João Marcos
Na mesma linha de pensamento, eu diria que sim. Mas nda impede que usemos outra 
teoria na metamatemática. Usamos a clássica por familiaridade, mas na verdade 
usamos menos, talvez um fragmento construtivo dela que nos permite entender 
como combinar sinais, etc. As poucos, a partir desta atividade "combinatória", 
elaboramos sistemas sofisticados, como ZF e então "entramos nele" e 
reconstruímos tudo de novo. Por exemplo, quando apresentamos aos nossos alunos 
a linguagem preposicional, mencionando ~, ^ p, q, etc., onde estamos 
trabalhando? Uma reposta é dizer (não para eles) que estamos em ZF e esses 
símbolos são nomes de conjuntos. Já mencionei isso aqui, e repito. Kunen, num 
belo livro chamado The Foundations of Mathematics, diz que a lógica é algo que 
se faz duas vezes. Concordo. Mas vamos ver o que o pessoal diz de sua pergunta.
Só mais uma coisa. Pensemos na verdade a la Tarski. Já viu alguém mencionando 
"onde" a "definição" está sendo dada? Seria a mesma coisa em NF ou em outro 
sistema? Lembre que em NF a recursão só vale para fórmulas estratificadas. A da 
definição de verdade é? Que eu saiba, ninguém checou...Os filósofos não debatem 
isso, curiosamente. Lembro de ter lido que Skokem falou que a noção tarskiana 
dependia da noção de conjunto e que Tarski, que estava presente, não gostou.
Abraço
Décio

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Décio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-900 Florianópolis - SC - Brasil
http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Em 10/12/2011, às 18:43, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:

> O trecho a seguir não se trata de filosofia continental:
> 
>> o dispositivo que denominamos de lógica clássica (nada trivial de delimitar)
>> se deve a uma série de fatores como evolutivos, culturais, etc. que foram
>> se sedimentando em nossa cultura ocidental. Para mim não há nada a
>> priori nisso, e os sistemas lógicos têm caráter empírico, mas deixo os
>> detalhes de lado, sendo sugeridos até mesmo pela ciência.
> 
> Trata-se de uma opinião peculiar, sem dúvida, e que me sugere lançar a
> seguinte questão relacionada:
> 
> Será que o uso da "lógica clássica" (ou algo parecido) como metalógica
> para o estudo dos fundamentos da matemática se deve de fato a "fatores
> evolutivos, culturais, etc que foram se sedimentando na cultura
> ocidental"?
> 
> O que acham os demais colegas?
> 
> 
> JM
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