Viva, Julio C:
> Sim, eu estava falando da lógica do da Costa(63). Mas com certeza não sabia
> que
> estava tocando num 'equívoco' do da Costa.
E há outros equívocos, sem aspas, alguns ainda mais graves, *no mesmo
trabalho*...
Só para citar um equívoco pequeno, que também pode vir a lhe confundir
mais tarde se você persistir nesta linha de "aprendizado histórico", a
própria definição de *fórmula A bem-comportada*, abreviada como
A^{(n)}, apresentada na página 15 do livro de da Costa não é igual e
_nem mesmo equivalente_, para todo n>1, à definição que o mesmo autor
adotaria mais tarde. Por consequência, os sistemas C_{n+2} estudados
em da Costa 1963 *não são idênticos* aos sistemas homônimos estudados,
por exemplo, em outro "clássico", da Costa 1974 (o artigo no NDJFL).
Para dar um exemplo, na mencionada definição de da Costa 1963 a
fórmula A^{(3)} resulta numa abreviatura para [(A^\circ) \land
(A^\circ^\circ) \land ((A^\circ) \land (A^\circ^\circ))^\circ]. No
entanto, a definição que foi adotada em toda a literatura mais tarde,
incluindo todos os papers de da Costa, e para a qual ele de fato
ofereceu uma semântica vários anos mais tarde, com a ajuda de vários
colaboradores resulta na sentença [(A^\circ) \land (A^\circ^\circ)
\land (A^\circ^\circ^\circ)], que, repito, NÃO é equivalente à
sentença anterior.
E então, quais seriam os "verdadeiros" sistemas C_n, aqueles
apresentados em 1963 ou aqueles estudados mais tarde, sem qualquer
observação sobre serem diferentes dos sistemas originais? [*]
E por aí vai...
[*] Provavelmente você não vai encontrar nenhuma referência a este
"probleminha" acima em lugar algum da literatura, senão numa nota de
pé de página do capítulo 3.1 da minha dissertação de mestrado...
>>Os esquemas axiomáticos não possuem "variáveis sentenciais", mas sim
>>"variáveis esquemáticas".
>
> Muitas vezes me embanano nos termos técnicos. (como vê, também nas noções)
Não faz mal. Eu também faço isso. Todo mundo faz, uns pra mais outros menos.
>>PS: Sonho com o momento em que você vai finalmente se convencer de que
>>estudar livros e artigos de dois mil, de cem ou mesmo de cinquenta
>>anos atrás *nunca* é a melhor maneira de se inteirar de um assunto
>>relacionado à produção da Lógica (ou da Filosofia ou da Matemática) de
>>nossos dias... :-( Não é que você _não deva_ ler estes
>>artigos/livros, mas sim que você não deve lê-los *antes* de saber como
>>estas coisas foram vistas de lá pra cá. No mínimo no mínimo,
>>procedendo assim você perde a vantagem da perspectiva!
>
> Pô, João Marcos, se não fosse muito trabalhoso, eu realmente gostaria muito de
> uma lista com essas obras que você considera relevante para o aprendizado
> nesse
> assunto (lógicas não clássicas em geral, mas principalmente as
> paraconsistentes). Tenho muito interesse nisso mas minha *pesquisa* - como não
> tenho ninguém próximo que conhece tais lógicas - é como criar trilhas em mato
> fechado com um canivetinho, às vezes parece que encontramos algo, mas daí
> batemos a cara numa árvore ou encontramos bichos forçando a correr dali...
Não se engane: não tive facão à mão e também saí do mato com meu
canivetinho, deixando minha feroz tribo para trás... Preferi contudo
não me deixar "pacificar", junto aos demais, nem aceitei a assimilação
fácil.
A referência de pelo menos um apanhado geral recente sobre as lógicas
paraconsistentes da "escola brasileira" eu já lhe passei.
Persista, também!
Joao Marcos
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(in absentia, post-doc in cives vindobonensis)
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