A Microsoft Brasil iniciou negocia��es com corpora��es e �rg�os do governo
que queiram aderir ao Share Source Iniciative (SSI), programa que permite a
abertura parcial do c�digo-fonte do Windows - XP e CE - para os clientes que
possuam mais de 1.500 licen�as do sistema operacional e estejam filiados ao
programa de licenciamento Enterprise Agreement 6.0 da empresa.
A subsidi�ria nacional tamb�m ir� selecionar integradores de sistemas que
estejam trabalhando em projetos em clientes com uso semelhante ou maior de
licen�as do sistema operacional. Mauro Murat�rio, vice-presidente da
Microsoft para a Am�rica Latina, ser� o respons�vel pela condu��o da
iniciativa na regi�o.
O executivo revela, em entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD, que ser�o
disponibilizados parte do c�digo-fonte do Windows CE, voltado para
aplica��es ligadas � converg�ncia das �reas de inform�tica, telecomunica��es
e software embutidos, e do Windows XP. "Estudamos uma poss�vel libera��o de
novas plataformas. Houve a requisi��o de abrirmos o Office, mas acreditamos
que n�o seja o momento ainda. No entanto, a tend�ncia � ampliarmos o escopo
do SSI".
O vice-presidente da MS para a Am�rica Latina ressalta que a ades�o ao SSI
beneficiar� as corpora��es que demandem a necessidade de escrever seus
pr�prios programas de miss�o cr�tica. Nesse grupo, acredita Murat�rio, est�o
institui��es financeiras como Bradesco, Ita� e Caixa Econ�mica Federal,
estatais, como a Petrobras, e �rg�os federais, como o Serpro.
Os desenvolvedores ter�o uma integra��o direta com o grupo de
desenvolvimento do sistema operacional nos Estados Unidos. "O suporte direto
ser� o grande valor dessa iniciativa. As empresas poder�o escrever seus
aplicativos e interagir com os respons�veis pelo desenvolvimento dos
sistemas operacionais Windows CE e Windows XP propondo mudan�as ou
solicitando ajuda", destaca.
N�o haver� um lan�amento formal do SSI para empresas e corpora��es, nem a
Microsoft revela quanto ser� investido para sustentar a iniciativa no Pa�s.
As negocia��es ser�o conduzidas pelos gerentes de contas, de acordo com o
interesse demonstrado pelos clientes. "Ainda n�o temos uma percep��o exata
desse interesse", admite Murat�rio.
No entanto, o vice-presidente da MS acredita que, a partir de outubro,
quando est� previsto o lan�amento de uma ferramenta que permitir� visualizar
melhor o c�digo-fonte do sistema operacional, as subsidi�rias da companhia
ter�o uma transpar�ncia maior para expor os objetivos do SSI.
J� com rela��o ao Windows CE, a Microsoft tem um planejamento espec�fico.
Como ainda h� poucos desenvolvedores trabalhando com a plataforma,
especialmente na Am�rica Latina, a gigante quer incrementar o
desenvolvimento de aplicativos na �rea dos software embutidos. "Essa � uma
�rea que vai crescer muito com a converg�ncia para wireless, Internet e da
telem�tica", observa Murat�rio. Dados da Microsoft apontam que h�,
atualmente, 100 mil aplicativos, comerciais ou n�o, desenvolvidos a partir
da plataforma Windows.
Ao trazer o SSI para o Pa�s, a empresa tamb�m oficializa a promessa feita
pelo CEO (Chief Executive Officer) da Microsoft Corp., Steve Ballmer, ao
presidente Fernando Henrique Cardoso.
Naquela ocasi�o, Ballmer revelou que as universidades brasileiras seriam
integradas � iniciativa (este � um programa que existe h� oito anos na
Microsoft) e, portanto, teriam o direito de escrever aplicativos a partir do
c�digo-fonte do Windows.
Segundo Murat�rio, n�o houve demora no processo de integra��o
universidades/MS. Na vis�o do executivo, foi preciso preparar o terreno nas
duas partes. "� uma transfer�ncia de tecnologia, mesmo que parcial. E com
ela, os laborat�rios poder�o interagir muito mais ativamente com o nosso
suporte ao desenvolvimento, que passou tamb�m por uma reestrutura��o nos
Estados Unidos. Afinal, os alunos poder�o visualizar o c�digo-fonte e
escrever aplicativos a partir dele."
As universidades privadas aqui no Pa�s, pelo menos por enquanto, n�o est�o
no programa. Segundo o executivo da MS, essa aus�ncia � provocada pela
inexist�ncia nesse grupo de institui��es de laborat�rios dedicados ao
desenvolvimento de aplicativos. Atualmente, o SSI est� presente em 132
institui��es em todo o mundo.
Murat�rio rebate qualquer tentativa de contrapor o Programa Share Source
como uma rea��o direta ao crescimento das comunidades abertas de software,
que deram origem e sustentam o sistema operacional Linux.
"N�o � verdade. A Microsoft n�o vai entrar na pol�tica do gr�tis, at� porque
n�o existe nada gr�tis na ind�stria de software. Estamos refor�ando a nossa
estrat�gia de ampliar a fideliza��o do nosso cliente, que est� pagando para
ter acesso ao nosso c�digo-fonte. H� uma certa hipocrisia nessa discuss�o
que envolve software gr�tis e software comercial ", determina o executivo. O
Brasil � o primeiro Pa�s da Am�rica do Sul a ser incorporado ao SSI, cuja
vers�o para corpora��es e governo foi lan�ada h� pouco mais de 20 dias nos
Estados Unidos.
Novo comandante
A nomea��o de Em�lio Umeoka como diretor-geral da Microsoft
Brasil surpreendeu o mercado nacional. A subsidi�ria da MS estava sendo
dirigida por Rodrigo Costa, que deixou o comando do escrit�rio da empresa em
Portugal h� pouco mais de um ano, para substituir Mauro Murat�rio, que
tornou-se vice-presidente da MS para a Am�rica Latina. Al�m disso,
acreditava-se que Umeoka estaria assumindo um posto na nova HP na Am�rica
Latina.
Os desafios de Umeoka � frente da MS Brasil s�o significativos.
O principal deles � enfrentar o impacto da pirataria nos neg�cios da
subsidi�ria nacional. Tamb�m ter� que refor�ar a presen�a da empresa junto
aos usu�rios corporativos e ao governo, cada vez mais seduzidos pelo Linux.
Com a posse oficialmente marcada para julho, at� o fechamento dessa edi��o,
a MS Brasil n�o tinha revelado a nova estrat�gia que ser� adotada pela
empresa. Rodrigo Costa, que at� ent�o era o diretor-geral, foi promovido
para vice-presidente de OEM da Microsoft Corp.
Direitos e deveres
a.. Estar�o aptos a integrarem-se ao SSI (Share Source
Iniciative), as corpora��es e �rg�os do governo que possuam de 1.500 ou mais
licen�as do Windows e que participem do Enterprise Agreement 6.0;
a.. Empresas filiadas ao SSI poder�o escrever seus aplicativos a
partir do c�digo-fonte do Windows e ter�o suporte integral dos
desenvolvedores da MS;
a.. As universidades, entre elas UNB, UFPE, USP, Unicamp e UFRS,
tamb�m ter�o acesso ao c�digo-fonte do Windows XP e CE e ser�o integradas ao
grupo de desenvolvimento do Windows nos Estados Unidos.