Em Sexta 16 Novembro 2001 09:55, [EMAIL PROTECTED] escreveu:
> D�vida que n�o quer calar... O que � um filesystem com journaling ? quais
> as vantagens do ext3 em cima do ext2?
>

        Senhores eu recebo estes boletins todos os dias e hoje quero compartilar com 
voc�s, � meio longo mas � bom para os novatos e os que j� tem um pouco mais 
de experi�ncia para os avan�ados n�o deve ter nenhuma gra�a este boletim n�o 
� de minha autoria todos os cr�didos s�o dados a este rapaz!

Por Carlos E. Morimoto

- Detalhes sobre o EXT2 e outros sistemas de arquivos do Linux


O EXT2 i o sistema de arquivos utilizado na grande maioria das
distribuigues Linux. Na verdade, o EXT2 ja esta de certa forma
ultrapassado, pois ja existe um sucessor, o EXT3, que veremos com
detalhes mais adiante. Apesar das vantagens, ainda nco se sabe se o EXT3
realmente vira a substituir o EXT2.

O sistema de arquivos do Linux passou por uma grande evolugco desde sua
aparigco. Na verdade, nos estagios primarios de desenvolvimento, o Linux
utilizava um sistema de arquivos bem mais antigo, o Minix filesytem. O
Minix i um mini Unix, que Linux Torvalds usou como base nos estagio
primarios do desenvolvimento do Linux. Mas, o Minix filesytem possuma
varias limitagues, mesmo para a ipoca. Os enderegos dos blocos de dados
tinham apenas 16 bits, o que permitia criar partigues de no maximo 64
megabytes. Alim disso, o sistema nco permitia nomes de arquivos com mais
de 14 caracteres. Nco i de se estranhar que em pouco tempo o Linux
ganharia seu sistema de arquivos prsprio, o Extended File System, ou
simplesmente EXT, que ficou pronto em Abril de 92 a tempo de ser
inclumdo no Kernel 0.96c.

Nesta primeira encarnagco, o EXT permitia a criagco de partigues de ati
2 GB e suportava nomes de arquivos com ati 255 caracteres. Foi um grande
avango, mas o sistema ainda estava muito longe de ser perfeito. Logo
comegariam a aparecer no mercado HDs com mais de 2 GB e o sistema nco
tinha um bom desempenho, alim da fragmentagco dos arquivos ser quase tco
grande quanto no sistema FAT. Em resposta a estes problemas, surgiu em
Janeiro de 93, o EXT2 que finalmente viria a tornar-se o sistema de
arquivos definitivo para o Linux.

O EXT2 trouxe o suporte a partigues de ati 4 Terabytes, manteve o
suporte a nomes de arquivos com ati 255 caracteres, alim de varios
outros recursos, que veremos a seguir. Uma coisa interessante i que no
Linux os arquivos nco precisam necessariamente ter uma extensco. I
claro, possmvel ter extensues como .ps, .gif, etc. de fato, a maioria
dos programas gera arquivos com extensues, como no Windows. A diferenga
i que no Linux, as extensues sco apenas parte do nome do arquivo, nco um
item obrigatsrio. Por este motivo, i possmvel criar arquivos com varios
caracteres apss o ponto, ou mesmo nco usar ponto algum. No Linux, o mais
importante sco os atributos do arquivo, sco eles que fazem com que o
arquivo seja executavel ou nco por exemplo. Isto i mais seguro e traz
uma flexibilidade maior, apesar de ser um pouco confuso no inmcio.


:. VFS


O Linux i provavelmente o sistema Operacional que suporta um maior
nzmero de sistemas de arquivos diferentes. Alim do EXT2, EXT, Minix e
Xia, sco suportados os sistemas FAT 16 e FAT 32 do Windows, o HPFS do
OS/2 alim de varios outros sistemas como o proc, smb, ncp, iso9660,
sysv, affs e ufs.

O segredo para toda esta versatilidade i o uso do VFS ou  Virtual
Filesystem , um divisor de aguas entre o sistema de arquivos e o Kernel
e programas. A fungco do VFS i assumir toda a parte administrativa,
traduzindo via software, todos os detalhes e estruturas do sistema de
arquivos e entregando apenas os dados ao Kernel, que por sua vez, os
entrega aos programas.

Gragas ao VFS, o Linux pode rodar em qualquer um dos sistemas de
arquivos suportados. I por isso que existem varias distribuigues do
Linux que podem ser instaladas em partigues FAT 16 ou FAT 32 (como o
Winlinux, que pode ser instalado numa pasta da partigco Windows) e ati
mesmo inicializar direto do CD-ROM, sem a necessidade de instalar o
sistema (neste caso, apenas para fins educativos ou para experimentar o
sistema, ja que nco i possmvel salvar arquivos, entre varias outras
limitagues).

