Olá, eis um estudo muito importante do IBGE sobre a CULTURA no Brasil, a íntegra está disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/indic_culturais/2003/default.shtm
Atenciosamente, Ursula Blattmann UFSC >>> http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=748&id_pagina=1 Cultura ocupa 3,7 milhões de trabalhadores Atuavam no setor cultural, em 2003, de acordo com o Cadastro Central de Empresas (Cempre) do IBGE, 269.074 empresas e organizações (órgãos da administração pública e sem fins lucrativos) responsáveis pela ocupação de 1.431.449 pessoas. Segundo as pesquisas amostrais estruturais econômicas do Instituto, cujas empresas investigadas são uma amostragem do universo do Cempre, existiam 142.875 empresas do setor cultural nos três segmentos econômicos: Indústria, Comércio e Serviços, ocupando 1.055.866 pessoas, ganhando 5,1 salários mínimos em média. Estimando em 3,7 milhões de pessoas ocupadas nesta área, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2004 revelou o perfil do trabalhador do setor: homem, tem 11 anos ou mais de estudo (um perfil mais qualificado de mão-de-obra), trabalha por conta própria, tem rendimento médio mensal de R$ 704,93 (próximo à média nacional R$ 705,08), a maioria não contribui para o Instituto de Previdência e trabalha relativamente menos horas. A PNAD também permitiu analisar esses trabalhadores segundo o sexo, a cor ou raça e o grau de instrução. Do ponto de vista do consumo, as famílias brasileiras gastaram com Cultura, em média, R$ 115,50, dos quais R$ 50,97 com Telefonia, seguida por Aquisição de eletrodomésticos ligados à área cultural (R$ 17,25) e Atividades de Cultura, lazer e festas (R$ 13,82). Quanto aos recursos públicos aplicados no setor, os municípios foram responsáveis por 55% dos gastos totais em Cultura, em 2003, que totalizaram R$ 2,3 bilhões. No setor privado, foi registrada uma receita líquida de aproximadamente R$ 156 bilhões, nas empresas relacionadas à Cultura. Em 2003, a participação das atividades de cultura no total das pesquisas econômicas, que representam o conjunto das empresas formalmente constituídas, incluindo os segmentos da Indústria, Comércio e Serviços, foi de 6% em termos de Valor Adicionado1, excluído o setor de Telecomunicações Estas são algumas das informações do estudo inédito Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2003, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), com o objetivo de organizar e sistematizar informações relacionadas ao setor cultural. Para se caracterizar a oferta e a demanda de bens e serviços culturais, os gastos das famílias e os gastos públicos com cultura, além do perfil socioeconômico da mão-de-obra ocupada em atividades culturais, foram utilizados os resultados das seguintes pesquisas: as Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE); a Pesquisa Industrial Anual Empresa (PIA-Empresa), a Pesquisa Anual de Comércio (PAC) e a Pesquisa Anual de Serviços (PAS); a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF); as Estatísticas Econômicas das Administrações Públicas (APU); e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Atuavam na produção cultural brasileira, em 2003, de acordo com o CEMPRE, 269.074 empresas, responsáveis pela ocupação de 1.431.449 pessoas, das quais 1.007.158 eram assalariados. O resultado representa 5,2% do número de empresas, 4,0% do total do pessoal ocupado e 3,5% do pessoal ocupado assalariado. O setor com maior participação foi o de Serviços, com aproximadamente 59% das empresas e 62% do pessoal ocupado total e do assalariado na área da Cultura. Comércio registrava a segunda maior participação no número de empresas (26,5%), embora fosse o que menos empregava (14,7% do total de pessoal ocupado e 11,3% pessoal ocupado assalariado). A Indústria de transformação de bens culturais, com uma participação de 14,7% no total de empresas, era o segundo maior empregador, com 22,8% do total de ocupados e 26,2% dos assalariados. De acordo com a natureza jurídica, a forma empresarial liderava (97,2%), era a que mais empregava (89,4%) e pagavam salários da ordem de R$ 15,2 bilhões. As entidades sem fins lucrativos representavam a natureza jurídica com o segundo lugar em termos de participação no