Prezados, 1. uma pequena pergunta de terminologia:
eu sempre disse "o conditional" nunca "a conditional" em portugues. o que o pessoal fala na lista "logica"? 2. uma pequena informacao: eu acabei de fazer uma palestra no SRI (costumava ser o Stanford Institute of Technology) sobre o assunto de traducoes de linguagem natural (no meu caso o ingles) pra logica matematica, o abstract vai abaixo. faz parte de uma imensa literatura no assunto, que acho que a discussao aqui nao esta' fazendo justica... saudacoes, logicas e linguisticas, Valeria ----------------- A "Bridge" not too far *Valeria de Paiva* Cuil, Inc. [Home Page<http://www.cs.bham.ac.uk/%7Evdp/> ] *Date:* Thursday January 21, 2010 at 16:00 *Location:* AE201 (SRI A building) - not the usual location - (Directions<http://www.ai.sri.com/visiting/> ) Hosted by David Israel * Abstract* For many years (from 2000 to May 2008) I worked with PARC’s natural language processing group on technologies for (automatically) creating logical forms out of natural language sentences. This lofty goal was somewhat mocked and derided by friends both in logic and in computer science. Logicians supported by the view that natural language is too complicated for logic, computer scientists convinced that all virtue lies with statistics and logic has no part in it. I believe both sets of friends are wrong and that the project, which is the Holy Grail of several other groups of researchers, is very much alive and up for grabs. That judiciously picking of competing alternatives (in the vast space of possibilities) is a first step and that Open Source software is the right way of doing it. In this talk I would like to summarize what I learned, what I think would work best and I want to try to sketch how one could go about it. Also I would like to get at least some conclusions of what has been achieved and what small projects one could easily do to put in place a few more pieces of the big puzzle. 2010/1/28 Matheus <mateusm...@yahoo.com.br> > Olá Ricardo > > eu estou trabalhando com isso na minha pesquisa de mestrado. A condicional > material parece não captar adequadamente as condições de verdade da > condicional da linguagem natural. Há um ou outro caso que parece desmentir > isso, vou citar dois (como não estou certo se os símbolos dos conectivos vão > aparecer nos emails de todos, vou colocá-los em linguagem natural mesmo: > > > > P ou Q logo ~P então Q > > Ou o mordomo é o assassino ou o jardineiro é o assassino. Portanto, se o > mordomo não é o assassino, o jardineiro é o assassino. > > > > ~(P e Q) logo P então ~Q > > O mordomo e o criado não são ambos inocentes. Logo, se o mordomo é > inocente, o criado não é inocente. > > > Há também alguns exemplos de linguagem natural, como o mencionado pelo > Adolfo antes, que parecem reforçar a idéia de que a condicional material > capta adequadamente as condições de verdade da condicional da linguagem > natural. Contudo, há uma avalanche de casos que apontam num sentido > contrário. Ao meu ver a passagem da linguagem natural para a lógica > verofuncional é tão problemática quanto a passagem da lógica verofuncional > para a linguagem natural, entendendo por passagem aqui a preservação de > validade dos argumentos. Por exemplo, Edwards em* "**A Confusion about If > . . . Then" *apresenta casos em que a condicional material é verdadeira > num número maior de circunstâncias do que a sua equivalente em linguagem > natural e apresenta casos em que a condicional material é verdadeira num > número menor de circunstâncias que a sua equivalente em linguagem natural: > > > *Casos em que a condicional material é verdadeira num maior número de > circunstâncias * > > P então Q > > (P então Q) ou R > > ~[(P então Q) então R] > > R então (P então Q) > > ~[R então ~(P então Q)] > > > > *Casos em que a condicional material é verdadeira num menor número de > circunstâncias* > > > ~(P então Q) > > ~[(P então Q) ou R] > > ~(P então Q) ou R > > (P então Q) então R > > R então ~(P então Q) > > ~(P então Q) e ~R > > > > Entre outras coisas isso quer dizer que a condicional material é > logicamente mais fraca do que a condicional da linguagem natural, asserindo > menos do que ela, ao passo que a negação