transcrevo do  Genismo 

20/09/2008
Estudo mostra a ligação entre biologia e convicções

Javier Sampedro
Em Madri

As pessoas que não se assustam facilmente tendem a defender o pacifismo, o 
controle de armas, o apoio econômico ao Terceiro Mundo e uma política tolerante 
com a imigração. Os mais assustados, pelo contrário, apóiam o patriotismo, os 
gastos com defesa, a guerra no Iraque e a pena de morte. São as conclusões do 
trabalho apresentado na revista "Science" por uma equipe de cientistas 
políticos americanos dirigida por John Hibbing, do Departamento de Ciências 
Políticas da Universidade de Nebraska em Lincoln.

Hibbing e seus colegas recrutaram 46 voluntários "com fortes convicções 
políticas" - de ambos os lados - e pediram que dessem sua opinião sobre 
imigração, ajuda externa, controle de armamentos e outras questões políticas. 
Dois meses depois os fizeram voltar ao laboratório para submetê-los a um teste 
muito diferente.

Os pesquisadores aplicaram em cada voluntário equipamentos de medição para 
analisar o suor, os movimentos oculares súbitos e outros sinais de ansiedade e 
lhes mostraram 33 fotografias. Todas eram sem graça, menos três: uma aranha do 
tamanho de um caranguejo pousada no rosto de uma pessoa, um homem aturdido com 
rosto ensangüentado e uma ferida aberta infestada de vermes. Também estudaram 
sua reação a explosões repentinas.

O resultado é uma clara correlação positiva: os voluntários mais assustados - 
os que reagem com mais força aos ruídos e às fotos ameaçadoras - também tendem 
a ser os mais preocupados em proteger os interesses de seu grupo social, seja 
contra inimigos externos ou criminosos internos.

Além dos pontos citados no primeiro parágrafo, a correlação com o susto se 
estende a posições políticas favoráveis a - lembre-se de que os participantes 
eram americanos - "as revistas sem autorização judicial, a pena de morte, a Lei 
do Patriotismo, a obediência, a oração na escola e a verdade da Bíblia", 
segundo um dos autores, o cientista político John Alford, da Universidade de 
Rice em Houston, Texas.

As pessoas mais assustadiças também tendem a se opor ao pacifismo, à imigração, 
ao compromisso político, ao controle de armas, à ajuda externa, ao sexo 
pré-conjugal, ao casamento gay, ao aborto e à pornografia.

As simples correlações estatísticas não implicam por força uma relação de 
causa. Mas Alford acredita que esses dados "podem ajudar a explicar a pequena 
flexibilidade nas crenças das pessoas com fortes convicções políticas e também 
a onipresença do conflito político".

As atitudes diante do público tradicionalmente foram vistas como reações 
meditadas às circunstâncias sociais e históricas. Mas algumas pesquisas 
recentes apontam uma "qualidade intrínseca, quase automática, de muitas reações 
políticas", afirmam Hibbing e seus colegas. Há evidências de que a mesma 
estrutura cerebral (a amígdala) está envolvida na atitude política e na geração 
do medo. 

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves 

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