
>> bola na parede para MacIntyre não seria uma 'prática', em comparação a jogar 
>> futebol). Daí surgem espontaneamente testes de litmo, standards de avaliação 
>> coletivos que determinam a performance numa prática. Mesmo para atividades 
>> congeladas no tempo, (como o jogo de xadrez há mais de um século) seus 
>> standards de avaliação podem continuar mudando dado o caráter cumulativo do 
>> conhecimento - experts de hoje aprendem com os de ontem - e a presença de 
>> outras práticas que interferem na excelência desta - como novas técnicas de 
>> preparação física para atletas mesmo em esportes cujas comissões reguladores 
>> mantém suas regras incólumes há décadas.
>>
>> Enfim, esse é um assunto muito complexo.
>>
>> Um forte abraço.
>>
>>
>> 2013/4/30 Décio Krause <[email protected]>
>> Manuel
>> Como se distingue entre "autoridades relevantes" e "não-relevantes"?
>> D
>>
>>
>>
>> ------------------------------------------------------
>> Décio Krause
>> Departamento de Filosofia
>> Universidade Federal de Santa Catarina
>> 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
>> http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>> ------------------------------------------------------
>>
>> Em 30/04/2013, às 15:14, Manuel Doria <[email protected]> escreveu:
>>
>>> O problema do *argumentum ad verecundiam* é o apelo para autoridades *
>>> inadequadas*. Essa é a instância falaciosa. Não há, em geral, problema em
>>>
>>> apelar para autoridades relevantes. Serve como proxy para uma justificação
>>> do argumento. O argumento pode ser sound não em virtude da autoridade ter
>>> determinado diploma ou título mas por ter as competências necessárias para
>>> ter realizado com veracidade determinado proferimento.   Isso é o que
>>> permite a racionalidade na atitude de se confiar na opinião de
>>> especialistas.
>>>
>>> Não creio que a crítica que foi feita é de que não pode-se ser filósofo da
>>> ciência sem ser cientista de formação, mas sim que filósofos da ciência
>>> precisam estudar ciência. Muita filosofia da ciência é feita de forma
>>> apriorística, como se fosse autônoma do conteúdo empírico das teorias
>>> científicas, o que é um absurdo.
>>>
>>> Thomas Kuhn, James Ladyman e vários outros célebres filósofos da ciência
>>> têm/tiveram uma formação científica. Outros adquiram o expertise necessário
>>> de forma diletante, como dois dos mais renomados filósofos da biologia
>>> contemporâneos, Alex Rosenberg e John Wilkins.
>>>
>>> Ter uma formação científica também de forma alguma é garantia para manejar
>>> de forma intelectualmente responsável as questões metafísicas e
>>> epistemológicas fundamentais de sua própria disciplina. Como exemplo, uma
>>> série de disparates que o físico Lawrence Krauss falou a respeito da
>>> filosofia em geral no último ano; outro filósofo-cientista que gosto muito,
>>> Massimo Pigliucci, possui um resumo da novela:
>>> http://rationallyspeaking.blogspot.com.br/2012/04/lawrence-krauss-another-physicist-with.html
>>>
>>> Lawrence Krauss depois publicou um mea culpa depois de puxões de orelha por
>>> parte de amigos seus e filósofos:
>>> http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=the-consolation-of-philos
>>>
>>> Muito do ensinado no Halliday não é ensinado no EM. Em Física I, por
>>> exemplo, problemas de mecânica com massa variável exigem Cálculo. Mas eu
>>> diria que o grosso e mais interessante de um bacharelado em Física é
>>> aprender a manejar o formalismo analítico canônico - algo que é mais raro
>>> de ser estudado de forma diletante.
>>>
>>> Um forte abraço.
>>>
>>>
>>> 2013/4/30 Julio Fontana <[email protected]>
>>>
>>>> Aqui no Brasil o debate sempre acaba "evoluindo" do ad hominem para os
>>>> argumentos de autoridade.
>>>> E quer dizer que para ser filósofo da ciência tem que ser físico. A
>>>> maioria dos físicos não conhecem filosofia e não conhecem história da
>>>> ciência. Uma graduação em física não quer dizer nada. Em muitas faculdades
>>>> de física o curso é o mesmo que o de engenharia. Talvez o cara saiba melhor
>>>> a parte computacional da física. O que que tem no Halliday que não tenha
>>>> sido ensinado no EM?
>>>>
>>>> Julio Fontana
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Prof. Dr. Walter Carnielli
Director
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
State University of Campinas –UNICAMP
13083-859 Campinas -SP, Brazil
Phone: (+55) (19) 3521-6517
Fax: (+55) (19) 3289-3269
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