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Aos 85 anos
Morreu Mandelbrot, o pai dos fractais
Teresa Firmino
17.10.2010

Inventou o termo fractal, na década de 70, que
veio a torná-lo mundialmente famoso. Benoît
Mandelbrot, o matemático franco-americano que
descreveu uma nova classe de objectos
matemáticos, com uma geometria dita fractal,
morreu de cancro do pâncreas aos 85 anos, em
Cambridge, nos Estados, Unidos, onde vivia -
anunciou hoje a sua família.

Nascido na Polónia, numa família judia,
Mandelbrot mudou-se para Paris quando tinha 11
anos, em 1936, numa antecipação da ameaça nazi.
Durante a II Guerra Mundial trabalhou numa quinta
em França e, depois da guerra, estudou em Paris e
na Califórnia. Em 1952, concluiu o doutoramento
em ciências matemáticas em Paris; em 1958, rumou
aos Estados Unidos para fazer investigação
científica na IBM, onde permaneceu cerca de 30
anos. No final da década de 80, juntou-se à
Universidade de Yale, onde ficou até à sua
reforma, em 2005.

Foi em 1975 que Mandelbrot inventou o termo
fractal, para descrever objectos matemáticos
fragmentados e irregulares, cuja estrutura se
repete a diferentes escalas. Matematicamente,
podem ser objectos infinitos, em que escalas cada
vez mais pequenas repetem a geometria da escala
maior. A imagem de fractais mais conhecida
chama-se precisamente Conjunto de Mandelbrot.

A natureza está repleta de objectos com geometria
fractal (que, neste caso, não se repete
infinitamente), como é o caso de uma linha
costeira ou do sistema de circulação sanguínea.
Ou de uma couve-flor, o exemplo que Mandelbrot
escolheu no início deste ano, numa das famosas
conferências TED, nos EUA. "Se cortarmos um dos
ramos da couve-flor, vemos toda a couve-flor, mas
mais pequena. Se cortarmos o ramo outra vez, e
mais outra, e outra, teremos couves-flores mais
pequenas. Portanto, há formas que têm esta
peculiar propriedade, em que cada parte é como o
todo, mas mais pequena."

Os fractais, que muitos dos pares de Mandelbrot
começaram por considerar "monstruosos", nas
palavras do matemático, vieram a ter implicações
em várias áreas, desde a biologia até à física,
astronomia ou o sistema financeiro. O seu livro
"A Geometria Fractal da Natureza", de 1982,
popularizou estes objectos matemáticos, mesmo
entre não especialistas.

O Presidente de França, Nicolas Sarkozy,
salientou, em comunicado, que Mandelbrot tinha um
"espírito poderoso, original, que nunca hesitou
em inovar e em bater-se contra ideias
preconcebidas".
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