It is a tale/told by an idiot, full of sound and fury,/signifying nothing. 2008/10/1 Edson Dognaldo Gil <[EMAIL PROTECTED]>
> Há ainda alguma coisa pela qual viver? Haverá algo a que valha a pena > dedicarmo-nos, além do dinheiro, do amor e da atenção à nossa família? Falar > de «algo pelo qual viver» tem um certo travo vagamente religioso, mas muitas > pessoas que não são absolutamente nada religiosas têm uma sensação incómoda > de poderem estar a deixar escapar qualquer coisa básica que conferiria às > suas vidas uma importância que, de momento, lhes falta. E estas pessoas > também não têm qualquer compromisso profundo com uma cor política. Ao longo > do último século, a luta política ocupou frequentemente o lugar que era > consagrado à religião noutros tempos e culturas. Ninguém que reflicta acerca > da nossa história recente pode agora acreditar que a política, por si só, > bastará para resolver todos os nossos problemas. *Mas para que outra coisa > poderemos viver? No presente livro, dou uma resposta. É tão antiga como o > alvor da filosofia, mas tão necessária nas circunstâncias actuais como > sempre foi. A resposta é que podemos viver uma vida ética. Ao fazê-lo, > passaremos a integrar uma vasta tradição que atravessa culturas. *Além > disso, descobriremos que viver uma vida ética não constitui um sacrifício > pessoal, mas uma realização pessoal. > > Se conseguirmos alhear-nos das nossas preocupações imediatas e encarar o > mundo como um todo e o nosso lugar nele, veremos que existe algo absurdo na > ideia de que as pessoas têm dificuldade em encontrar por que viver. Afinal, > há tanto que precisa de ser feito. Quando este livro estava prestes a > concluir-se, as tropas das Nações Unidas entraram na Somália numa tentativa > de assegurar que os alimentos chegavam às populações famintas. Apesar de > esta tentativa ter corrido muito mal, constituiu, pelo menos, um sinal > positivo de que as nações ricas estavam preparadas para fazer alguma coisa > acerca da fome e do sofrimento em áreas distantes. Podemos tirar as devidas > lições deste episódio, de modo a que as tentativas futuras sejam mais bem > sucedidas. Talvez estejamos no início de uma nova era na qual não nos > limitaremos a ficar sentados à frente dos nossos televisores a ver crianças > morrer e depois continuar a viver as nossas vidas abastadas sem sentir > qualquer incongruência. Mas não são apenas as grandes crises dramáticas e > com honras de noticiário que requerem a nossa atenção: há inúmeras > situações, numa escala mais reduzida, que são tão horríveis e evitáveis como > as maiores. Ainda que esta tarefa se nos afigure imensa, trata-se apenas de > uma das muitas causas igualmente urgentes às quais se podem dedicar as > pessoas que buscam um objectivo digno. > > (Singer, Peter. *Como Havemos de Viver?: A ética numa época de > individualismo*, pp. 13-14 [ > http://www.filedu.com/anunesareligiaoeosentidodaexistencia.html] Grifo > meu, edg.) > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > >
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