Também é extremamente daninho para a ciência e as universidades uma política
que supõe que a ciência é fragmentada e compartimentada em vários
departamentos das universidades.

 

Uma publicação relevante a respeito de Lógica, por exemplo, mas publicada
por uma revista com Qualis em Filosofia, mas não em Computação, esta sujeita
a não ser reconhecida como tal por determinadas coordenações de
pós-graduação.

 

Isto ocorreu comigo, e aí impediram-me de receber novos alunos e fiquei dois
anos sem novas bolsas, até a referida publicação ter também Qualis em
Computação.

 

Esta “burrocracia” e ideologia de fragmentação do conhecimento é talvez o
lado mais pernicioso das universidades e das políticas de pesquisa.
Infelizmente isto é até incentivado em alguns meios governamentais e aí
alguns coordenadores das pós-graduação obedecem a isto, sem reconhecer a
estupidez de tal ideologia.

 

a) Arthur Buchsbaum

 

De: [email protected] [mailto:[email protected]]
Em nome de Adolfo Neto
Enviada em: segunda-feira, 15 de junho de 2009 13:04
Para: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de
LOGICA
Assunto: [Logica-l] Por que a maioria da ciência brasileira é tão pouco
citada?

 

Do Blog de Suzana Herculano-Houzel (Professora da UFRJ):

"Por que, então, a maioria da ciência brasileira é tão pouco citada?",
pergunta alguém na platéia. Izquierdo não hesita: "porque ela é superficial:
são, em sua maioria, estudos superficiais sobre questões superficiais,
necessariamente publicadas portanto em revistas também superficiais.
Izquierdo diz que a política brasileira de aferir número de publicações, e
não impacto das publicações, dos pesquisadores reforça isso. É o que eu,
desde quando voltei ao Brasil, chamava, chateada, de ciência de
"abrir-a-geladeira-e-ver-qual-droga-vamos-testar-hoje". Fiquei confortada de
ouvir que alguém do calibre dele compartilha da minha crítica. Falta de
recursos não justifica falta de boas idéias.


Fonte:
http://www.suzanaherculanohouzel.com/journal/2009/6/13/agora-a-tiete-sou-eu-
que-simpatico-o-izquierdo.html




Agora a tiete sou eu: que simpático o
<http://www.suzanaherculanohouzel.com/journal/2009/6/13/agora-a-tiete-sou-eu
-que-simpatico-o-izquierdo.html>  Izquierdo! 


Conheço-o apenas de trocar cumprimentos e conversas rápidas em congressos,
nos quais ele sempre me cumprimenta calorosa e efusivamente (sempre para
minha grata surpresa, pois sinceramente não sei o que fiz para merecer
isso), e admiro-o desde quando descobri seu trabalho através do seu livro A
Arte de Esquecer. E hoje, graças a um novo formato peculiar de apresentação
no 5o Congresso de Cérebro, Emoção e Comportamento, onde estou em Gramado
(RS), gosto ainda mais dele.

O formato da apresentação permitiu que Iván Izquierdo, esse neurocientista
brasileiro mas argentino de nascimento, falasse sobre o sucesso de seu grupo
de pesquisa, que ele lidera no Rio Grande do Sul (primeiro na UFRGS, e há
alguns anos na PUC-RS) há 34 anos. Com cerca de 300 artigos publicados, já
citados em outros trabalhos mais de 12.000 vezes (!) - o recorde brasileiro,
de longe -, Izquierdo fala com a tranquilidade e amabilidade de quem não
precisa provar nada para ninguém. Sua autoridade é natural, merecida, não
auto-proclamada.

Izquierdo contabiliza uma longa lista de mestres e doutores formados em seu
laboratório, e contribuições reconhecidas internacionalmente em várias áreas
relacionadas à neurobiologia da memória: formação paralela de memórias de
curta e longa duração, extinção de memórias, persistência, efeito do estado
hormonal, e até o envolvimento fisiológico da proteina prion na formação da
memória. Toda sua pesquisa é feita no RS há mais de 30 anos, o que mostra
que nenhum fator interno impede a ciência brasileira de ser altamente
eficiente, bem-sucedida, altamente citada.

"Por que, então, a maioria da ciência brasileira é tão pouco citada?",
pergunta alguém na platéia. Izquierdo não hesita: "porque ela é superficial:
são, em sua maioria, estudos superficiais sobre questões superficiais,
necessariamente publicadas portanto em revistas também superficiais.
Izquierdo diz que a política brasileira de aferir número de publicações, e
não impacto das publicações, dos pesquisadores reforça isso. É o que eu,
desde quando voltei ao Brasil, chamava, chateada, de ciência de
"abrir-a-geladeira-e-ver-qual-droga-vamos-testar-hoje". Fiquei confortada de
ouvir que alguém do calibre dele compartilha da minha crítica. Falta de
recursos não justifica falta de boas idéias.

A receita do sucesso de seu grupo? "Trabalhar, trabalhar, trabalhar;
dialogar, dialogar, dialogar. Não considero meus estudantes subalternos, mas
jovens que, como jovens, têm comportamento diferente do meu", diz ele com
seu sotaque carregado, mas de tom sempre simpático, um prazer de ouvir. Lá
fora os estudantes me cercavam para tirar fotos comigo. Fiquei com pena de
não ter podido eu mesma tirar foto com o Iván Izquierdo. Era minha vez de
fazer tietagem neurocientífica!

 

 

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