Mas claro, tambim existem varias desvantagens. Ao ser instalado numa
partigco FAT 32, o Linux ficara muito mais lento, pois o VFS tera que
emular muitas estruturas que nco existem neste sistema.


:. Suporte a NTFS


O suporte a NFTS ainda esta sendo implementado no Linux. Mesmo o Kernel
2.4.9, que enquanto escrevo i a zltima versco estavel, permite acesso
apenas de leitura. Isto significa que vocj pode instalar uma
distribuigco do Linux e acessar um HD formatado em NTFS apartir dela,
mas podera apenas ler os dados, nada de alterar ou gravar novos
arquivos. Por isso que so i possmvel instalar o Winlinux caso seu HD
esteja formatado em FAT 16 ou FAT 32. Como o Winlinux i instalado na
mesma partigco do Windows, ele precisa ter acesso de leitura e escrita.

Existe um projeto para acrescentar suporte completo ao NTFS, o
Linux-ntfs. Vocj pode visitar a pagina oficial em:
http://sourceforge.net/projects/linux-ntfs/. Ja existe uma versco
estavel, mas o programa ainda nco esta completamente desenvolvido.

Alim do sistema NTFS ser bastante complexo, ele i proprietario, o que
significa que a znica forma de desenvolver um driver para acessa-lo i
atravis de engenharia reversa, um processo bastante trabalhoso. Mas,
pessoalmente eu acredito que nco demore muito para que consigam
acrescentar suporte completo no prsprio kernel, afinal o NTFS i o
sistema de arquivos nativo do Windows 2000 e do XP, o que significa que
sera cada vez mais usado.

Um suporte completo a ele faz muita falta para quem mantim o Linux e o
Windows 2000 em dual boot, ja que o Windows 2000 nco enxerga partigues
Linux e o Linux consegue apenas ler, mas nco gravar dados na partigco do
Windows. No final das contas, o usuario acaba sendo obrigado a ou
instalar o W2K numa partigco Fat 32, ou criar uma terceira partigco
formatada no sistema FAT para poder trocar facilmente arquivos entre os
dois sistemas.


:. Estruturas do EXT2


Como disse, tanto o NTFS, quando o EXT2 utilizam estruturas muito
diferentes (e ati certo ponto bem mais complexas) que as usadas no
sistema FAT. Agora que ja estudamos os sistemas FAT 16, FAT 32 e NTFS
usados pelo Windows, chegou a hora de conhecer um pouco mais sobre o
sistema usado no Linux.

Boot block : I onde tudo comega, pois i aqui que sco gravadas as
informagues necessarias para inicializar o sistema

Inodes: Os inodes armazenam informagues sobre cada arquivo armazenado. A
fungco dos inodes i muito semelhante `s entradas no MFT do sistema NTFS.
Cada inode armazena os detalhes sobre um determinado arquivo, incluindo
o tipo de arquivo, permissues de acesso, identificagco do(s) usuario (s)
dono(s) do(s) arquivo(s), data em que foi criado e modificado pela
zltima vez, tamanho e, finalmente, ponteiros para os blocos de dados
onde o arquivo esta armazenado. Ao ler qualquer arquivo, o VFS lj
primeiro o inode correspondente, para depois chegar ao arquivo.

Diretsrios: No EXT2 os diretsrios sco tipos especiais de arquivos, que
armazenam uma lista de todos os arquivos e subdirectsrios subordinados a
ele. Nesta tabela sco armazenados apenas os nomes e os inodes que
representam cada um.

Links: Este i um recurso bastante versatil permitido pelo EXT2. Estes
links funcionam de uma maneira muito parecida com os links usados nas
paginas Web. Cada link pode apontar para um arquivo ou diretsrio
qualquer. Ao acessar o link, vocj automaticamente acessa o destino.

Vocj pode por exemplo, criar um link  CD  dentro do diretsrio raiz para
acessar o CD-ROM. Ao digitar  cd /root/cd  vocj vera os arquivos do
CD-ROM.

Na verdade, os links nada mais sco do que inodes que apontam para o
arquivo ou diretsrio em questco. Ao abrir o link, o VFS lj as instrugues
e cai direto nos setores ocupados pelo arquivo.

Para criar um link simbslico, use o comando ln. Para criar o link CD,
dentro do diretsrio raiz, apontando para o CD-ROM por exemplo, o comando
seria ln -s /mnt/cdrom /CD



:. A estrutura de diretsrios do Linux


O Linux usa uma estrutura de diretsrios muito particular. Uma arvore de
diretsrios que abrange simplesmente tudo o que existe no sistema, desde
os arquivos que estco na partigco onde o sistema foi instalado, ati
outros HDs, CD-ROM e, como se nco bastasse, todos os dispositivos de
hardware, incluindo o modem, impressora, etc. Quando um programa  salva 
arquivo no diretsrio da impressora por exemplo, ele sco impressos.

