Caro Arthur,

Mais confusão da tua parte. A intuição criadora ou heurística, como a chama 
Moles, não é algo separado, isolado da razão. Pelo contrário, essa intuição, 
com i minúsculo, depende em tudo da razão. Ela depende da razão pra testar se o 
que me veio como resposta a um problema acerca do qual eu estava pensando é uma 
boa resposta, por exemplo.

Exemplos disso são muitos, começa desde o batismo. Lembra do Heureka de 
Arquimedes? Pois é, é daí que vem heurística de intuição heurística, Arquimedes 
teve a *intuição* ou insight sobre a medida de volume quando foi tomar banho em 
uma banheira e a água transbordou, portanto, não precisa de silêncio interior 
nenhum. De acordo com Puchkin e Moles, a única coisa realmente necessária para 
ter uma intuição criadora é ter pensado antes no problema e buscado de maneira 
sistemática uma solução para ele.

Outra confusão, essa grave demais, é afirmar que a razão baseada apenas no 
pensamento é incapaz de ir além do conhecido. A razão é tanto descobridora 
quanto criadora, prova disso é o próprio método científico. Na verdade todos 
sabemos que método científico é na verdade o nome dado ao conjunto de métodos 
da ciência, assim, ele compõe-se de indução, dedução, método hipotético 
dedutivo, ente outros. O método hipotético dedutivo é um método criativo e 
exaustivo. Primeiro cria-se um conjunto de hipóteses, depois testa-se essas 
hipóteses pra ver quais sobrevivem. Logo, por esse método e apenas com o uso da 
razão chega-se a conhecimento novo. Mas, há muitos outros métodos.

E afirmar que pela razão não se chega a ir além do conhecido é uma prova de 
desconhecimento da história da lógica. É desconhecer o trabalho de Frege e 
Russell, por exemplo. Ou será que foi a intuição que desenvolveu a nova lógica?

Abraço a todxs*,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
* x=<o,a>
_______________________
...só mesmo a obscuridade pode 
servir de proteção para o que é
absurdo.


From: Arthur Buchsbaum 
Sent: Tuesday, September 23, 2008 2:24 AM
To: 'Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de 
LOGICA' 
Subject: [Logica-l] RES: Sem Lógica


Dídimo, a Ciência está relacionada com o conhecimento, e lampejos da Intuição, 
ou "insights", transmitem exatamente conhecimento no seu mais elevado grau. Se 
alguém só se baseia na mente para obter conhecimento, então ele não 
transcenderá o que já sabe, no máximo explicitará e organizará melhor o que já 
conhece. Pela Intuição somos capazes de transcender a nossa memória individual 
e captar algo bem além.

 

A razão baseada apenas no pensamento pode muito, mas é incapaz de ir além do 
que já é conhecido. Ouvi falar, por exemplo, que Kekulé, o "pai" da química 
orgânica, obteve as seqüências básicas de suas fórmulas em sonho, portanto 
quando não estava pensando.

 

As maiores descobertas científicas vieram de momentos de silêncio íntimo, 
quando a Intuição trouxe conhecimentos muito além das memórias individuais.

 

Uma Filosofia da Ciência integral deveria refletir todo o processo cognitivo, 
não apenas uma fase dele. Se tu mesmo te dispuseres a experimentar, tu saberás 
de que estou falando. Verás como a Intuição vai muito além do pensamento.

 

Um abraço,

Arthur Buchsbaum

 

De: Dídimo Matos [mailto:[EMAIL PROTECTED] 
Enviada em: terça-feira, 23 de setembro de 2008 01:33
Para: Arthur Buchsbaum
Assunto: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica

 

Artur,

 

Falando sério mesmo. O que tem a ver o silêncio e a Intuição, com esse I 
maiúsculo aí, com ciência?

 

O que quer dizer é que se eu não me calar e ficar de mente vazia não posso 
contribuir com a ciência? Ou que calar-se totalmente e ter contato com a fonte 
da *existência universal* é o único método científico válido?

