On Sat, 10 Mar 2001, Ricardo Y. Igarashi wrote:

> Melhor colocar o swap localmente do que na rede... certo?

Ando desatualizado das novas especificacoes de memoria flash.  Em
linhas gerais memoria flash e' uma memoria que depende de uma carga
eletrica para ser escrito um valor especifivco ("1", normalmente) e
depois de uma descarga para ser gravado o valor inverso.

Devido a problemas tecnologicos, construitivos e (acho que)
principalmente para permitir grande densidade, a carga no valor pre'
definido e' realizada em grandes regioes de memoria, algo como 1k, 8k,
16k, ...  Acho que hoje existem memorias com blocos menores, mesmo
para altas densidades.

A carga de um bloco (chamado "erase") e' um processo lento (1s), a
gravacao e' muito mais rapida (5us), mas e' _muito_ mais lento que o
tempo de um acesso de leitura (100ns).  O erase afeta uma area grande,
o write escreve em areas menores.

O processo de erase/write e' potencialmente destrutivo.  Nao sei
exatamente qual e' o processo que destroi uma celula de memoria, mas o
fabricante garante um numero limitado de regravacoes, algo como 100k
regravacoes, acho que 1M hoje em dia.

Portanto, essa memoria pode fazer muitas coisas, mas nada que envolva
escrita repetitiva, muito menos ilimitada.

Portanto, flash nao e' "disco" ou "memoria" semelhantes a HD ou RAM,
como pode parecer, existem restricoes serias a considerar.

Minha reacao foi destemperada, eu deveria ter evitado.

Mas e' dureza: uma revista de informatica e tecnologia, fazendo uma
analise tecnica e (aparentemente) minuciosa do produto, cometer um
erro grosseiro desses, e nao ter um revisor mais expert em eletronica
para rever os conceitos, simplesmente joga no lixo toda a
credibilidade de toda a revista.

Pior, o artigo desinforma e deforma o leitor.

Perde a oportunidade de explicar o que e' memoria flash, vantagens e
limitacoes, e confunde o leitor misturando alhos com bugalhos.

E o que e' pior, devido a incapacidade de entender a proposta do
produto e a tecnologia disponivel, deixa de fazer as perguntas certas
para os criadores do produto, nao sabem questionar, nao sabem explorar
novas propostas e alternativas que os criadores veem para o produto.

Exemplo:

1 - Se esse micro e' para rodar em rede, por que colocar flashdisk?
Por que nao usar a rede simplesmente como disco virtual?

Digamos que a a resposta seja "para evitar congestiomento", ou "para
reduzir o trafego, usando a flash tambem como swap de codigo de
programa".  Ai' segue a pergunta:

2 - Entao por que nao colocar 32MB de memoria convencional e
carrega-la no boot, via rede, com o cramfs do sistema?


Existem uma centena de possibilidades tecnologicas, o que o pessoal da
UFMG pensou?  Que criterios os levaram nessa direcao?  O que gostariam
de explorar se dispuserem de tempo e recursos?

Tudo bem que o artigo nao era uma entrevista, mas poderia explorar
algumas coisas a mais.

Aceito que a intencao era esclarecer que o "PC popular" nao e' um "PC"
no sentido entendido pelo publico em geral, nao e' para jogar quake,
starcfraft, rodar XX office, e coisa e tal.

Pelo menos o articulista poderia evitar de falar sobre o que,
seguramente, desconhece.  Devia se informar, ou evitar comentarios
grosseiramente errados.  Deveria dispor de alguem na redacao para
ajuda-lo a entender a tecnologia usada.  Eu tenho certeza que o
aticulista "sabe que desconhece" o que e' memoria flash, e que se
arriscou falando do que nao conhece.

O que isso deixa transparecer, para mim, e' que esse e' um veiculo
incompetente, descompromissado com o conhecimento e informacoes
corretas, com consistencia, com logica, com tecnologia, engenharia,
fisica, etc.

E isso e' absolutamente lamentavel, justamente por ser uma revista que
trata de um tema onde o conhecimento medio do publico e' muito
elevado.


--- Wagner                      [EMAIL PROTECTED]


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