Olá Joao,

OK, já que você está de fato aberto a  opiniões contrárias,  e  ,
espero, a favor, eu tenho  uma
opinião:  concordo com tudo isso,e  acho uma profecia  irrelevante.
Primeiro, tudo vai mudar mesmo, e    cair em desuso, até  o Universo.
Segundo, essa coisa  interessante sobre  regras de produção faz parte
do jargão dos autômatos finitos  e já tem sido  pensada e trabalhada
há pelo menos 25 anos  por Paul Rosenbloom e Cia.
Acho que o que você  diz é  verdade, mas as consequências (opa!  não
"sintáticas") são irrelevantes.

Vamos passar  agora  mais 23  dias discutindo isso?  Talvez  vocês que
digitam bem e enxergam o teclado melhor que eu.

By the way, o Tony Marmo está  proibido de se manifestar na  Lista
enquanto não entregar as correções da sua Dissertação. Esta
interdição vale até ele me mostrar  o trabalho   (   :-) just joking,
mas quase  sério..)

Abs,

Walter

Em 17 de outubro de 2011 01:10, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
> Tony, e demais colegas:
> [Começo outro assunto, já que este especificamente não tem nada a ver
> com "lógica modal".]
>
> Não estou esperando que todos concordem comigo (e não lançaria
> provocações numa _lista de discussão online_ se quisesse apenas falar
> o que penso e não ouvir a opinião dos outros a respeito).  Estou
> apenas fazendo uma profecia :-), qual seja: não vai passar muito tempo
> até que o equivocado termo "consequência sintática" caia em completo
> desuso, junto a tantos outros.  Anote aí.
>
> Apenas uso o termo "sintaxe" no sentido que ele tem em computação, e
> que de fato herda da linguística.  Se você não gosta disso, vai ter
> que encontrar outro termo que separe, por um lado, a tarefa
> exclusivamente linguística que consiste na construção da _álgebra de
> termos_ que constitui a sintaxe lógica, da tarefa, por outro lado,
> específica de cada lógica, de dizer "o que segue de quê".  Você pode
> preferir chamar a segunda tarefa de "gramática", por exemplo, no
> sentido segundo-wittgensteiniano.  Tudo bem.  Observe contudo uma
> coisa: a construção da sintaxe de uma linguagem também envolve
> _regras_, as chamadas *regras de produção*.  Estas regras, contudo,
> são _completamente diferentes_ das regras que usamos para fornecer uma
> _interpretação_ para os signos linguísticos, e dizer, por exemplo,
> qual a _função_ da conjunção no uso da linguagem na argumentação.
> Estas segundas regras, interpretativas, não se identificam de modo
> algum com a "sintaxe".  Mesmo se você insistir em usar um termo que
> inclua ambos os tipos de regras, pode igualmente sentir falta de
> termos que as distingam.
>
> Exemplo: podemos ter uma regra de produção que diga que uma palavra
> AcB é _sintaticamente bem construída_ se ambas A e B forem
> sintaticamente bem construídas e c for um construtor binário, usado em
> notação infixa.  Por outro lado, podemos dizer que AcB é _derivável_ a
> partir de A e B pelo uso da "regra de introdução de c".  Se "c" for a
> conjunção clássica, de fato, ambas as regras acima fazem sentido; mas
> se "c" for qualquer outro conectivo, a segunda regra pode se revelar
> desinteressante, excessiva, ou mesmo equivocada.
>
> É claro que a gente pode passar a vida repetindo sem cessar o que
> encontra nos nossos alfarrábios preferidos, textos sobre Frege,
> Aristóteles ou Carnap (são estas as referências que aparecem na seção
> "syntactic consequence" do verbete "Syntax (logic)" na Wikipédia).
> Mas a gente também pode acordar deste torpor e adotar uma terminologia
> que faça mais sentido após o desenvolvimento da "proof theory" ou da
> "proof-theoretic semantics" hodierna (e já lá se vão quase 80 anos que
> a coisa começou).
>
> Agora, por favor não diga que o termo "consequência sintática" tem 400
> anos, ou invoque "tradição" para ir contra o progresso natural da
> ciência...
>
> Como eu já disse, é claro que estas coisas que eu afirmo refletem
> apenas a _minha opinião_, e eu posso me revelar um mau profeta.  Que
> venha o progresso, que venha o futuro!
> Joao Marcos
>
>
> 2011/10/16 Tony Marmo <[email protected]>:
>> João,
>> Acho que você se comunica melhor que eu. Mas, não é tudo que todo mundo vai
>> concordar com você, mesmo você tendo mais competência que muitos de nós.
>>
>> O termo sintaxe na linguística não tem exatamente o mesmo sentido de sintaxe
>> na lógica e na teologia. Você de fato parece usar o termo "sintaxe" no
>> sentido dos linguistas. Mas, não é bem isso o que os lógicos querem dizer:
>> há mais coisas do que, por exemplo, questões de boa formação.