total de empresas e de pessoal ocupado, 2,7% e 7,4%, respectivamente. As organizações da administração pública participavam com apenas 0,1% das empresas e 3,2% do total de pessoal ocupado. Nas três naturezas jurídicas, o setor Serviços destaca-se com as maiores participações em termos de número de empresas, de pessoal ocupado e de total de salários pagos. Ainda com base no CEMPRE, os maiores empregadores no setor cultural de Serviços eram representados na classe de atividades Outras atividades de ensino, como os cursos de de informática, balé, música, artes, artesanato, etc. (134.969 pessoas), os serviços de Telecomunicações (80.285 pessoas) e os serviços de Processamento de dados (69.604 pessoas). Respondiam pela maior quantidade de mão-de-obra, na Indústria, Edição; Edição e impressão de outros produtos gráficos(47.569 pessoas); Edição e a impressão de jornais (37.702 pessoas) e Fabricação de artefatos diversos de madeira, palha, cortiça e material trançado - exceto móveis (27.509 pessoas). No Comércio varejista, destacava-se o setor de Livros, jornais e revistas (84.913 pessoas). A massa salarial anual2 gerada pelo setor cultural, em 2003, foi de R$ 17,8 bilhões, distribuída pelo setor de serviços (R$ 11,6 bilhões), seguido pela indústria (R$ 4,1 bilhões) e comércio (R$ 1,0 bilhão). Culturais tem maior número de empresas e emprega mais Os dados das pesquisas estruturais econômicas também apontam que o setor de Serviços Culturais tem o maior número de empresas e emprega mais. Tomando-se como base as pesquisas estruturais econômicas do IBGE, o total de empresas industriais, comerciais e de serviços diretamente ou indiretamente relacionadas à cultura, em 2003, era de 142.875, responsáveis pela ocupação de 1.055.866 pessoas. No total geral desses setores, a participação das Atividades culturais é de 6,2% no total de empresas e 5,7% do pessoal ocupado. Nesta ótica, o setor de serviços também se destacava como o de maior dimensão dentre as atividades culturais, contribuindo com, aproximadamente, 60,6% do total de empresas e 55,3% do pessoal ocupado. O comércio era o segundo maior em número de empresas (33,3%) e o terceiro em pessoal ocupado (19,0%). Já a indústria, embora tenha contribuído com apenas 6,1% do total de empresas, era responsável por 25,6% das pessoas ocupadas nas atividades culturais. Observando-se a participação de cada atividade industrial no total das empresas e do pessoal ocupado no setor cultural percebe-se que a estrutura era bastante concentrada. O ramo da Edição e impressão participava com grande parte das empresas (41,6%) e do pessoal ocupado (48,4%). Os outros ramos que se sobressaíam, em termos de participação no total das empresas e do pessoal ocupado na área cultural, foram, respectivamente: Impressão de jornais, revistas e livros e outros serviços gráficos (24,5% e 11,0%), Fabricação de artefatos diversos de madeira, palha, cortiça e trançado - exceto móveis (15,6% e 10,7%) e Fabricação de produtos diversos (13,4% e 12,0%). As atividades comerciais culturais correspondiam, em 2003, a 3,6% do total das empresas comerciais e a 3,3% do total de pessoal ocupado na atividade de comércio. As empresas das atividades relacionadas diretamente ao setor de comércio cultural participavam com a maior parte (94,6%) do total das empresas comerciais culturais, o mesmo ocorrendo com o pessoal ocupado (85,9%). Dentre estas, o comércio varejista de Livros, jornais e papelaria destacava-se com 90,8% do número de empresas e 84,1% do pessoal. No grupo de empresas que atuam em atividades ligadas indiretamente ao setor cultural tinham participação de 5,4% do total das empresas comerciais culturais e 14,1% do pessoal ocupado do setor. As atividades de serviços culturais correspondiam a 10,3% do total das empresas de serviços e a 9,0% do total de pessoal ocupado nos serviços. As empresas de serviços relacionadas diretamente ao setor cultural participavam com a maior parte (83,2%) do total das empresas de serviços culturais, o mesmo ocorrendo com o pessoal ocupado (72,6%). Já as empresas indiretamente ligadas ao setor de serviços culturais tinham participação de 16,8% no total das empresas e de 27,5% do pessoal ocupado. Ainda no setor cultural de serviços, as