Alunos brasileiros estão dez anos atrasados em inclusão digital
Escrito por O Estado de São Paulo - Jamil Chade
Qua, 29 de Junho de 2011 11:44




Metade dos estudantes brasileiros está "desconectado" e o País soma uma 
década de atraso em comparação aos alunos de escolas de países ricos no que 
se refere ao acesso à computadores e Internet.



Se não bastasse, as escolas brasileiras estão entre as piores em termos de 
acesso de seus alunos à informática, o que pode já comprometer a formação de 
milhares de jovens. Esse é o resultado do primeiro levantamento PISA feito 
para avaliar a relação entre os sistemas de ensino e a tecnologia.



Segundo o documento, elaborado pela Organização para a Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico, a escolas brasileiras não estão equipadas e o 
País é o último numa lista de 38 sistemas de ensino avaliados quando o 
assunto é o número de computadores em escolas por alunos.



O Brasil é ainda um dos países mais desiguais em termos de acesso aos 
computadores e a disparidade continua aumentando.



Apesar de os dados serem de 2009, os pesquisadores acreditam que eles 
revelam uma imagem da preparação de diferentes sistemas de ensino para 
enfrentar o século 21 e suas tecnologias. Ela mede o acesso ao computador de 
um estudante de 15 anos no mundo.



De um total de 65 países avaliados, apenas dez estão em uma situação pior 
que a do Brasil. Segundo o levantamento, alunos da Romênia, Rússia e 
Bulgária contam com mais acesso à tecnologia que os brasileiros. Na média, 
53% dos estudantes brasileiro de 15 anos tinham computadores em casa. Há dez 
anos, essa taxa era de apenas 23%.



Apesar do avanço, os  números são ainda muito inferiores à média dos países 
ricos. Na Europa, Estados Unidos e Japão, em média mais de 90% dos 
estudantes tem um computador em casa. A taxa de 50% que o Brasil tem hoje é 
equivalente ao que a média da Europa tinha no ano 2000. O atraso, portanto, 
seria de dez anos.



Desigualdade. Mas o estudo revela que a média brasileira na realidade 
esconde uma profunda desigualdade no acesso à informática. Entre a camada 
mais rica dos estudantes, 86% deles tem computador e Internet em casa. A 
taxa é equivalente aos estudantes dos países ricos. Mas entre os estudantes 
com menos recursos no Brasil, apenas 15% tem a ferramenta.



A proporção é bem melhor que o cenário do ano 2000. Naquele ano, apenas 1 a 
cada 100 estudante pobre tinha acesso ao computador e uma série de 
iniciativas vez o número subir. Agora, são 15 alunos para cada 100 com 
acesso. Mas segundo a OCDE, a diferença entre os estudantes ricos e pobres 
no Brasil é uma das maiores do mundo e continua a aumentar, e não reduzir. 
Nos países europeus, a diferença entre as duas classe é de menos de dez 
pontos percentuais. Entre os alunos brasileiros que tem computadores, menos 
de 30% dos mais pobres tem Internet em casa. Nos ricos, eles chegam a 90%.



Escolas. Para Sophie Vayssettes, pesquisadora da OCDE que preparou o 
levantamento, cabe ao poder público compensar essa disparidade social, dando 
acesso aos computadores nas escolas. "Muitas famílias não tem renda para ter
 um computador em casa. Mas políticas devem  ser implementadas para permitir 
uma correção dessa situação e dar esse acesso em locais públicos, como as 
escolas", disse ao Estado. Mas, no caso do Brasil, essa política continua 
frágil.



Hoje as escolas tem um computador para cada cinco alunos, taxa considerada 
como insuficiente. Na média dos países ricos, as escolas tem um computador 
para cada dois alunos. Na Austrália, o sistema de educação garante um 
computador por aluno. Segundo o levantamento, o Brasil é o último em uma 
lista de 38 sistemas de ensino a garantir acesso ao computador, superado 
pela Albânia, Indonésia e Bulgária.



O levantamento mostrou que 62% dos alunos brasileiros frequentam escolas com 
sérios problemas para garantir acesso de seus estudantes aos computadores. 
Entre a classe mais pobre, 3 de cada 4 está em escolas com sérias 
deficiências.



"O aprendizado do uso de computadores é primordial para o futuro desses 
jovens ", disse Sophie. "Estudos mostram que pessoas com conhecimento de 
informática tem 25% a mais de chance de encontrar um trabalho. Portanto, 
preparar os alunos aos século 21 é fundamental para qualquer sistema de 
ensino ", alertou.



Segundo a pesquisadora, não é apenas com o objetivo de encontrar um posto de 
trabalho que a informática deve ser ensinada na escola. " Cada vez mais, 
muito do que fazemos está sendo limitado à Internet, como a compra de 
passagens aéreas. Não ter acesso à computadores também é uma forma de 
exclusão social ", completou.


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Prof. Murilo Bastos da Cunha, Ph. D.
Universidade de Brasilia
Faculdade de Ciência da Informacão (FCI)
Brasilia, DF 70710-900 Brasil
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