O Estado de São Paulo
Quinta-feira, 7 de dezembro 2006
Hoje, pedra fundamental da Biblioteca Guita e José Mindlin
Prédio, com conclusão prevista para daqui a três anos, vai abrigar
acervo com mais de 17 mil livros doados para a USP
Livia Deodato
Desde 1927, o empresário e bibliófilo José Mindlin vem formando o que
chama de um 'conjunto indivisível' de obras raras sobre o Brasil. Guita,
sua mulher e companheira por 68 anos, foi sua maior incentivadora. Em
maio, um mês antes de morrer, ela assinou o documento, junto com
Mindlin, que autorizava a doação de todo este acervo para a Universidade
de São Paulo. 'Sempre quisemos evitar que a biblioteca se dispersasse.
Resolvemos doar à USP com a condição de que construíssem um prédio para
abrigar todo o conjunto de obras', conta Mindlin, de 91 anos.
O acervo, intitulado Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, conta
com mais de 17 mil títulos - entre os quais, a primeira edição de O
Guarani, de José de Alencar, e o original de Grande Sertão: Veredas, de
Guimarães Rosa - que tratam somente da cultura brasileira. O prédio, que
será construído entre os edifícios da reitoria e da Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), também deve abrigar o
Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e parte do acervo do
bibliotecário Rubens Borba de Moraes (grande amigo de Mindlin, morto em
1986).
Hoje, às 11 horas, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, o ministro
da Cultura, Gilberto Gil, o ministro da Educação, Fernando Haddad, a
reitora da USP, Suely Vilela, e o coordenador do projeto, prof.º István
Jancsó, além de Mindlin, participam do lançamento da pedra fundamental
da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Como lembra Mindlin, a
área de 14 mil m2, localizada atrás da reitoria e escolhida para a
construção do prédio, já foi o terreno reservado para a Faculdade de
Direito da USP, cuja coordenadoria não aceitou transferir-se do Largo
São Francisco.
O prédio, que tem projeto arquitetônico desenvolvido pelo escritório
Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb (neto do bibliófilo), com
assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, tem
conclusão prevista para daqui no máximo três anos. 'A doação deste
acervo atingiu proporções que excedem o que seria uma propaganda
particular. É um bem público. A gente passa e os livros ficam. Temos de
pensar no futuro', diz o generoso Mindlin.
FONTE:
http://txt.estado.com.br/editorias/2006/12/07/cad-1.93.2.20061207.22.1.xml
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