atividades que se destacavam em número de empresas eram Publicidade e atividades fotográficas (22,4%) e Outras atividades de ensino (19,4%). Processamento e atividades de banco de dados e Distribuição de conteúdo eletrônico e consultoria em software participavam com 15,2% e 12,9% do total de empresas, respectivamente. Quanto à proporção de pessoal ocupado, o destaque era Outras atividades de ensino, que respondia por 18,3% do total do setor de serviços cultural. Processamento e atividades de banco de dados e distribuição de conteúdo eletrônico (16,7%), Publicidade e atividades fotográficas (14,4%), Consultoria em software (13,9%) e Telecomunicações (10,8%) também se destacavam em termos de pessoal ocupado. Agências de Notícias, empresas de telecomunicações e televisões pagam maiores salários O salário médio mensal pago na área cultural era de 5,1 salários mínimos (SM), acima da média geral dos setores econômicos (3,3 SM). Na cultura, a Indústria, pagava 5,3 SM, aproximando-se da média, enquanto os serviços (5,9 SM) superavam o resultado global e o comércio (2,2 SM) obteve a menor média salarial. As atividades que se sobressaíam com salários acima da média, no setor de serviços culturais, foram Agências de notícias (14,7 SM), Telecomunicações (14,2 SM), Atividades de televisão (9,8 SM) e Consultoria em software (9,2 SM). Com salários abaixo da média, ficavam Outras atividades de ensino (2,0 SM) e Aluguel de objetos pessoais e domésticos (1,5 SM). Na indústria, destacavam-se os ramos de Fabricação de aparelhos telefônicos, Sistemas de intercomunicação e semelhantes (10,5 SM) e de Fabricação de computadores (9,5 SM). Com salários médios abaixo do que é pago para a média industrial, ficavam os setores de Fabricação de artefatos diversos de madeira, palha, cortiça e trançado - exceto móveis (2,2 SM); Fabricação de produtos diversos (3,0 SM); e Impressão de jornais, revistas e livros e outros serviços gráficos (3,3 SM). As empresas comerciais relacionadas diretamente ao setor cultural pagavam em média 1,6 SM e as empresas indiretamente relacionadas ao setor cultural, 5,5 SM. Dentre as atividades comerciais culturais, o comércio atacadista de Computadores, equipamentos de telefonia e comunicação, partes e peças destacou-se com o maior salário médio do setor cultural do comércio, pagando 8,3 SM, em média, e com o menor indicador de custo do trabalho, 9,9%. A Cultura registrou, em 2003, uma receita líquida em torno de R$ 156 bilhões, enquanto o montante de custos atingiu a ordem de R$ 114 bilhões. Isso indica uma participação do setor cultural de 6,5% nos custos totais (incluindo indústria de transformação, comércio e serviços) e de 7,9% na receita líquida total. Os serviços destacavam-se com a maior participação (61,8% da receita líquida e 47,7% dos custos), seguidos pela indústria (28,8% e 41,2%) e pelo comércio (9,5% e 11,1%). Os custos totais das atividades industriais culturais correspondiam a 4,7% do total de custos da indústria de transformação e a 4,5% da receita líquida de vendas. As atividades com maior participação relativa eram Edição e impressão; Fabricação de aparelhos telefônicos, sistemas de intercomunicação e semelhantes; e Fabricação de aparelhos receptores de rádio e televisão e de reprodução, Gravação ou amplificação de som e vídeo. Juntos, estes três setores abrangiam 76,2% do total de custos e 76,1% do montante de receita líquida de vendas do setor cultural. Os custos totais do setor cultural do comércio representavam 2,2% dos custos totais das atividades de comércio como um todo e da receita operacional líquida total. O comércio atacadista de Computadores, equipamentos de telefonia e comunicação, partes e peças representava 46,8% dos custos totais do setor cultural e 44,2% da receita operacional líquida. O segmento do comércio varejista participava com taxas 37,8% e 39,9%, respectivamente. A atividade que se destacou neste segmento foi o de comércio varejista de Livros, jornais, revista e papelarias, gerando 39,5% da receita operacional líquida do setor cultural do comércio e 37,5% do total dos custos. Os custos totais das atividades de serviços culturais representavam 31,1% do custo total da atividade de serviços e 29,9% da receita operacional