>> Mas, a distinção entre derivação sintática e consequência semântica não é só
>> comum na literatura lógica: ela é acertada e necessária, e enraizada
>> profundamente nos estudos lógicos. Somente se pudéssemos apagar os últimos
>> 400 anos de pesquisa em lógica seria possível eliminar essa distinção.
>> Em todo caso, os reducionistas a que me refiro querem, no fundo, consciente
>> ou inconscientemente, justamente ficar apenas com a derivação sintática e
>> negar a consequência semântica. Tratam uma lógica modal como um cálculo
>> qualquer, com axiomas sem se importaram com as propriedades.
>>
>> Em 16 de outubro de 2011 01:42, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
>>>
>>> Tony:
>>>
>>> Não pretendo estender esta conversa indefinidamente.  Você pode ter
>>> certeza de que conheço a fundo os capítulos 2 e 3 deste livro, do qual
>>> sou de fato revisor...  Mas isso não vem ao caso.
>>>
>>> Entendo que você incorre basicamente em duas confusões: (1) a confusão
>>> entre "sintaxe" e *derivabilidade lógica*; (2) a suposição de que a
>>> impossibilidade de uma *semântica matricial finita* para uma lógica
>>> implica a adoção de uma "semântica de mundos".
>>>
>>> A confusão (1) não é exclusiva sua --- embora me espante mais no seu
>>> caso, por se tratar de um linguista --- mas ainda é, infelizmente,
>>> demasiado comum na literatura lógica.  A *sintaxe* diz respeito à
>>> construção das sentenças bem-formadas da linguagem, não mais.  Um
>>> *formalismo dedutivo* (ou uma *semântica*), por outro lado, é capaz de
>>> definir uma noção de consequência / uma lógica.
>>>
>>> (Em particular, defendo que o termo "consequência sintática" é uma
>>> bobagem.)
>>>
>>> Assim, _sintaticamente_ não há diferença entre as lógicas modais
>>> usuais, assim como não há diferença _sintática_ entre a lógica
>>> clássica e a intuicionista.  Para fazer um paralelo: em um *jogo* (ou
>>> na Lógica), a "sintaxe" diz respeito ao tabuleiro e às peças; o
>>> movimento das peças, por sua vez, está para ser explicado/justificado
>>> pela "teoria das demonstrações" (ou pela "semântica formal", ou pela
>>> "álgebra" ou... ou...).
>>>
>>> Quanto à confusão (2), não sei se tenho muito mais a acrescentar ao
>>> que eu já expliquei repetidas vezes: uma coisa simplesmente não
>>> implica a outra.
>>>
>>> Outra coisa: a observação que você citou sobre a deficiência dos
>>> "métodos sintáticos" (mais propriamente, na terminologia que sugeri
>>> acima, "formalismos dedutivos") na justificação da
>>> *não-derivabilidade* deve ser lida no contexto do livro em questão, no
>>> qual os tais métodos sintáticos se referem a axiomáticas hilbertianas
>>> para as lógicas modais.  Troque (e eu não afirmo que esta "troca" seja
>>> fácil de fazer, em geral) este cálculo axiomático por um bom cálculo
>>> de sequentes, ou um bom sistema de tableaux, e a coisa se resolve
>>> pacificamente tanto para um lado (o da derivabilidade) quanto para o
>>> outro (o da não-derivabilidade).
>>>
>>> * * *
>>>
>>> Para tentar entender a impossibilidade da nossa comunicação,
>>> recordo-me que sobre estas coisas você escreveu, numa outra mensagem
>>> recente:
>>>
>>> > Algumas correntes lógicas, assim como no matemática, enxergam as
>>> > verdades
>>> > lógicas ou matemáticas básicas como consequências de um nada.  São
>>> > verdades
>>> > por si mesmas e achar modelos ou semânticas para uma lógica é algo que
>>> > vem
>>> > depois. Já do ponto de vista da lógica modal, o correto é primeiro
>>> > vislumbrar os
>>> > modelos e depois vermos que verdades lógicas lhes correspondem.
>>>
>>> Não sei em quais "correntes lógicas" você me filiaria, ou o que
>>> exatamente você quer dizer com "verdades lógicas".  Mas certamente eu
>>> me identificaria com alguém que não vê motivo para dizer que o correto
>>> é começar por tal semântica ou tal outra, ao estudar lógica.  E olhe
>>> que eu fui prioritariamente um semanticista durante toda a minha
>>> carreira!  A explicação para a minha discordância é prosaica: eu
>>> simplesmente não acredito no "correto".  E, ao mesmo tempo, acredito
>>> que uma mesma lógica pode frequentemente ser estudada com proveito a
>>> partir de vários pontos de vista completamente diferentes.
>>>
>>> Abraços, e bom trabalho!
>>> Joao Marcos
>
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Prof. Dr. Walter Carnielli
Director
Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
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13083-859 Campinas -SP, Brazil
Phone: (+55) (19) 3521-6517
Fax: (+55) (19) 3289-3269
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