Obrigado pela referência, não tinha conhecimento de uma neo-silogística.
Uma coisa é clara: a lógica aristotélica não pretendia ser "mecanicista",
por isso há todo um aparato preparatório antes da teoria dos silogismos.
Uma visão mecanicista é um não-entendimento da lógica clássica. Também
suspeito que os fundadores da moderna lógica clássica queriam convertê-la
em um cálculo que eles mesmos não interpretavam mecanicamente, ou seja, que
se prestasse a ser aplicado cegamente. Aristóteles deixa claro que todas
aquelas figuras de silogismos e as leis que as regem só fazem sentido
dentro de uma argumentação que tenha algum conteúdo. Mas, enfim, é o
conflito entre aqueles que buscam a consciência do que fazem e os que só
querem manipular os símbolos no quarto chinês.

Em 31 de dezembro de 2012 14:24, FRANK THOMAS SAUTTER
<[email protected]>escreveu:

> Segundo Whitaker, em "Aristotle's De Interpretatione", as proposições
> indefinidas (proposições não-universais sobre universais) respondem por um
> tipo à parte de proposições, não se identificando com as proposições
> universais sobre universais. Elas são utilizadas no interior da metafísica,
> por exemplo, na enunciação de definições. Desse modo "X é Y" pode ser
> verdadeira, ainda que "Todo X é Y" seja falsa. Sobre essa discussão a
> respeito de variáveis livres, vale a pena considerar, ainda com respeito à
> silogística, o tratamento dado aos termos singulares na neosilogística de
> Fred Sommers e George Englebretsen: no processo de acomodação a termos
> gerais, os termos singulares têm uma quantificação "selvagem" (a expressão
> não é minha, mas de Sommers e Englebretsen), ou seja, utilize a
> quantificação que for mais conveniente - universal ou particular (o termo é
> distribuído ou não distribuído) - de tal modo a maximizar o número de
> silogismos válidos. Você pode, inclusive, no mesmo silogismo, adotar uma
> ocorrência de um termo simples como universalmente quantificada e uma outra
> ocorrência do mesmo termo simples como particularmente quantificada. A
> lógica da quantificação "selvagem" parece ser bem interessante de ser
> formalizada como uma lógica de predicados. Creio que uma interpretação que
> favorecesse a maximização de inferências válidas resultaria em uma lógica
> paraconsistente e uma interpretação que favorecesse a maximização de
> inferências inválidas resultaria em uma lógica paracompleta.
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