da condicional material ~(P então > Q) é mais forte em relação à negação da condicional natural. A partir disso > ele mostra que dada qualquer afirmação contendo um "se-então", se ele ocorre > como uma premissa em um argumento e a substituição do "se-então" pela > condicional material é inofensiva, então a substituição não será inofensiva > em qualquer argumento em que essa afirmação for a conclusão. E, vice versa, > dada qualquer afirmação contendo um "se, então", se ela ocorre como a > conclusão de um argumento e a substituição de "se, então" pela condicional > material é inofensiva, então a substituição não será inofensiva em qualquer > argumento em que essa afirmação apareceu como uma premissa. Ao dizer que a > substituição de "se, então" pela condicional material é inofensiva, eu quero > dizer que se o argumento em que a condicional material ocorre é válido de > acordo com o cálculo proposicional, então o argumento em que "se, então" > aparece é válido". > > > Penso que o exemplo que o Adolfo apresentou é fraco se comparado com outros > exemplos da linguagem natural que mostram inadequação da condicional > material. Para citar só dois exemplos. > > 1) Todo mundo conhece a regra de fortalecimento do antecedente que nos > permite a inferência: P então Q, logo (P e R) então Q > ** > O problema é que se aceitarmos isso teremos que dizer que os argumentos > abaixo são válidos: > > > ‘Se risco o fósforo, ele ascenderá’. Logo, ‘se mergulho o fósforo por uma > noite inteira na água e o risco, então ele ascenderá’. > > > > “Se eu colocar açúcar no meu café ele ficará saboroso. Se eu colocar açúcar > e óleo diesel no meu café, ele fiará saboroso”. > > ** > > 2) Sabemos que a condicional material é um cáculo verofuncional a partir do > valor de verdade de suas partes componentes. Não há meios de avaliar o > conteúdo das condicionais na tabela de verdade e qualquer exigência de > relevância do antecedente para o consequente é descartada. O problema é que > há inúmeros exemplos de condicionais que são verdadeiros ou falsos em função > da relevância do antecedente para o consequente. Por exemplo, a frase "Se > Fernando Pessoa é australiano, então ele é português" é falsa, pois exprime > uma conexão geográfica incorreta. O problema é que a partir da lógica > clássica teremos que dizer que é uma frase condicional verdadeira, pois o > consequente "ele é português" é verdadeiro. > > > > É importante entender o significado dessa discussão sobre a adequação da > condicional natural. Isso não é uma disputa entre partidários da lógica > clássica e defensores de lógicas não-clássicas mais desviantes, nem é uma > disputa entre partidários de uma concepção de linguagem comum e partidários > de uma concepção de linguagem ideal. Um defeito na lógica clássica não > estabelece a vantagem de lógicas rivais nem implica que devemos confiar > apenas numa noção intuitiva de validade. A questão é saber se a condicional > material é uma tradução correta da condicional natural. A discussão de > revisão ou não da lógica clássica e propostas de novos sistemas formais que > captem melhor o funcionamento semântico da condicional natural é uma > discussão que é relacionada, mas é diferente. É claro que esta também é uma > discussão importante, sobretudo em semântica formal. Basta ver a quantidade > enorme de propostas e sistemas na literatura de lógica dos condicionais. Só > pra citar alguns nomes pensem nos sistemas de Belnap e Anderson, N. > Rescher, Ernest Adams e William Cooper. > > > > Abs > > Matheus > > Original Message ----- > > *From:* Ricardo Pereira Tassinari <rica...@cle.unicamp.br> > *To:* Adolfo Neto <ado...