Caro Prof. Aldo,

Gostaria de fazer uma consideração adicional sobre o seu (bom) esclarecimento enviado para a lista, para a relação Web Semântica / linguagem.

Trata-se apenas de considerar que além do trabalho de Saussure, o de Charles Sanders Peirce, um pouco anterior e que também se fundamenta nos signos, apresenta uma visão interessante para explicar a mesma questão.

Atenciosamente

Mauricio Barcellos Almeida
DTGI - ECI/UFMG
www.eci.ufmg.br/mba
[EMAIL PROTECTED]
msn: mbalmeida99

----- Original Message ----- From: "aldo" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Tuesday, May 23, 2006 12:45 PM
Subject: [Bib_virtual] a web semântica explicada


A lista <abarreto-l> tem agora um espelho arquivo
em  http://abarreto.blogs.sapo.pt/  onde você
pode ler  as mensagens e deixar seus comentários
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A WEB SEMÂNTICA PARA TODO MUNDO ENTENDER *

Semântica é uma palavra que vem do grego
semantiké, e pode ser traduzida por "arte da
significação". A web semântica será uma web inteligente?

Você conhece Ferdinand de Saussure? Foi um dos
grandes mestres da Universidade de Genebra e
considerado o fundador da Linguística moderna. No
início do século XX, deu o Curso de Linguística
Geral que abriu caminho para uma ciência autônoma
que tivesse a língua como objeto específico.

Você conhece Tim Berners-Lee? É um inglês que
trabalhava no Laboratório de Física de
partículas, também em Genebra, quando criou a
web, no final do século XX. Em maio de 1990,
Berners-Lee liberou na rede mundial de
computadores os principais elementos para a
constituição da world wide web, ou seja, seus
principais protocolos e padrões, tais como o HTTP
(HyperText Transfer Protocol), mas também da URL
(Uniform Resource Locator), e da linguagem HTML
(Hypertext Markup Language), que permitiram o
modo gráfico na internet. Logo depois, o mesmo
laboratório de Genebra (conhecido como CERN)
liberou a primeira versão de um software para
interpretar os ícones e desenhos que foram
escritos em HTML. Assim sugiu o primeiro browser (navegador), o Mosaic.

A web foi a grande responsável pela popularização
da Internet. A linguagem HTML, aberta e
não-proprietária, foi assimilada rapidamente e
permitiu a construção de milhares de sites, que
logo se tornaram milhões. Sem dúvida, a web
nasceu no mundo das tecnologias abertas e pode
ser considerada uma revolução dentro da revolução
informacional. Tim Berners-Lee continuou seu
esforço colaborativo e, atualmente, dirige o
consórcio W3C (World Wide Web Consortium) que
garante o desenvolvimento aberto e interoperável
de tecnologias desenhadas para a web. Berners-Lee
concentra-se, agora, em viabilizar a web semântica.

A Linguística criada por Saussure, atualmente, é
uma ciência que possibilita analisar as
linguagens sob quatro pontos de partida: a
fonologia estuda suas unidades sonoras; a sintaxe
nos dá a possibilidade de observar a estrutura
das frases; a morfologia nos leva a avaliar as
formas das palavras, e a semântica nos coloca
diante do estudo dos significados. E o que isso
tem a ver com a web? Com a Internet? Muito.

Para Saussure, a língua é um "sistema de signos"
e o signo é uma associação entre o significante
(a imagem sonora ou visual do signo) e o
significado (o conceito do signo). Essa relação
não é estática, ou seja, os significados mudam
diante de seus significantes. A semântica, de
acordo com o "Dicionário Aurélio", pode ser
entendida como semasiologia, que "estuda as
relações entre sinais e símbolos e aquilo que
eles representam". Pode também ser definida como
"o estudo do sentido das palavras".

Agora, pare e pense em uma busca pela web.
Imagine que seu amigo chama-se Aurélio (nome
próprio). Você está procurando o blog dele, e o
mecanismo de busca não sabe que você está atrás
do Aurélio "nome próprio", em vez do Aurélio
"dicionário". A linguagem em que os sites foram
escritos não permite que as máquinas entendam o
significado dos dados que estão na rede.

Na wikipédia em português ( www.wikipedia.org),
lê-se: "uma rede semântica é uma rede que serve
para interligar significados de palavras. (...)
Neste âmbito, tem como finalidade conseguir
atribuir um significado aos conteúdos publicados
na Internet, de modo que seja perceptível tanto
pelo humano como pelo computador."

A linguagem HTML é limitada para descrever os
dados, ela serve para dizer como a página deve
ser visualizada pelos browsers. O projeto da web
semântica quer construir categorias e linguagens
que permitam aos computadores obter o sentido dos
dados. Assim, os computadores poderão distinguir
uma busca pelo blog da procura por um dicionário
ou pela loja de livros do Aurélio.

Para isso, o projeto da web semântica precisa
usar uma outra linguagem que separe o conteúdo da forma em que é exposto.

A linguagem básica para isto é o XML (eXtensible
Markup Language), que nos permite inserir
categorias semânticas nos dados que irão para a
web. Poderemos, por exemplo, definir que um
determinado conjunto de dados é um preço, e outro
é o nome de um livro, e assim por diante. Para
explicar isso melhor, segue (informação) de um
excelente tutorial sobre XML (
www.gta.ufrj.br/grad/00_1/miguel/), escrito por
Miguel Furtado Junior (Centro de Tecnologia em Engenharia Eletrônica da UFRJ).


Para Tim Berners-Lee (
http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=00048144-10D2-1C70-84A9809EC588EF21&sc=I100322l
), a web semântica irá permitir mais do que a
simples melhoria da indexação de informações na
rede mundial de computadores. Ele acredita que a
completa interoperabilidade dos dados, libertos
de formatos e plataformas, permitirá o surgimento
de aplicações que melhorem a educação, os
serviços de saúde e as atividades das pessoas no ciberespaço.

 Certamente, haverá uma disputa pelo seu uso. As
grandes corporações terão maior facilidade para
cruzar dados dos seus alvos ou consumidores. Por
outro lado, teremos maiores possibilidades de
compartilhamento do conhecimento humano. Nossa história mal começou.

O Mapa da Web Semântica, em inglês
www.w3.org/Designissues/Semantic

Exelente artigo publicado na Revista Comciência: 'QUAL O SENTIDO DA WEB
http://www.comciencia.br/reportagens/internet/net08.htm


* [FONTE: grande parte do Artigo de  Sergio
Amadeu da Silveira, para a Revista  de inclusão
Ssocial A Rede , ano2 número 14,  www.arede.inf.br
a Revista permite reprodução livre para fins não comerciais]

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            Prof. Dr. Aldo de Albuquerque Barreto,   Ph.D.
#   Pesquisador Titular do Ministério da Ciência
e Tecnologia (IBICT)
# Professor do Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação - Ibict-Uff
                        Rio de Janeiro







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