O João Marcos, o JY e o Rodrigo são pessoas que têm o conhecimento e a
virtude maior de compartilharem o que sabem com os outros de maneira muito
generosa.

Em 4 de janeiro de 2013 23:55, Carlos Gonzalez <[email protected]>escreveu:

> Prezado JM e lista,
>
> Em primeiro lugar: obrigadão e obrigadíssimo. Os teus esclarecimentos
> deixam claros problemas complexos.
>
> Esta questão, além de dar lugar a "muitos comentários", daria lugar a
> um paper (ou mais?). Assim vou comentar o mínimo indispensável.
>
> O Γ para enfraquecer a regra "2)": eu esqueci.
>
> Eu pensei nos livros introdutórios à logica quando falei que não me
> lembrava de alguém usando "1)". Os de lógica modal tem de usar "2)"
> para não complicar questões como a regra Nec.
>
> Eu concordo que MP (local) e Detachment (global) devem ser claramente
> distinguidas pelo simples fato de que *são* duas regras diferentes, de
> modo que tratá-las ambiguamente, como se fossem só uma, é um *erro
> conceitual" em lógica. Se são equivalentes em certos sistemas, então
> são duas regras diferentes que são equivalentes nesses sistemas, como
> P e ¬¬P são proposições equivalentes na lógica clássica.
>
> Quando eu escrevo "É claro que a implicação estaria bastante mal
> determinada" estou sendo pouco claro. O teu exemplo é pertinente,
> porque isso não quer dizer que está mal determinada como operador
> proposicional. O que eu queria dizer é que um conetivo assim é difícil
> de ser visto com concordância com alguma noção intuitiva de
> condicional. É mais para o lado:
> >> "Sem dúvida faltaria neste caso à implicação
> >> uma das suas propriedades mais fundamentais."
>
> Toda esta discussão, começando com a confusão entre axioma e regra,
> terminando nas propriedades estruturais dos sistemas formais e a
> ambiguidade ao nomear certas regras, segundo a minha opinião, forma
> parte de conceitos lógicos importantes e fundamentais que parecem
> bastante omitidos, mas eu acho que deveriam ser esclarecidos,
> inclusive nos livros introdutórios. E as relações entre as
> propriedades estruturais dos sistemas formais e propriedades das
> álgebras correspondentes também me parecem coisas fundamentais, mas a
> um nível mais complexo.
>
> Um 2013 cheio de realizações para vc e para todos os lógicos da lista.
>
> Abraços
>
> Carlos
>
> 2013/1/4 Joao Marcos <[email protected]>:
> > Olá, Carlos:
> >
> >> Tenho medo de ter interpretado mal os teus comentários.
> >
> > Mas eu acho que você os interpretou muito bem!
> >
> >> Confirma isto, por favor:
> >>
> >> 1) A regra MP global é:
> >> De ⊢P  e ⊢ (P => Q), obtém ⊢ Q
> >>
> >> 2) A regra local seria:
> >> P, (P=>Q) ⊢ Q
> >>
> >> P e Q metavariáveis indicando fórmulas.
> >
> > Isso.  Na regra local eu incluiria ainda um contexto arbitrário (um
> > conjunto de fórmulas) em meio às premissas.  Mas se você puder contar
> > com a monotonicidade de ⊢, está resolvido.
> >
> >> Eu não me lembro de alguém usando 1), pois os livros que eu me lembro
> usam 2)
> >> Vc lembra algum livro de texto de lógica usando 1) ?
> >
> > Quase todo livro de lógica modal (principalmente da "tradição
> > filosófica")!  Veja por exemplo as regras do clássico Hughes &
> > Cresswell:
> >
> > MP (The Rule of Modus Ponens, sometimes also called the Rule of
> > Detachment): If α and α=>β are theorems, so is β.
> > N (The Rule of Necessitation): If α is a theorem, so is Lα.
> >
> > Por isso mesmo eu sou a favor de separar "modus ponens" (a regra
> > local) de "rule of detachment" (a regra global).
> >
> >> Com as definições habituais de dedução, etc., 2) implica 1) de maneira
> >> quase imediata.
> >
> > Correto.  E (1) implica (2) se o sistema for *estruturalmente
> > completo*, como é esclarecido naquele verbete que você enviou.
> >
> >> Num sistema consistente e completo da lógica proposicional clássica,
> >> 1) tem de implicar 2). Mas 2) deveria ser demonstrada como metateorema
> >> usando os recursos de cada sistema em particular.
> >
> > Correto, se estamos falando de sistemas axiomáticos usuais.  Em
> > sistemas de Genten, por outro lado, em geral nem é preciso demonstrar
> > tal metateorema.
> >
> >> Como seria de fraco um sistema que vale 1), mas não vale 2) ou,
> >> incluso é possível mostrar um contraexemplo no qual P e (P=>Q) são
> >> verdadeiras e Q falsa? É claro que a implicação estaria bastante mal
> >> determinada.
> >
> > Sem dúvida faltaria neste caso à implicação uma das suas propriedades
> > mais fundamentais.
> >
> > O que dizer, por outro lado, de:
> >
> > 3) A regra Nec global:
> > De ⊢P obtém ⊢ LP
> >
> > 4) A regra Nec local:
> > P ⊢ LP
> >
> > Na lógica modal temos (3) e não (4), certo?  E o conectivo L não está
> > exatamente "mal determinado", está?
> >
> >> Eu não sei muito bem qual é a relação entre essas regras e o teorema ou
> axioma:
> >> ⊢ ((P^(P=>Q))=>Q)
> >> equivalentemente:
> >> 3) ⊢ P=>((P=>Q)=>Q)
> >> Claro que isso sai de 2) usando teorema da dedução.
> >> Se vc tiver 1) e 3): o que precisaria para metademonstrar 2)?
> >
> > Boa pergunta!  As características da noção de consequência vão ter
> > certamente o seu papel...
> >
> >> Eu mandei para o artigo da wikipedia pois não conheço livro de texto
> >> que fale disso. Vc conhece?
> >
> > Não estou seguro.  Certamente não se encontra estas coisas nestes
> > manuais antigos e antiquados de Lógica que continuam sendo estudados e
> > recomendados pela turma da Velha Guarda. :-)  Talvez o "Admissibility
> > of Logical Inference Rules", do Rybakov?  Talvez o "Structural Proof
> > Theory", da Sara Negri?  O "Intermediate Logic", do Bostock?
> >
> > Abração, Feliz 2013, e fique à vontade para encaminhar a minha
> > resposta para a lista, caso deseje.
> > Joao Marcos
> >
> > --
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