Oi Julio,

há dois anos e pouco atrás eu dei aulas particulares pra um cara que
estava tentando estudar por esse livro do Cezar Mortari, e estava
completamente perdido... Aí eu "descobri" que só os alunos muito bons,
que num certo sentido já sabem lógica, conseguem lidar com a abordagem
desse livro, que fala quase o tempo todo de um universo que nunca é
definido completamente, e no qual novos objetos e novos predicados
podem ser introduzidos a qualquer momento... Quando eu comecei a pôr
ele pra trabalhar só com expressões finitas, com regras de manipulação
bem-definidas, ele não se perdeu mais - e depois de um tempo ele
aprendeu a criar conjuntos com Miau e Cléo, e a criar os tais
"universos" como conjuntos (finitos)... e a gente aprendeu a não
gostar do livro do Mortari.

> Compare com o mercado dos livros de Direito. Movimentam bilhões por
> ano. Esmagadora maioria de autores brasileiros. Por isso os
> professores e autores da área de Direito estão ricos e nós pobres.

O mercado dos livros de Lógica em Português movimenta bilhões por ano?
Alguém de nós tem que virar o Paulo Coelho dos livros de Lógica! Quem?
Mas mudando de assunto, alguns professores lá de onde eu trabalho são,
hm, "relativamente milionários", e o grande truque deles é que eles
mudaram a lógica deles, sabem um pouquinho de direito, muito de
realidade e têm muita cara-de-pau, e aí coisas que pra mim seriam
corrupção pra eles são simplesmente "the way to do business"... Ou
seja, não concordo com o seu "Por isso..." - e além disso confesso que
esse argumento dos bilhões me causa arrepios.

Anyway, desculpe ter meio que mudado de assunto.
  [[]],
    Eduardo Ochs
    eduardoo...@gmail.com
    http://angg.twu.net/


2011/2/25 Julio Fontana <juliocesarfont...@yahoo.com.br>:
> Estudei alguns manuais de lógica como Logic with Trees de Colin Howson e
> Introduction to Logic de Patric Suppes e Lógica : um curso introdutório de W. 
> H.
> Newton-Smith. Ainda acho o manual de lógica de Cezar Mortari o melhor manual 
> de
> introdução à lógica. Por que ainda se insiste em adotar livros de autores
> estrangeiros nas nossas universidades?
> O mesmo acontece com os livros do professor Luiz Henrique de A. Dutra. São
> livros que não perdem em nada para aqueles produzidos no exterior. Produzimos
> não poucas vezes algo melhor do que aquilo que vem de fora. Não estou dizendo
> que ler os autores estrangeiros não sejam importantes, principalmente aqueles
> que já se tornaram clássicos. Porém acho que possuímos material que não pode 
> ser
> desprezado. Depois reclamamos que não há mercado para autores nacionais. 
> Compare
> com o mercado dos livros de Direito. Movimentam bilhões por ano. Esmagadora
> maioria de autores brasileiros. Por isso os professores e autores da área  de
> Direito estão ricos e nós pobres. Comparem o valor da conferência de um Sylvio
> Capanema com a de qualquer filósofo ou lógico brasileiro.
>  Julio Fontana
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