líquida do setor. A atividade de Telecomunicações respondia isoladamente por 60,6% dos custos do setor cultural de serviços e por 58,2% da receita operacional líquida, indicando que as empresas do setor de telecomunicações são maiores e mais intensivas em capital do que a média do setor cultural dos serviços. Outros ramos que se destacavam, em participação no custo total e na receita operacional líquida, foram Atividades de televisão (11,8% e 10,3%) e Consultoria em softwares (10,6% e 12,2%). A taxa de investimento, relação entre o investimento líquido e o Valor da Transformação Industrial (para indústria) e Valor Adicionado (para serviços e comércio), mostrou que, em 2003, o conjunto das empresas industriais, comerciais e de serviços ligadas à cultura apresentava um valor de 10,4%, taxa muito próxima àquela apresentada no total dos segmentos (10,8%). Nos Serviços (12,1%) esta taxa superava a média, na Indústria (7,4%) a taxa é inferior à média, e, por fim, no Comércio (2,6%) esta relação é bem inferior ao resultado global. Cultura é o quarto maior gasto das famílias As famílias brasileiras gastavam, em 2003, em média, cerca de 7% do seu orçamento em produtos culturais, quando são considerados os gastos em telefonia (R$ 115,50), representando a quarta maior despesa, superada apenas por habitação, alimentação e transporte. Excluindo os gastos em telefonia, os gastos representavam 4,4% do total de despesas (R$ 64,53). O gasto com cultura nas classes de rendimento mensal familiar de até R$ 400 foi R$ 18,27; para a classe Mais R$ 400 a R$ 600, foi de R$ 31,84; enquanto para a classe mais de R$ 600 a R$ 1.000, foi de R$ 51,73. Nas classes com rendimento Mais de R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00, e mais de R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00 os gastos ficavam em R$ 102,80 e R$ 174,28. Na classe de rendimento de mais de R$ 3. 000,00, o valor era maior que o dobro da média nacional e ficou em torno de R$ 378,13. Independente da classe de rendimento, as famílias gastavam mais, em média mensalmente, com telefonia (R$ 50,97). Os outros dois grupos de maior peso, na composição da despesa média, eram Aquisição de eletrodomésticos ligados à atividade cultural (TV, vídeo, rádio, computador) e Atividades de cultura, lazer e festas, com valores médios de R$ 17,25 e R$ 13,82, respectivamente. Quanto mais baixas as classes de rendimento, maiores eram os gastos com Aquisição de eletrodomésticos, variando de 32,6% da renda total, nas famílias com até R$ 400 de rendimento, e 11,7%, nas famílias com mais de R$ 3.000 de rendimento mensal. O grupamento Atividades de cultura, lazer e festas crescia na medida em que se passa para faixas de rendimento maiores, de 8,0% na menor classe (até R$ 400,00), até 13,6% na maior (mais de R$ 3.000). Destaca-se que Edição e impressão tinham maior participação na menor classe de renda (7,5%), até R$ 400,00, próximo mas superior à participação observada na classe de mais de R$ 3.000,00 (7,1%). Os serviços de TV por assinatura e Internet ficavam abaixo de 1% até a classe de mais de R$ 600,00 a R$ 1 000,00, pesando 7,4% na última classe. Brancos gastam mais com cultura do que negros e pardos Os gastos mensais médios com Cultura, de acordo com a ótica da raça a que pertence a pessoa responsável pela família, eram de R$ 146,66 para branca, R$ 87,19 para preta e R$ 76,20 para parda. No total de despesas com cultura, o grupamento aquisição de eletrodomésticos representava 13,8% para branca, 19% para preta, e 17% para parda. Em serviços de TV por assinatura e Internet, os resultados eram 5,3% para branca, 3,4% para preta, e 2,9% para parda. Outro grupamento que apresentava participações percentuais que merecem destaque era o de Educação profissional e atividades de ensino, com 6% para branca, 7,1% para preta e 5,% para parda. Levando-se em consideração o nível de escolaridade da pessoa de referência da família, a despesa média com o grupo Cultura cresce proporcionalmente ao nível de escolaridade da pessoa de referência, sendo de R$ 33,67 para aqueles sem instrução, e de R$ 391,65 para os com ensino superior. Em Aquisição de eletrodomésticos, os percentuais de gastos com Cultura foram de 23% para Sem instrução, 17,1% para