Os dispositivos ficam dentro da pasta /dev. O drive de disquetes por
exemplo, aparece como /dev/fd0. O primeiro disco rmgido instalado na
maquina aparece como /dev/hda, o segundo como /dev/hdb e assim por
diante.

As partigues aparecem com /dev/hdaX, onde o X i um nzmero que representa
a partigco. Por exemplo /dev/hda1 mapeia a primeira partigco do primeiro
disco rmgido instalado.

A vantagem neste caso i que vocj pode montar as partigues nos diretsrios
que quiser, ou criar links simbslicos apontando para elas. Isso adiciona
uma versatilidade muito grande, apesar de ser um pouco confuso e ati
mesmo trabalhoso no inmcio.

Caso por exemplo, vocj tenha dividido o HD em duas partigues, com o
Windows instalado a primeira, formatada em FAT 32 e o Linux instalado na
segunda, basta montar a partigco Windows para ter acesso a todos os
arquivos.

Caso vocj deseje montar a partigco no diretsrio /win por exemplo, use o
comando:

mount /dev/hda1 /win -t vfat

Este comando diz que vocj deseja montar a partigco primaria do primeiro
HD (hda1) no diretsrio /win, ativando o suporte aos nomes de arquivos
longos usados pelo Windows 95/98.


:. EXT3


O EXT3 i uma evolugco do sistema atual, que apesar de nco representar um
avango tco grande quanto foi o EXT2 sobre o EXT, traz alguns recursos
importantes.

O mais importante i uma melhora no sistema de tolerbncia a falhas. No
EXT3 o sistema mantim um  diario  de todas as operagues realizadas.
Quando houver qualquer falha, um reset ou travamento enquanto sistema
esta montado, o sistema consulta as zltimas entradas do diario, para ver
exatamente em qual ponto houve a falha e corrigir o problema
automaticamente, em poucos segundos.

No EXT2, sempre que ha uma falha, o sistema roda o e2fsck, um primo do
scandisk, que verifica inode por inode do sistema de arquivos, em busca
de erros. Este teste demora varios minutos, alim de nem sempre conseguir
evitar a perda de alguns arquivos.

Existe a opgco de configurar as entradas no diario para aumentar a
velocidade de acesso, mas em troca sacrificando um pouco da
confiabilidade em caso de falhas, ou aumentar a tolerbncia a falhas, em
troca de uma pequena perda de desempenho.

A Red Hat anunciou que a prsxima versco da sua distro usara o EXT3 como
sistema de arquivos default. Sera possmvel converter a partigco para
EXT3, sem perda de dados, durante a instalagco, ou atravis de um
utilitario do sistema.


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- Termos de hoje: Sistema de arquivos, GUI, Journaling


Por Carlos E. Morimoto


Sistema de arquivos - Um sistema de arquivos i um conjunto de estruturas
lsgicas e de rotinas, que permitem ao sistema operacional controlar o
acesso ao disco rmgido. Diferentes sistemas operacionais usam diferentes
sistemas de arquivos. O Windows 98 por exemplo suporta apenas os
sistemas FAT 16 e FAT 32, o Windows 2000 suporta tambim o NTFS, que i
seu sistema de arquivos nativo. O Linux utiliza o EXT2 como sistema
nativo, mas tambim tambim suporta outros sistemas.
Assim como os sistemas operacionais, os sistemas de arquivos estco em
constante evolugco. O NTFS do Windows 2000 traz recursos que nco existem
no NTFS do Windows NT 4, enquanto o EXT2 do Linux em breve dara lugar ao
EXT3, que traz varios recursos novos alim de ter um melhor desempenho.

GUI   Graphical User Interface. I um termo genirico, usado em relagco `
interface grafica de um sistema operacional ou de um programa.

Journaling   Este i um recurso suportado por alguns sistemas de
arquivos, entre eles o EXT3, suportado por algumas distribuigues do
Linux (o EXT3 i o sucessor do EXT2, usado atualmente). Basicamente, o
sistema de arquivos mantim um journal (ou log) onde sco armazenadas
todas as mudangas feitas em arquivos do disco. Quando qualquer erro
inesperado surge, ou o sistema i desligado incorretamente, i possmvel
localizar todas as operagues que nco haviam sido completadas,
restaurando a consistjncia do sistema de arquivos sem a necessidade de
vascular arquivo por arquivo, como faz o Scandisk do Windows



Junior Bohn
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