 

Acho que deveria dar mais crédito a sua própria razão. Por vários motivos. O 
primeiro é que foi ela que fez toda a ciência como conhecemos, mesmo essa 
ciência oculta que você quer nos passar como válida mas da qual nos livramos 
desde a Grécia antiga com Tales. Você já ouviu falar na tal passagem do mito a 
razão?

 

É algo mais ou menos assim. Durante a infância da humanidade ou dda razão como 
preferem alguns, nós não consiguiamos explicar as coisas direito e criávamos 
historinhas de deuses e mitos para explicá-las. Eram as chamadas cosmogonias. 
Isso foi assim até que Tales, um grego, resolveu que as coisas naturais 
deveriam ter explicações naturais.

 

Daí em diante, ao invés de dizermos que Thor mandou o trovão, começamos a 
pensar como duas nuvens poderiam gerar uma descarga elétrica, o que seria 
preciso pra isso, etc...Fizemos isso com muitas outras coisas e atualmente 
conseguimos explicar quase tudo que acontece com muita acurácia. Tudo isso 
graças a decisão metodológica de buscar, com a razão, explicações para as 
coisas. Agora tu me vem com essa de que a razão não serve pra nada e que tenho 
que ter intuições sobre as coisas pra produzir boa ciência?

 

Achas mesmo que isso faz sentido?

 

Pois eu acho, baseado na minha razão, no senso crítico e no método científico 
desenvolvido pela razão como maneira de apurá-la, que isso não faz o menor 
sentido, e que você deveria ter cuidado, pode ser patológico o que tu tens.

 

Abraço a todxs*,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
* x=<o,a>
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...só mesmo a obscuridade pode 
servir de proteção para o que é
absurdo.

 

From: Arthur Buchsbaum 

Sent: Tuesday, September 23, 2008 12:24 AM

To: 'Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de 
LOGICA' 

Subject: [Logica-l] RES: Sem Lógica

 

Caro Dídimo, acima das ironias, de forma independente de Krishnamurti e Osho, 
de cujos nomes fizeste troça, tu poderias experimentar em ti próprio o poder do 
silêncio mental. Alguém que consegue ficar em silêncio absoluto por pelo menos 
frações de segundo pode experenciar idéias completamente novas, que podem gerar 
muitos trabalhos em ciência. Se és mesmo cientista, experimenta, sem se ligar a 
pré-conceitos: tenta silenciar-te pelos menos por alguns instantes, para 
constatares o valor dos frutos que poderias colher, inclusive na tua própria 
pesquisa em Lógica.

 

Alguém que transcende o pensamento pode chegar a maravilhas de percepção, pode 
fazer a Ciência dar grandes saltos. Pensar consiste em acessar a própria 
memória individual, daí os resultados não vão além do que já existe no arquivo 
pessoal. Já pelo silêncio podemos receber a Intuição, a qual vem da própria 
fonte da Existência Universal. Se és mesmo cientista, experimenta, ao invés de 
expor pré-conceitos a respeito.

 

a) Arthur Buchsbaum

 

De: [EMAIL PROTECTED] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Dídimo Matos
Enviada em: segunda-feira, 22 de setembro de 2008 23:13
Para: Eduardo Ochs; Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes 
da área de LOGICA
Assunto: Re: [Logica-l] RES: Sem Lógica

 

Olá Eduardo,

 

Não é só você, mas eu creio que não vale a pena discutir com ele essa questão, 
o sujeito está convencido de que boa é a filosofia da salvação do Krishnamorto 
e do Ogro, desculpe, Osho. E que a filosofia ocidental só serve pra embotar o 
cérebro que deve ser esvaziado, pq só no copo vazio é que se pode botar o chá 
quente, ou qualquer coisa que o valha. É mais ou menos assim: não precisa de 
razão pra chegar a 'Verdade', Ela só pode ser encontrada pela Intuição perfeita 
das formas perfeitas.

 

O problema é o seguinte, se não precisa da razão o irracional também pode? 
então um jumentinho pode ser iluminado pela intuição desveladora da Verdade 
totalizante e virar o novo Buda ou seria Burra?

 

Abraço a todxs*,
Dídimo Matos



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