Ensino fundamental, 14% para Ensino médio, e 11,1% para Ensino superior. O grupamento Serviços de TV por assinatura e Internet apresentou como resultados 0,3% para sem instrução, 1,7% para Ensino fundamental, 4,0% para Ensino médio, e 8,1% para Ensino superior. Em Educação profissional e Atividades de ensino tem-se 3,7% para sem instrução, 4,7% para ensino fundamental, 5,8% para Ensino médio, e 8,7% para Ensino superior. Nesta última categoria, os cursos de informática têm maior peso no domicílio cuja pessoa de referência não tem instrução (1,8%), caindo continuamente até alcançar 0,7% para os de Ensino superior. Análise dos gastos da administração pública Os gastos públicos no setor cultural representavam aproximadamente 0,2% do total das despesas consolidadas da Administração pública em suas três esferas3. É nos municípios que a Cultura tem maior representatividade, com aproximadamente 1% do total de gastos. Nos estados, este percentual era de 0,4%, enquanto no governo federal a cultura representava apenas 0,03% da despesa orçamentária, no ano de 2003. Os municípios eram responsáveis pela maior parte (55%) dos recursos orçamentários previstos para o setor cultural em 2003, quando o total de investimentos públicos no setor chegou a aproximadamente R$ 2,3 bilhões. Deste montante, R$ 293 milhões eram efetuados pelo governo federal (13% do total), R$ 747 milhões pelos governos estaduais (32%) e R$ 1,27 bilhão pelos governos municipais. Do total de R$ 1,27 bilhão, os municípios de São Paulo eram os que mais efetuavam dispêndios culturais em 2003, com aproximadamente 37,6% deste total. A região Norte representava 4,6% do total e nenhum estado superava 2%. A região Sudeste liderava, com participação de 64% do total de dispêndios culturais. Na Região Nordeste, que contribuía com 16,4%, os municípios dos estados de Pernambuco (5,6%), Bahia (4,0%) e Ceará (2,6%) eram os que mais gastavam em cultura. Os municípios da região Sul representavam 14,3% dos gastos. Por outro lado, a região Centro-Oeste tinha a menor participação no total da despesa municipal com cultura. A pesquisa demonstrou, também, a desigualdade na aplicação de recursos no setor cultural entre as Unidades da Federação. Na esfera estadual, os gastos realizados na região Sudeste representavam 41% do total, enquanto na região Nordeste representavam 25%, e na região Norte apenas 13%. IPHAN é responsável pelo maior volume de gastos na esfera federal Na esfera federal, os dados mostram que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN era responsável pelo maior volume de gastos, já que é responsável pelas despesas de todos os museus federais, como o Museu Imperial de Petrópolis, o Museu Nacional de Belas Artes e o Museu da República, no Rio de Janeiro, o Museu da Inconfidência, em Minas Gerais entre outros. O Ministério da Cultura também possui participação elevada no total dos gastos do governo federal, pois se trata de órgão central, voltado para a coordenação e gestão de recursos do setor cultural federal. Do total gasto com cultura na esfera estadual (cerca de R$ 746 milhões), São Paulo é o estado com a maior participação, com aproximadamente 28,2% (cerca de R$ 211 milhões), seguido pela Bahia (10,6%), Rio de Janeiro (8,2%), Amazonas (6,1%), Rio Grande do Sul (5,3%) e o Distrito Federal (5,3%). Os estados com menor participação são Rondônia (0,03%), Roraima (0,09%) e Tocantins (0,2%). Cultura exige maior escolaridade mas paga salários dentro da média dos outros setores A PNAD estimou, em 2004, um crescimento médio de 3,3% para o conjunto das pessoas de 10 anos ou mais de idade ocupadas no Brasil (82,8 milhões), em relação a 2003, ante uma evolução média de 1,5% em 2003, comparada com 2002. Em ocupações ou atividades relacionadas à cultura, a PNAD 2004 estimou 3,7 milhões de pessoas ocupadas com 10 anos ou mais de idade. A mesma estimativa envolvendo as ocupações ou atividades relacionadas à cultura apresentou um crescimento médio de 3,4%, em 2004, em relação a 2003, e de 3,6% em 2003, em relação a 2002, determinando um crescimento superior ao apresentado pelo total de pessoas ocupadas no Brasil, tanto na comparação 2004/2003, quanto na comparação 2003/2002. A população ocupada em ocupações ou