Você se recorda de ter ouvido a falar a respeito de quando o Brasil
foi parte da Espanha?

Quando vivi em Portugal _descobri_ que um dos principais feriados
nacionais d'além-mar é o dia da Restauração (comemorada, aliás, no
próximo sábado).  Embora uma "praça de restauração", em um shopping
(ops, centro comercial) lusitano seja o local em que encontramos os
restaurantes ---a nossa "praça de alimentação"---, a Restauração
portuguesa não é a festa da refeição, mas diz respeito à Restauração
da Independência.  Portugal também nunca foi colônia da Espanha, mas
aproveitou a oportunidade da "revolta da Catalunha" de 1640 para
colocar fim à dinastia filipina que havia colocado um único rei
(espanhol?) à cabeça dos reinos de Portugal e Espanha desde 1580.  Mas
se Portugal foi, mereologicamente, _parte_ da Espanha, o Brasil como
_colônia_ de Portugal também terá sido parte ou colônia da Espanha?

E o que dizer do navegante espanhol (genovês!) que _descobriu_ a
América (como um todo) mas não _descobriu_ o Brasil?  O Brasil será
talvez o único país da América a ter seu próprio descobridor.  Aliás,
em Portugal se fala do Descobrimento e aqui se fala na Descoberta...
(Não sei exatamente quando foi que o Brasil descobriu a Europa, mas
alguns certamente prefeririam que isto nunca tivesse acontecido.)

Sim, e a Independência do Brasil do recém-inventado "Reino de
Portugal, Brasil e Algarves" também foi decretada pelo filho do rei de
Portugal, aqui imperador D. Pedro I, mais tarde conhecido em Portugal
como rei D. Pedro IV, "o Libertador" (e muito libertador, de fato,
pois após liberar o Brasil em 1822 ele deixou seu filho pequeno para
trás e invadiu Portugal para liberá-lo do seu próprio irmão, "o
Usurpador", em 1832).

Não sei como usar Lógica para resolver todo este imbroglio, que
certamente é ainda mais complicado do que eu fiz parecer.
JM


2012/11/28 Tony Marmo <[email protected]>:
>  Caros Participantes
>
>
>
> Essa é uma experiência que eu observei de perto. Pessoas que aceitam como
> verdadeira uma proposição A, mas rejeitam simultaneamente a implicação
> tautológica A=>(B=>A) e inferir por modus ponens que B=>A, mesmo quando há
> uma relação de relevância entre A e B.
>
>
>
> A situação é a seguinte: numa cidade da Holanda, todos os anos, no mês de
> outubro, comemora-se a resistência dos habitantes, num cerco, contra tropas
> de Espanha pela independência, também dita libertação, da Holanda.
> Pergunte-se a um holandês “independência ou libertação do quê?” e ele
> responde normalmente “da Espanha”. Mas, em seguida tente tirar alguma
> ilação disso, tal como “se a Holanda se tornou independente da Espanha,
> então antes a Holanda era colônia da Espanha?” Automaticamente o mesmo
> holandês dirá “jamais”. Pergunte, então “era província da Espanha?” O mesmo
> holandês dirá “evidentemente que não”. Tente reformular uma vez mais a
> pergunta: “era possessão espanhola?” “Não mesmo”, dirá o holandês. Tente
> mais uma: “digamos então que a Holanda fazia parte da Espanha?” E o
> holandês: “Nunca fez, que absurdo!” Pela última vez, experimente mais uma
> reformulação da pergunta: “os espanhóis haviam invadido, dominado ou
> anexado a Holanda?” E o holandês sentenciará: “aha, eles que tentassem!”
>
>
>
> Eu várias vezes tentei colocar a questão para alguns na forma da
> implicação:
>
>
>
> [1] Se a Holanda lutou para se tornar independente da Espanha, então o fato
> da Holanda ter pertencido à Espanha implica que ela lutou para se tornar
> independente.
>
>
>
> Mesmo mostrando o raciocínio que teria de existir uma vez aceite a
> proposição “a Holanda lutou para se tornar independente da Espanha” e mesmo
> havendo uma conexão de relevância entre esta proposição e “o fato da
> Holanda ter pertencido à Espanha”, os holandeses tinham dificuldade de
> entender o raciocínio, dado que a ideia do país deles não ter sido
> independente é completamente repugnante. É como se “a independência da
> Holanda” fosse uma verdade que não pudesse ter nem premissa nem
> consequência.
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