@utfpr.edu.br> > *Cc:* Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de > LOGICA <logica-l@dimap.ufrn.br> > *Sent:* Thursday, January 28, 2010 3:49 PM > *Subject:* [Bulk] Re: [Logica-l]Explicação do significado da implicação > clássica > > Olá Adolfo e a todos. > > Abaixo uma pequena reflexão que gostaria de compartilhar sobre a implicação > na linguagem natural entre duas sentenças (que designarei por "se A então > B") e o conectivo condicional. > > Notemos então que o condicional pode ser parafraseado, em linguagem natural > por: "não é o caso que A e não B", já que ele é equivalente a ~(A&~B). > > Quando passamos DA IMPLICAÇÃO DA LINGUAGEM NATURAL PARA O CONECTIVO > CONDICIONAL, NÃO TEMOS PROBLEMA (como no exemplo que citou ou em "Se chove, > então a rua está molhada"), pois, se A então B, então temos que: não é o > caso que A e não B. Exemplo, se assumimos que "se chove, então a rua está > molhada", podemos sempre concluir que "não é o caso que chove e a rua não > está molhada". > > A VOLTA QUE É PROBLEMÁTICA, OU SEJA, PASSAR DO CONECTIVO CONDICIONAL PARA A > IMPLICAÇÃO NA LINGUAGEM NATURAL, ou ainda, passar de "não é o caso que A e > não B" para "se A então B". Exemplo: todos nós concordamos que "não é o caso > que a Lua é de queijo e o Sol é de gelo", mas nos é estranho dizer que "se a > Lua é de queijo então o Sol é de gelo". > > Ou seja, assumir que existe uma implicação na linguagem natural é > condição suficiente (mas não necessária) para assumirmos uma implicação > condicional. > > Assim, se um argumento é válido na linguagem natural (isto é se assumir as > premissas implica em assumir a conclusão), então sua formalização com o > condicional (conjunção das premissas condicional conclusão) será sempre > verdadeira; por isso, se o argumento é válido, então sua formalização tem > que ser, isto é, nunca encontraremos premissas verdadeiras e conclusão > falsa, mas nem sempre uma argumento formalmente válido fica bem em linguagem > natural. > > Abraço a todos, > Ricardo. > > 2010/1/28 Adolfo Neto <ado...@utfpr.edu.br> > >> Gostei do exemplo abaixo... >> >> Fonte: Introdução à Álgebra Abstrata, de Jaime Evaristo >> http://professor.ic.ufal.br/jaime/livros/Capitulo%25201.pdf >> p.11-12 >> >> O exemplo a seguir mostra que o significado matemático do se então, >> embora inusitado, tem >> sentido também no nosso dia a dia. Imagine que um pai anuncie para sua >> filha que vai fazer o >> vestibular para um curso de Medicina: se você passar, então eu lhe dou um >> carro. >> >> Se a filha foi aprovada (p verdade) e recebeu o carro (q verdade), o >> pai cumpriu a promessa >> (p => q verdade); se a filha foi aprovada (p verdade) e não recebeu o >> carro (q falso), o pai >> descumpriu a promessa (p => q falso); se a filha não foi aprovada (p >> falso) e não recebeu o carro (q >> falso), o pai não descumpriu a promessa (p => q verdade); finalmente, >> se a filha não foi aprovada >> (p falso) e recebeu o carro (q verdade), o pai também não descumpriu a >> promessa e, portanto p => q >> é verdadeiro (nesse caso, o pai pode ter entendido que a filha, mesmo >> não tendo sido aprovada, >> merecia, pelo resultado obtido, o prêmio - foi a primeira dos não >> aprovados, por exemplo). >> >> Como p => q só é falso se p é verdadeiro e q é falso, a demonstração de >> uma assertiva do tipo >> "se p então q" pode ser feita supondo-se que p é verdade e provando >> que, a partir daí, q também o é. >> Normalmente, o predicado p é chamado hipótese (que é o que se supõe >> ser verdadeiro) e o >> predicado q é chamado tese (que é o que se quer provar que é verdadeiro). >> >> >> ========================================== >> Adolfo Neto >> Departamento Acadêmico de Informática >> Universidade Tecnológica Federal do Paraná >> Fone: (41) 3310-4644 / Fax: (41) 3310-4646 >> Web: >> http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/~adolfo<http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/%7Eadolfo> >> Blog: http://professoradolfo.blogspot.com >> Twitter: http://twitter.com/adolfont >> ========================================== >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> Logica-l@dimap.ufrn.br >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> > > > > -- > Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia > UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília > Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari > > ------------------------------ > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > Logica-l@dimap.ufrn.br > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > Logica-l@dimap.ufrn.br > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > > -- Valeria de Paiva http://www.cs.bham.ac.uk/~vdp/ http://valeriadepaiva.org/www/
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