atividades relacionadas à cultura em relação ao total das pessoas ocupadas no Brasil apresentou um percentual de 4,4% em 2002, 4,5% em 2003, e 4,5% em 2004. No conjunto de pessoas ocupadas na cultura, observava-se o predomínio do gênero masculino em relação ao feminino, com os homens responsáveis por cerca de 52,1% do total, embora a participação das mulheres nesta atividade fosse superior a dos ocupados para o total das ocupações. A participação do trabalho feminino no total das atividades vem crescendo, de 41,3% em 2002, 41,5% em 2003 para 41,9% em 2004. No contingente de pessoas ocupadas no setor da cultura, a participação feminina, manteve-se estável ao longo dos três últimos anos (47,9%). Observa-se que a maior participação percentual da população ocupada nas atividades culturais correspondia à faixa etária de 25 a 49 anos de idade (cerca de 56%) de forma equivalente ao que ocorre com os ocupados em geral. No entanto, dentre os ocupados na cultura, é maior a participação dos mais jovens (cerca de 30% contra 24% do total, na faixa de 10 a 24 anos). Nas atividades culturais, prevalecia um nível de escolaridade mais elevado que o do mercado de trabalho em geral. Nestas atividades, predominava a participação dos ocupados com 11 anos ou mais de estudo (superior a 46% entre 2002 e 2004), enquanto que para o total de todas as ocupações a maior participação é observada nos ocupados com menos de oito anos de estudo (superior a 39% entre 2002 e 2004). De acordo com a posição na ocupação do trabalho principal, observa-se que no grupo dos ocupados na cultura a participação dos empregados com carteira assinada é superior a do total de todas as ocupações. Nestas atividades, a posição na ocupação que mais se distingue, em relação ao mercado de trabalho como um todo, é a participação do conta-própria, sendo, em média, no período 2002/2004, 10 pontos percentuais acima que entre os conta-própria como um todo. A participação média dos empregados com carteira de trabalho assinada entre as pessoas ocupadas foi estimada em 32,9% em 2004, com uma pequena elevação em relação a 2003 e 2002. Na população ocupada no setor cultural, a participação dos empregados com carteira de trabalho assinada em 2004, também apresentou uma ligeira elevação quando comparada com anos anteriores, chegando a 34,2%. A despeito do maior número de anos de estudo, o rendimento médio mensal do trabalho principal da população de 10 anos ou mais de idade ocupada no setor cultural, de R$ 704,93, em 2004, é muito similar ao da população ocupada total (R$ 705,08). O rendimento apresenta um crescimento ao longo dos três anos, em ambas as distribuições, sendo menor para o setor cultural. A maior participação dos conta-própria também parece influenciar a participação de pessoas ocupadas que contribuíram para a previdência no trabalho principal. Os percentuais dos contingentes de pessoas ocupadas que contribuíram para a previdência, em ambas as situações, são inferiores aos dos que não contribuíram, com as pessoas ocupadas no setor cultural apresentando um percentual de não contribuição superior ao das pessoas ocupadas no total, com uma diferença próxima a 2 pontos percentuais. _________________________________ 1Valor Adicionado (diferença entre o valor bruto da produção e o consumo intermediário) nos casos dos serviços e do comércio; Valor da Transformação Industrial (diferença entre o valor bruto da produção e o custo das operações industriais) no caso da indústria. Cálculo sem os ajustes metodológicos das Contas Nacionais que incluem a análise e tratamento dos elementos do custo intermediário e estimativas para a produção de autônomos e unidades produtivas da economia informal. 2A massa salarial anual é a soma dos salários e outras remunerações nos 12 meses do ano, acrescida do 13º salário. 3A despesa consolidada nas três esferas de governo teve como referência a publicação Finanças Públicas 2002-2003. Comunicação Social 29 de novembro de 2006 ---------------------------------------------------------------- This message was sent using IMP, the Internet Messaging Program. _______________________________________________ Bib_virtual mailing list [email protected] https://listas.ibict.br/mailman/listinfo/bib_virtual

